Discord suspende transmissões ao vivo no brasil por ordem da anpd

Redação Rádio Plug
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Discord é uma plataforma social de mensagens in...

O Discord suspendeu, nesta segunda-feira (17.ago.2026), as transmissões ao vivo de sua plataforma no território brasileiro. A medida foi adotada em estrito cumprimento a uma determinação oficial da ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados), que havia estabelecido este prazo limite para que a suspensão passasse a valer de maneira efetiva.

A ordem emitida pela autoridade de proteção de dados veio a público na quarta-feira (12.ago), concedendo inicialmente o intervalo de três dias úteis para que a exigência fosse atendida pela empresa de tecnologia. Trata-se de uma ação de caráter preventivo focada exclusivamente no recurso conhecido como Go Live, ferramenta amplamente utilizada para a realização de transmissões em vídeo dentro de servidores fechados. De acordo

Condições para o retorno e posicionamento oficial

A interrupção das lives deve vigorar por tempo indeterminado, sendo mantida até que a organização consiga comprovar perante as autoridades competentes a implementação de salvaguardas robustas voltadas à proteção de crianças e adolescentes. Em nota oficial distribuída à imprensa e aos usuários, a administração do Discord fez questão de enfatizar sua abertura e disposição contínua para colaborar de forma direta com o poder público brasileiro.

“Seguimos comprometidos em trabalhar com formuladores de políticas públicas no Brasil para ajudar a criar uma experiência on-line mais segura para todos, tanto no Discord quanto em toda a internet”, destacou o comunicado emitido pela corporação.

Antes da sanção, a empresa já havia submetido ao governo federal um plano contendo propostas para elevar o nível de segurança dos usuários, iniciativa fruto de tratativas diretas com representantes do Ministério da Justiça e Segurança Pública, da Advocacia-Geral da União (AGU) e da própria ANPD. As exigências cobradas pelo Estado brasileiro giram em torno de melhorias significativas nos sistemas de checagem de idade e no aprimoramento de barreiras para mitigar riscos a menores de idade.

A íntegra da nota oficial divulgada pela plataforma detalha o cenário:

“Em cumprimento à determinação da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), suspendemos os recursos de vídeo do Discord no Brasil. O vídeo é uma parte importante e muito valorizada da experiência no Discord, permitindo que nossos usuários se comuniquem e criem conexões significativas ao compartilhar experiências, jogar juntos e manter contato com amigos e familiares. Estamos dialogando ativamente com a ANPD em busca de uma solução que permita restabelecer esses recursos para nossos usuários no Brasil. Seguimos comprometidos em trabalhar com formuladores de políticas públicas no Brasil para ajudar a criar uma experiência online mais segura para todos, tanto no Discord quanto em toda a internet”.

Origem das investigações e falhas de segurança

Todo o escrutínio regulatório ganhou força após um caso trágico envolvendo a morte de uma menina de 13 anos na cidade de Naviraí (MS), ocorrido em 22 de julho. Conforme apontamentos conduzidos pela Polícia Civil e pelo Ministério da Justiça, a adolescente foi constrangida e induzida a tirar a própria vida no decorrer de uma transmissão ao vivo realizada na plataforma digital.

No desdobramento das apurações, as forças de segurança cumpriram mandados judiciais contra seis investigados, mapeando o aproveitamento de ferramentas do Discord e do Telegram para o aliciamento de vítimas, propagação de discursos de ódio e estímulo a condutas violentas.

O próprio ecossistema do Discord reconheceu perante as autoridades federais a existência de brechas e falhas operacionais em seus protocolos durante o episódio em questão. A transmissão iniciou-se por volta das 2h20, contudo, o primeiro alerta direcionado aos canais de emergência relatando risco iminente de morte ou lesão grave só foi disparado às 3h50, com a derrubada definitiva do servidor ocorrendo apenas às 4h15.

A ANPD pontuou em seus relatórios que reuniu elementos consistentes indicando a ausência de barreiras adequadas por parte da empresa para conter a exposição de menores a conteúdos ligados à automutilação, violência extrema e suicídio.

Um dos principais nós técnicos apontados pela agência reguladora reside no fato de que a arquitetura do aplicativo não permite o monitoramento direto do conteúdo das transmissões de vídeo em tempo real, uma vez que a empresa alega limitações de acesso aos fluxos de imagem. Com isso, a moderação acaba recaindo sobre ferramentas automatizadas e denúncias manuais reportadas pelos próprios usuários presentes nas salas.

Nos bastidores jurídicos, a defesa da companhia tentou reverter o cenário na última sexta-feira (14.ago), protocolando um ofício junto à ANPD no qual pleiteava uma extensão de pelo menos 15 dias úteis no prazo de adequação, além da revogação da medida cautelar. A justificativa apresentada apontava a necessidade de um período maior para o desenvolvimento de soluções tecnológicas capazes de bloquear eficientemente o recurso de vídeo para o público nacional sem que ocorram burlas às restrições impostas.

Fonte:: poder360.com.br

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