Custo do crédito no Brasil em março é o mais alto em quase 10 anos

Redação Rádio Plug
Foto: (Imagem: Shutterstock)

Os dados recentes do Banco Central revelam que o custo do crédito no Brasil chegou a níveis não vistos desde o período entre 2016 e 2017. Na última segunda-feira (27), a instituição divulgou que a taxa média de juros para concessões de crédito alcançou 33,1% ao ano, representando um aumento de 0,2 ponto percentual em relação ao mês anterior e de 1,9 pontos percentuais em comparação aos últimos doze meses. Este é o maior patamar desde outubro de 2016.

Dentre os diversos segmentos, é importante destacar que a taxa média cobrada das pessoas físicas chegou a 38,4% em março, superando em 2,8 pontos percentuais a taxa registrada no mesmo mês do ano anterior. Esse valor é o mais elevado desde março de 2017, quando a taxa chegou a 40,6%.

A inadimplência entre as pessoas físicas também apresentou números significativos, com uma taxa média de 7% em março. Apesar de uma leve redução em relação aos 7,2% de fevereiro, esses índices são os mais altos desde o último trimestre de 2012.

Em relação ao endividamento familiar, o Banco Central informou que esse índice chegou a 49,9% em fevereiro, com um pequeno aumento de 0,1 ponto percentual em relação ao mês anterior e de 1,3 pontos percentuais em relação aos últimos doze meses, igualando-se ao recorde histórico de outubro de 2022. O comprometimento da renda também apresentou crescimento, alcançando 29,7%, o que representa o maior patamar registrado na série histórica do Banco Central, com aumento de 0,2 pontos percentuais no mês e de 1,9 pontos percentuais em um ano.

De acordo com Leonardo Costa, economista do ASA, os números atuais refletem um cenário de vulnerabilidade no ciclo de crédito que pode se prolongar no médio prazo. Alberto Ramos, diretor de pesquisa econômica para a América Latina no Goldman Sachs, adiciona que as condições de crédito enfrentarão desafios nos próximos meses em virtude da política monetária restritiva e da desaceleração econômica, juntamente com a dinâmica do mercado de trabalho.

Por outro lado, Ramos observa que a atuação mais proativa dos bancos públicos na concessão de crédito, somada a novas linhas de financiamento promovidas pelo governo federal e instituições financeiras públicas, antes das eleições programadas para o quarto trimestre de 2026, pode atenuar o ciclo negativo no crédito.

Outro dado importante apresentado pelo Banco Central revela também a situação atual dos empréstimos: nas operações de crédito com recursos livres, a taxa média de juros foi de 48,3%, apenas 0,1 ponto percentual abaixo da taxa de fevereiro, mas com um aumento significativo de 4,4 pontos percentuais comparado ao ano passado. Estes índices não eram observados desde outubro de 2017.

No segmento de crédito livre para pessoas físicas, a taxa média de juros atingiu 61,5% ao ano, representando uma queda de 0,4 pontos percentuais no mês, mas um aumento de 4,7 pontos percentuais em relação ao ano anterior.

Considerando as modalidades de operação, em março as taxas de juros anuais mais elevadas foram registradas no rotativo do cartão de crédito e no parcelamento do cartão (192,1%). É importante destacar que, embora a taxa do rotativo tenha diminuído em relação ao ano anterior, a taxa do parcelamento aumentou em 9,4 pontos percentuais.

Esses números refletem um cenário desafiador para os consumidores e ressaltam a importância de uma gestão financeira prudente em um contexto econômico incerto.

Fonte:: infomoney.com.br

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