Mulheres lideram vendas na Shopee e impulsionam o empreendedorismo nacional

Redação Rádio Plug
9 min. de leitura
Perfil das empreendedoras foi destaque na segun...

O cenário do empreendedorismo feminino no Brasil tem apresentado avanços expressivos nos últimos anos, registrando um crescimento de 27% na última década. No entanto, as mulheres que decidem abrir e gerenciar seus próprios negócios ainda enfrentam barreiras estruturais significativas, especialmente no que tange ao acesso a capital, redes de apoio corporativas, ferramentas de inovação e ampliação de mercado. Essa temática central foi amplamente debatida durante a segunda edição do evento Shopee Trends, realizado em São Paulo, que reuniu aproximadamente 10 mil participantes para discutir os rumos do comércio e dos negócios no país.

De acordo com levantamentos apresentados pela plataforma de comércio eletrônico Shopee, as mulheres já representam 51% do total de vendedoras ativas dentro do marketplace. Um dado de destaque revelado pelo estudo é que 75% dessas empreendedoras decidiram iniciar suas jornadas comerciais justamente após a maternidade, buscando maior flexibilidade na rotina para conciliar a vida familiar e profissional.

Os números do programa Mulher do Ano Shopee detalham ainda que 84% das mulheres inscritas operam seus negócios sem sócios, enfrentando o desafio da gestão solitária. Além disso, 60% delas estão localizadas em regiões do interior ou em polos produtivos descentralizados, e impressionantes 88% comercializam produtos integralmente fabricados no território brasileiro. As participantes desta edição vieram de 16 estados e 297 municípios diferentes, sendo que 80% dos empreendimentos mapeados prestam atendimento a grupos populacionais que historicamente possuem menor acesso a oportunidades no mercado tradicional.

Para Ana Fontes, fundadora e CEO da Rede Mulher Empreendedora, essas estatísticas refletem uma dupla realidade: a enorme força e resiliência feminina frente aos negócios, mas também a persistência de obstáculos estruturais profundos.

Capital, inovação e redes de apoio seguem como principais desafios

Durante os debates, Ana Fontes pontuou que a obtenção de recursos financeiros continua sendo um dos maiores entraves para a expansão dos negócios liderados por mulheres. A dificuldade vai muito além do sistema bancário tradicional, englobando a escassez de diferentes modalidades de financiamento adequadas à realidade dessas micro e pequenas empreendedoras.

A especialista explicou que a barreira no acesso a linhas de crédito convencionais, microcrédito facilitado, fundos de investimento e aportes de investidores-anjo limita severamente o potencial de crescimento de empreendimentos que, em uma parcela expressiva dos casos, funcionam como a única fonte de subsistência familiar. Os dados indicam que mais de 55% das empreendedoras dependem diretamente e exclusivamente da renda gerada pelo próprio negócio para sobreviver.

Outro fator crítico apontado no evento é a sobrecarga associada aos trabalhos de cuidado não remunerados. Com cerca de 70% das mulheres iniciando suas atividades comerciais após a maternidade, a busca por horários flexíveis acaba gerando uma pressão adicional e constante sobre a rotina diária.

“Muitas delas falam que têm que, muitas vezes, parar durante o dia para socorrer uma questão com os filhos, uma questão com os pais, com a família, porque o cuidado ainda é uma questão muito forte para as mulheres — 80% da economia do cuidado é feita por elas”, ressaltou Ana Fontes durante sua participação.

A ausência de uma rede de apoio estruturada e a alta incidência de negócios tocados por uma única pessoa também contribuem para acentuar a sensação de solidão na jornada corporativa. Nesse contexto, a criação de conexões estratégicas entre empreendedoras e o suporte através de programas de mentoria são apontados como caminhos indispensáveis para mitigar esses impactos.

Inovação e acesso ao mercado ainda exigem superação

No tocante à escolha dos nichos de atuação, a maior parte das mulheres dá os primeiros passos no empreendedorismo em setores tradicionais, como moda, beleza, alimentação fora do lar e prestação de serviços diversos, áreas que historicamente já possuem maior proximidade com o público feminino.

“Normalmente, essas mulheres empreendem em territórios de domínio delas, que são moda, beleza, alimentação fora de casa, serviços. Isso é o natural, não tem problema nenhum. Mas como fazer com que essas mulheres consigam inovar?”, questiona a CEO da Rede Mulher Empreendedora. Para ela, o problema central não reside na falta de apetite pelo risco ou de interesse, mas sim na dificuldade de acesso a capacitação técnica, conhecimento aprofundado e ferramentas tecnológicas que viabilizem a expansão e a modernização dentro de seus próprios segmentos.

Outro obstáculo recorrente diz respeito ao escoamento da produção e à visibilidade comercial. É justamente nesse ponto que a digitalização e a entrada em plataformas de e-commerce assumem um papel estratégico, atuando na redução drástica das barreiras de entrada e na multiplicação dos canais potenciais de venda.

“E um dos desafios que elas têm é onde elas vendem o produto. A gente chama isso de acesso a mercado, nos empreendedores. Então ter a plataforma já vence esse desafio, porque ali é o território onde ela vende o produto e o serviço”, enfatizou Ana.

Como resposta a essa demanda por capacitação, a diretoria da Shopee informou que a sua Central de Educação dos Vendedores já foi responsável por treinar e capacitar mais de 650 mil pessoas no país, oferecendo módulos práticos sobre técnicas de fotografia de produtos, planejamento de estratégias comerciais e otimização do uso da plataforma digital.

Crescimento contínuo do empreendedorismo feminino no país

A expansão acelerada da presença feminina no comércio digital caminha lado a lado com uma consolidação estatística observada em âmbito nacional. Conforme levantamento realizado pelo Sebrae com base nos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do IBGE, o contingente de mulheres proprietárias de negócios no Brasil registrou uma alta de 27% entre os anos de 2015 e 2025, saltando de um patamar inicial de 8,2 milhões para atingir a marca de 10,4 milhões de empreendedoras.

Em comparação, no mesmo período analisado, o crescimento do empreendedorismo masculino foi de aproximadamente 11%, alcançando o montante de 19,9 milhões de homens à frente de empreendimentos próprios.

Apesar da forte expansão numérica, o perfil demográfico e socioeconômico dessas mulheres permanece concentrado em características específicas: a grande maioria possui idade entre 30 e 49 anos, cerca de 70% acumulam a responsabilidade de serem mães, e mais de 70% continuam desenvolvendo suas atividades profissionais nos ramos de moda, beleza, alimentação e serviços básicos.

Evento busca dar visibilidade ao ecossistema de negócios liderados por mulheres

A realização do Shopee Trends também serviu como palco oficial para a entrega do programa Mulher do Ano Shopee, uma iniciativa concebida com o propósito explícito de conferir maior visibilidade a trajetórias inspiradoras de empreendedoras de diferentes regiões do país e incentivar a migração e consolidação de mais negócios para o ambiente digital.

De acordo com os organizadores, o projeto tem como meta principal fomentar e ampliar o debate público acerca dos desafios e das potencialidades do empreendedorismo feminino, estimulando de maneira prática o aproveitamento das ferramentas online como um canal definitivo de sustentabilidade, autonomia financeira e expansão comercial.

Fonte:: bemparana.com.br

Anúncios
Compartilhe este artigo