Artemis 2 conclui primeira viagem tripulada à Lua do século 21

Redação Rádio Plug
Foto: Artemis pousa no mar (Crédito: Divulgação/Nasa)

A missão Artemis 2 foi concluída com sucesso na última sexta-feira, 10, quando a cápsula Integrity pousou no oceano Pacífico, próximo à costa da Califórnia, Estados Unidos.

Esta viagem marcou a primeira jornada humana à Lua no século 21.

A amerissagem ocorreu exatamente às 21h07 (17h07 no horário da costa oeste dos EUA), conforme o planejado, em um momento culminante que teve início às 15h53, quando a cápsula Orion utilizou seu módulo de serviço para realizar a última manobra de correção de trajetória, colocando-a no caminho para seu destino final.

“Bem-vindo de volta, Reid, Victor, Christina e Jeremy! 🫶 Os astronautas da Artemis II aterrissaram às 20h07 ET (0007 UTC em 11 de abril), encerrando sua histórica missão de 10 dias ao redor da Lua”, anunciou a NASA em suas redes sociais.

Nasa

Em contato com o centro de controle, a tripulação informou que estava bem. Após o pouso no mar, enfrentaram um problema de comunicação com os mergulhadores responsáveis por resgata-los da cápsula. “A criança que existe em mim não consegue acreditar no que acabou de acontecer. Esperei a vida toda por isso. Como administrador da Nasa, não poderia estar mais orgulhoso de toda a equipe”, declarou Jared Isaacman, administrador da NASA, logo após o pouso.

Isaacman descreveu os astronautas como “embaixadores da humanidade” e avaliou a missão como um grande sucesso. “Esse é apenas o início; iremos voltar a fazer isso com frequência, enviando missões à Lua até pousarmos em 2028 e começarmos a construir nossa base lá”, acrescentou.

Enquanto isso, a tripulação da Integrity – composta por Reid Wiseman, 50, Victor Glover, 49, Christina Koch, 47, e Jeremy Hansen, 50 – teve a missão de monitorar cada fase da descida, que foi conduzida pelo computador de bordo.

Às 20h33, o módulo de serviço se separou, expondo o escudo térmico da cápsula, que teve que suportar temperaturas de quase 2.800 graus Celsius devido à intensa compressão atmosférica, criando um plasma incandescente que ajudou a desacelerar a cápsula, que inicialmente estava a cerca de 38,4 mil km/h em direção à Terra.

A última manobra de ajuste foi feita pela cápsula para alinhar corretamente sua entrada na atmosfera, às 20h37. Algum tempo depois, a temperatura ao redor da cápsula aumentou significativamente, resultando em um blecaute de comunicação de aproximadamente seis minutos.

Durante a desaceleração, a equipe deve ter experienciado forças gravitacionais que se aproximavam de 4 G, como se estivessem submetidos a uma gravidade quatro vezes maior do que a da Terra ao nível do mar.

Os paraquedas drogues, que têm a função de iniciar a desaceleração e estabilização da descida, se abriram às 21h03, seguidos pelos três paraquedas principais um minuto depois. Estes conduziram a Orion a um impacto com a água a uma velocidade de cerca de 30 km/h, uma velocidade considerada segura para um pouso aquático.

Após a aterrissagem, a Marinha dos EUA, em parceria com a NASA, iniciou as operações de resgate, que envolveram a remoção da tripulação da cápsula e seu transporte até a costa de helicóptero. O USS Murtha foi designado para as operações, enquanto os astronautas passaram por exames médicos antes de retornarem ao Centro Espacial Johnson, em Houston.

O QUE JÁ FOI E O QUE VIRÁ

Com a missão bem-sucedida, a tripulação da Artemis 2 se tornou a primeira neste século a realizar uma viagem até as proximidades da Lua e retornar à Terra. A última missão com humanos a pousar na Lua foi a Apollo 17, em dezembro de 1972.

A equipe ainda quebrou o recorde de maior distância da Terra alcançada por um voo tripulado, com 406,7 mil quilômetros, superando a marca da Apollo 13, que foi de 400,2 mil quilômetros em 1970. Victor Glover fez história por ser o primeiro negro a deixar a órbita da Terra e viajar até a Lua; Christina Koch, a primeira mulher; e Jeremy Hansen, o primeiro astronauta canadense a alcançar tal feito.

Ainda que o desempenho tenha sido considerado positivo, é fundamental notar que a Artemis 2 era essencialmente uma missão de teste. A tripulação enfrentou algumas dificuldades, como um problema inicial com o banheiro, que foi solucionado ao longo do voo, e um vazamento de hélio em válvulas do tanque de oxigênio do módulo de serviço da Orion, o que poderá exigir alterações no design dessas válvulas no futuro.

A NASA também monitorará de perto o estado do escudo térmico após a reentrada, para comparar com as preocupações observadas durante a Artemis 1, que era uma missão não tripulada realizada em 2022.

Apesar dessas preocupações, o êxito da Artemis 2 coloca os EUA à frente do programa espacial chinês na atual corrida pela exploração lunar. O objetivo mais imediato para os americanos é realizar o primeiro pouso na Lua, previsto para 2028, enquanto os chineses almejam alcançar esse feito antes de 2030.

Os astronautas passarão as próximas duas semanas no Centro Espacial Johnson, elaborando relatórios sobre a missão e se submetendo a exames médicos antes de retornarem à rotina normal.

A NASA já inicia os planos para a missão Artemis 3, prevista para o ano que vem, que buscará testar futuros módulos lunares, atualmente em desenvolvimento pelas empresas SpaceX e Blue Origin. Até o momento, não há uma tripulação definida e a confirmação da prontidão dos módulos para os testes também é incerta, embora os preparativos do próximo foguete SLS e da cápsula Orion pareçam estar mais avançados.

A próxima missão tripulada dos EUA à Lua, conforme os planos atuais, será a Artemis 4, que se dedicará a realizar a primeira alunissagem do programa em 2028.

Com informações de Salvador Nogueira, do Folhapress

Fonte:: bemparana.com.br

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