Você consegue se lembrar do que estava fazendo no último sábado? A resposta pode não ser tão radical quanto a de Eliete Augusta Marques. No dia 30 de maio, ela estava em Guaraqueçaba, não para relaxar na tranquila cidade litorânea do Paraná, mas para participar de uma corrida: uma ultramaratona de 126 quilômetros, completada em impressionantes 21 horas, onde superou todos os homens com mais de 50 anos que competiram.
Aos 56 anos, Eliete, carinhosamente conhecida como Vovó Eliete, é mãe de quatro e avó de seis. Ela entrou no universo das corridas há 14 anos, realizando sua primeira maratona em 2017 e, um ano após, sua primeira ultramaratona. Desde então, não parou mais. Mas antes de se afastar das corridas, tem grandes planos: um deles é completar uma corrida de mil quilômetros.
“Meu objetivo é chegar aos quatro dígitos antes dos 60 anos. Quero fazer uma corrida de mil quilômetros,” afirma Eliete, com a meta de realizá-la em 2028. Para alcançar esse anseio, ela planeja participar, em setembro do próximo ano, do percurso de 500 quilômetros da ultramaratona 1000KM Brasil, que acontece em São Lourenço, estado de Minas Gerais. Em 2028, a intenção é enfrentar o desafio mais longo, de mil quilômetros, ao longo de dez dias.
“Eu queria fazer direto a prova de mil quilômetros, mas não deixaram. Preciso completar a prova de 500 para, no ano seguinte, realizar o percurso maior,” explica. Para isso, Eliete já se prepara para provas de 150 e 200 quilômetros, em um planejamento voltado para a participação nas ultramaratonas em Minas Gerais. “Eu quero fazer essa prova de mil quilômetros como forma de encerrar minha participação nas ultramaratonas, nas corridas acima de três dígitos, porque já estou ficando velha. Tudo na vida é um ciclo, e quero fechá-lo,” conclui.
Casamento a partir do Disque Amizade e nomes iniciados com a letra E
Nascida em Fênix, na região Centro-Oeste do Paraná, Eliete se mudou para Curitiba ainda jovem, onde conheceu seu marido, Edson, de maneira bastante inusitada, há 43 anos. “Eu conheci ele no Disque Amizade. Você ligava, conversava e depois marcava encontros. Eu conheci a prima dele, fui na casa dela e conheci ele lá. Em três meses a gente casou,” relata.
O primeiro filho do casal nasceu quando Eliete tinha 19 anos, chamada Érica. Depois vieram mais três: Ellen, Evelyn e Emelyn. Todos os membros da família têm nomes que começam com a letra E, assim como os netos: Enrique, Eduarda, Eloá, Erick, Ethan e Ester. Essa tradição também se repetiu entre os irmãos de Eliete: Eliane, Eliabe, Elisangela e Elianete.
“Meus pais se chamavam José e Maria, um pernambucano e uma mineira. Não sei por que escolheram nomes começando pela letra E para nós. O meu nome foi escolhido por ser bíblico. Eu fiquei doente, eles fizeram uma promessa e deram esse nome. Depois quis seguir essa tradição e dei aos meus filhos nomes que começam com a letra E, o que acabou acontecendo com os netos também,” explica.
A paixão pelas corridas: “Eu não queria mais fazer crochê”
O amor pelas corridas surgiu há 14 anos. Na época, aos 42 anos, Eliete trabalhava como podóloga, profissão que exerce há 30 anos, e se dedicava à família. Com isso, ganhou 25 quilos e começou a ter problemas com pressão alta. “Eu não fazia nenhum exercício e não tinha tempo para isso. Os médicos me disseram que precisava fazer alguma atividade, ou iria me complicar,” conta.
Inicialmente, tentou praticar outros esportes, mas não se adaptou e decidiu experimentar a corrida. Começou suas práticas na Praça Agostinho Legroy, antiga Praça do Skatista, através de um projeto da Prefeitura de Curitiba.
“O professor Ernesto dizia ‘vá dar uma volta na praça’. No começo, não conseguia nem completar uma volta, mas todos me incentivavam. Gradualmente, fui correndo 5, depois 10, 21 e 42 quilômetros, e nunca mais parei,” relembra Eliete, orgulhosa. “O que me fez amar correr foi encontrar algo que realmente me motivasse. Eu estava em casa e não queria mais fazer crochê. Acabei me apaixonando pela corrida, que é um momento de reflexão pessoal. A corrida transforma a vida,” completa.
Preparação intensa com 200 quilômetros de corrida por semana
Semanalmente, Vovó Eliete corre pelo menos 200 quilômetros para se preparar para as ultramaratonas, além de realizar musculação duas vezes por semana. As corridas são realizadas às segundas, quartas e sextas, com percurso mais longo sendo aos sábados, alcançando até 100 quilômetros. “Eu percorro toda Curitiba. A cidade acaba, mas os quilômetros não acabam,” brinca sobre seus treinos longos.
Um aspecto importante é que Eliete nunca sofreu lesões, o que ela credita ao treinamento de musculação específico para corredores, além de um curioso hábito. “Não sinto dores, e acredito que seja porque não tenho pressa em correr rápido. Eu odeio correr rápido! Gosto de aproveitar, observar o ambiente, conversar com as pessoas e até parar para tirar fotos,” finaliza.
Fonte:: bemparana.com.br




