Há 20 anos, o Paraná Clube escrevia um dos capítulos mais marcantes de sua história ao conquistar o Campeonato Paranaense diante de um Pinheirão completamente lotado, uma imagem que, duas décadas depois, ainda está na memória do torcedor tricolor.
A campanha terminou com autoridade. Após vencer a ADAP por 3 a 0 no jogo de ida da final, o Tricolor administrou a vantagem com um empate em 1 a 1 na volta, garantindo assim a taça estadual. Essa conquista selou o fim de um jejum de nove anos sem títulos e foi um marco, encerrando a hegemonia de Athletico e Coritiba, que havia dominado as oito edições anteriores do torneio.
Naquele momento, poucos imaginavam que aquela seria a última grande conquista do clube até hoje.
Uma campanha construída na superação
O título não veio de forma linear. Ao longo dos 20 jogos da competição, o Paraná somou 11 vitórias, sete empates e apenas duas derrotas. Porém, o ponto de virada, como relembra o capitão da equipe, Beto, ocorreu em um momento improvável.
“Começamos o campeonato de uma maneira irregular. Porém, no segundo turno, tivemos um jogo contra o União Bandeirante, fora de casa, onde estávamos perdendo e conseguimos empatar no último minuto. Aquele jogo foi uma virada de chave. Tanto que, na sequência, embalamos até chegar à segunda fase e fomos conquistando os objetivos”, recorda o capitão.
O gol salvador naquele duelo veio de um personagem inesperado: o volante Goiano, improvisado na lateral direita. “Percebemos que tínhamos condições naquele jogo em Bandeirantes. Foi o primeiro em que atuei improvisado e fiz o gol aos 52 minutos. Depois daquele jogo, soubemos que poderíamos chegar”, disse Goiano. A partir dali, a equipe ganhou confiança e cresceu no momento decisivo.
O pacto que mudou tudo
Se dentro de campo o time evoluía, fora dele uma decisão simples ajudou a fortalecer ainda mais o grupo. O técnico Luiz Carlos Barbieri percebeu o desgaste físico e emocional do elenco e optou por algo diferente.
“Era um dia de treinamento em dois períodos, mas o time estava cansado. O Barbieri me chamou e falou que ia fazer um churrasco para a galera. Ali foi um momento que fortaleceu a confiança na comissão e houve um pacto entre os jogadores”, conta Beto.
O ambiente leve e unido se refletiu em campo. O Tricolor se destacou, terminando em primeiro lugar no Grupo B e se classificando com propriedade para as fases finais. Na sequência, eliminou o Iraty com uma vitória e um empate, e o Rio Branco, com um ‘sonoro’ 5 a 1 no placar agregado.

O dia inesquecível no Pinheirão
A decisão teve um cenário à altura da conquista. O estádio lotado, a torcida empurrando e um elenco que misturava experiência e identificação com o clube foram ingredientes que tornaram aquele dia memorável. Para Goiano, que vinha das categorias de base, aquele momento foi especial.
“Eu era um jogador da base, então fazer a final em casa, com o Pinheirão lotado, foi um dos momentos mais felizes da minha vida. Marcou muito a minha carreira”, afirmou ele.
Beto, capitão daquela equipe, também guarda a conquista como uma das mais importantes de sua trajetória. “Não tinha parado para pensar nisso, mas o tempo passa rápido. Infelizmente, foi o último título importante do Paraná. Mas, para mim, foi especial. Eu era o capitão e, na sequencia, disputamos uma Libertadores. Foi muito gratificante”, revelou o jogador.

A temporada de 2006 não terminou apenas com o título. O Paraná ainda conquistaria algo inédito: a classificação para a Copa Libertadores de 2007, coroando um ano histórico. O clube se tornou estruturado, competitivo e se estabeleceu na elite do futebol brasileiro.
Duas décadas depois: um cenário oposto
Vinte anos depois, a realidade é bem diferente. O Paraná Clube, que naquela época disputava a Série A do Brasileirão, hoje se encontra sem divisão nacional e luta para se reerguer na segunda divisão do Campeonato Paranaense.
Para Beto, a mudança se deve diretamente à gestão do clube. “O futebol mudou muito. Mas, na nossa época, havia controle financeiro. Não se fazia loucura. Quando você dá um passo maior que a perna, vêm as dívidas. A gente fica triste pelo Paraná, mas torce pela mudança. A torcida sempre foi fundamental”, afirmou.
Goiano aponta outro fator crucial: a base. “A base do Paraná deixou de ser forte. Na minha época, saíam muitos jogadores de qualidade. Era respeitada. Espero que o clube volte a olhar para isso. Estamos na torcida. O Paraná vai voltar, não tenho dúvidas”, disse o ex-jogador.
Relembre o time do Paraná Clube na final do Campeonato Paranaense de 2006

Flávio; Gustavo (Serginho), Emerson e João Paulo; Goiano, Rafael Mussamba, Beto, Marcelinho (Elton), Sandro e Edinho; Leonardo (Vandinho). Técnico: Barbieri.
Fonte:: umdoisesportes.com.br




