Mortes por ebola no Congo ultrapassam 500; profissionais de saúde ameaçam entrar em greve

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

Pelo menos 500 pessoas perderam a vida em decorrência de mais de 1,5 mil casos confirmados do surto de ebola na República Democrática do Congo, conforme informaram as autoridades locais na noite de domingo, 5. A situação se agrava, pois trabalhadores da linha de frente ameaçam entrar em greve devido à falta de pagamento de benefícios e às precárias condições de trabalho.

Desde a declaração do surto em 15 de maio, foram notificados 1.561 casos, incluindo 506 óbitos, conforme atualização divulgada pelo Ministério da Saúde do Congo na noite de domingo. O crescimento contínuo da disseminação do vírus tem superado a capacidade das autoridades em responder de maneira eficaz.

No mesmo dia, equipes de profissionais de saúde deslocados para a província de Ituri, considerada o epicentro do surto, emitiram um aviso de 24 horas, alertando sobre a possibilidade de greve caso não recebam os pagamentos devidos e melhorias nas condições laborais.

O grupo em questão é formado principalmente por profissionais de saúde que vêm realizando esforços intensos sem períodos adequados de descanso, enfrentando resistência de moradores e uma desconfiança generalizada acerca do vírus e das diretrizes de combate ao surto.

Em um aviso dirigido ao governo, ao qual a Associated Press teve acesso, os trabalhadores relataram que não recebem benefícios desde o início do surto, além de não contarem com suprimentos adequados para desempenhar suas funções. Também mencionaram salários baixos, a “arrogância” de equipes enviadas da capital, Kinshasa, e a exploração “excessiva” de mão de obra oriunda de outras províncias, deixando de lado os trabalhadores locais em Ituri, que enfrentam a escassez de equipamentos apropriados.

As ameaças de greve surgem poucas dias após o início do recrutamento para ensaios clínicos na região, o que levanta preocupações sobre o impacto que essa paralisação poderia ter nos esforços de contenção do surto. Este já foi confirmado em três províncias da parte leste do país, incluindo Kivu do Norte e Kivu do Sul.

A escassez de vacinas ou de tratamentos aprovados para o vírus Bundibugyo, responsável pelo atual surto de ebola, tem dificultado os esforços de resposta. Ao contrário, o vírus Zaire, que é mais comum e para o qual já existe vacina, foi o causador da maioria dos 16 surtos anteriores registrados no Congo.

Até o momento, as autoridades ainda não conseguiram identificar o paciente zero do surto e precisam rastrear possivelmente dezenas de milhares de pessoas que tiveram contato com os infectados. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o primeiro mês deste surto foi o mais severo já documentado.

/Com informações da AP

Fonte:: estadao.com.br

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