O secretário de Ciência e Tecnologia para a Transformação Digital do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Henrique Miguel, concedeu uma entrevista ao Poder360, na qual revelou os planos do governo para expandir a infraestrutura de data centers em todo o Brasil, com ênfase em
Esse movimento busca garantir o avanço da inteligência artificial no país sem sobrecarregar a matriz elétrica nacional, um desafio que vem ganhando cada vez mais relevância no contexto atual de crescimento tecnológico.
Segundo Henrique Miguel, a expansão da infraestrutura abrirá oportunidades para a implementação de uma nova política industrial voltada para a tecnologia e o uso de energia limpa. Essa iniciativa está planejada dentro de um abrangente projeto federal que destina R$ 23 bilhões ao setor tecnológico no período entre 2024 a 2028.
O investimento tem como objetivo desenvolver “arquiteturas que proporcionem maior desempenho com menor consumo energético, preferencialmente utilizando O programa será dividido em ações imediatas e estruturantes, organizado em cinco eixos principais:
- Infraestrutura – Enfatizando a construção de uma base tecnológica robusta para a inteligência artificial nacional;
- Capacitação – Focado na formação e disseminação de conhecimento entre profissionais especializados;
- Serviços Públicos – Aplicação da tecnologia para melhorar o atendimento público à população;
- Inovação – Promoção da adoção da inteligência artificial entre as empresas;
- Governança – Apoio ao desenvolvimento de regulamentações e diretrizes seguras para a aplicação da inteligência artificial.
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação afirma que a principal meta desta iniciativa é “desenvolver soluções em IA que contribuam para melhorar significativamente a qualidade de vida da população” brasileira.
Uma das abordagens estratégicas do governo consiste em incentivar a criação de estruturas menores de processamento de dados. Isso visa reduzir a demanda por energia e a necessidade de sistemas de refrigeração, uma vez que, de acordo com Miguel, a “matriz energética muito diversa” do Brasil oferece uma vantagem comparativa em nível global.
No entanto, a expansão deve ser realizada com cautela técnica. Miguel alertou sobre a possibilidade de sobrecarga na rede elétrica caso muitos data centers internacionais sejam instalados no país. Ele destacou que, apesar de não haver risco imediato de apagões para grandes projetos, como indicam estudos do Ministério de Minas e Energia, a produção excessiva de energia renovável no Nordeste enfrenta desafios de escoamento, resultando em desperdício.
O governo vê a atual corrida global pela inteligência artificial como uma oportunidade valiosa para estruturar uma cadeia produtiva completa no Brasil. Miguel enfatizou que o país deve ir além de simplesmente fornecer recursos básicos, como terreno, energia e água, para empresas estrangeiras: “É necessário ter uma visão mais ambiciosa”, declarou o secretário.
Com essas ações, o governo federal espera não apenas atender à demanda crescente por tecnologias de inteligência artificial, mas também posicionar o Brasil como um líder em soluções sustentáveis, combinando inovação tecnológica com responsabilidade ambiental.
Fonte:: poder360.com.br




