Foto: Rodolfo Buhrer/BRDE
Na última sexta-feira (24), o Governo do Paraná anunciou o lançamento do programa Nexus Inovação Aberta, uma iniciativa voltada para integrar a produção científica às necessidades do setor produtivo. Para dar início às atividades desse programa, foi publicado um edital que disponibiliza R$ 20 milhões com foco em soluções de genômica aplicada ao agronegócio.
Os projetos aprovados serão realizados por dez empresas âncoras localizadas no Paraná, as quais irão colaborar com startups de tecnologia e instituições de pesquisa. As propostas devem ser enviadas até o dia 3 de julho deste ano.
Está previsto um webinar no dia 14 de maio que irá fornecer detalhes sobre os critérios e etapas da chamada pública. Os projetos devem ser desenvolvidos em parceria entre as empresas âncoras, startups e instituições de pesquisa, buscando resolver desafios tecnológicos. Cada projeto poderá receber um aporte de até R$ 2 milhões. O resultado das propostas habilitadas será divulgado em agosto de 2023, e as contratações pelas empresas começarão em agosto de 2027.
O programa é coordenado pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), em colaboração com a Secretaria da Inovação e Inteligência Artificial (Seia), a Fundação Araucária e o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), uma agência de fomento vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), também está envolvida na estruturação da chamada pública.
A criação do Nexus Inovação Aberta é uma continuidade de esforços iniciados durante o Show Rural do ano anterior, quando o governo estadual firmou um protocolo para desenvolver um modelo de inovação aberta baseado em genômica para o setor agropecuário. Desde então, os responsáveis pela iniciativa têm trabalhado na estruturação de um projeto que visa fortalecer a competitividade do agronegócio e aumentar a capacidade de transformar pesquisa em inovações aplicadas.
O secretário estadual da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldo Nelson Bona, enfatizou que o programa Nexus representa um avanço significativo na abordagem do estado em conectar a produção acadêmica com a indústria. “O Paraná avança de forma decisiva ao conectar os desafios reais do setor produtivo à pesquisa científica, como no caso do melhoramento genético de produtos, o que permite aproximar o conhecimento acadêmico das necessidades empresariais e utilizar a ciência como motor de desenvolvimento para todo o estado”, declarou.
Marcos Stamm, secretário da Inovação e Inteligência Artificial, ressaltou a importância da colaboração entre ciência, tecnologia e setor produtivo. “O Nexus Inovação Aberta se alinha à política estadual de inteligência artificial e transformação digital ao promover o uso de dados e tecnologias avançadas para enfrentar desafios do setor produtivo. Ao apoiar projetos em genômica e bioinformática, o programa ajudará a desenvolver soluções em inteligência artificial aplicadas ao agro, impactando positivamente a produtividade e competitividade do setor”, afirmou.
O programa Nexus adota uma metodologia inspirada no BRDE Labs, que promove reuniões entre empresas, startups e universidades para discutir soluções para desafios econômicos, sociais e ambientais. O processo abrange três etapas: a seleção de desafios, a formação de parcerias colaborativas entre empresas, startups e instituições de pesquisa, e a execução de projetos com recursos não reembolsáveis. O objetivo é acelerar a conversão de conhecimento científico em produtos, processos e tecnologias que possam gerar competitividade e impacto econômico.
Renê Garcia Júnior, presidente do BRDE, comentou sobre a experiência da instituição em articular ecossistemas de inovação. “O BRDE se engaja neste programa com uma contribuição que vai além do financiamento. Trazemos um histórico de colaboração entre empresas e startups, algo que já foi desenvolvido por meio do BRDE Labs, e isso servirá como base para uma política pública estratégica para o Paraná”, ressaltou o gestor.
A genômica aplicada ao agronegócio é uma ferramenta crucial que possibilita avanços no melhoramento genético de plantas e animais, contribuindo para a resistência a pragas e a adaptação a condições climáticas adversas, além de permitir a redução de custos de produção. A primeira chamada pública do Nexus foca em projetos relacionados à modificação genética de precisão, bioinsumos, biodefensivos, integração de dados agronômicos e genômicos, sequenciamento e anotação de genomas, além de bioinformática aplicada ao agronegócio.
Ramiro Wahrhaftig, presidente da Fundação Araucária, destacou que é fundamental garantir que a política pública seja implementada com transparência e eficiência. “É uma atuação integrada que transforma diretrizes em resultados concretos para o Paraná. Trabalhamos para que os recursos sejam bem alocados e que os projetos tenham viabilidade prática, além de fomentar a colaboração entre empresas, startups e instituições de ciência e tecnologia”, afirmou.
As empresas que desejam participar do edital devem ser localizadas no Paraná e ter uma receita bruta anual igual ou superior a R$ 4,8 milhões. Na fase inicial, serão escolhidas até 20 propostas, das quais dez receberão apoio financeiro do governo. Os recursos serão direcionados ao desenvolvimento de soluções em parceria com startups de base tecnológica e instituições de pesquisa. Cada projeto pode receber até R$ 2 milhões, dependendo da configuração escolhida.
A contrapartida mínima exigida é de 5%, com um prazo máximo de execução de dois anos, podendo ser estendida por mais seis meses. As empresas selecionadas participarão de workshops, sessões de mentoria e treinamento em inovação aberta. Nesta primeira fase, o programa conta com a colaboração do Hotmilk, ecossistema de inovação da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), e da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), que fornecerão suporte técnico e orientação durante a jornada de inovação aberta.
O Hotmilk desempenhará um papel fundamental em conectar empresas, startups e instituições de pesquisa, ajudando a definir desafios e a formar colaborações ao longo do programa. Marcelo Moura, diretor do ecossistema, enfatizou que a conexão entre os atores certos e um método bem definido acelera a inovação, aproximando a teoria da prática. “Quando os esforços são alinhados, a inovação ganha velocidade e consistência”, concluiu.
Thais Macieira, gerente do Departamento de Desenvolvimento Tecnológico e Subvenção Descentralizada da Finep, presente no evento de lançamento, expressou otimismo quanto ao potencial da iniciativa, destacando a qualidade do edital. “A chamada pública foi elaborada com um alto nível técnico, abordando uma agenda relevante e conectando competências que estabelecem condições concretas para transformar ciência em inovação”, afirmou.
O programa Nexus Inovação Aberta possui a capacidade de ser ampliado para outras áreas estratégicas, incluindo saúde e biotecnologia, energias renováveis e sustentabilidade, indústria 4.0 e inovações em urbanismo sustentável. O objetivo é que o conhecimento gerado em áreas científicas se converta em produtos e serviços comerciais, promovendo um desenvolvimento mais eficaz e abrangente para o Paraná.
Serviço:
Nexus Inovação Aberta – Seleção de Projetos
Envio de propostas: até 3 de julho – Edital disponível no site oficial.
Webinar: 14 de maio de 2026
Divulgação das propostas habilitadas: a partir de 3 de agosto de 2026
Divulgação dos arranjos: a partir de 22 de março de 2027
Divulgação do resultado definitivo: a partir de 9 de agosto de 2027
Início da contratação: a partir de 19 de agosto de 2027
Fonte:: seti.pr.gov.br



