O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira, 19, que pretende se encontrar com o líder norte-coreano Kim Jong Un ainda este ano. Caso se concretize, esta será a primeira reunião entre ambos durante o atual mandato do republicano na Casa Branca.
A declaração foi feita a jornalistas durante uma visita a um novo heliponto em construção nas dependências presidenciais, quando o mandatário foi questionado sobre a possibilidade de retomar as tratativas diplomáticas com Pyongyang. Nos últimos dias, Trump adotou um tom ambivalente: enquanto elogiou o líder asiático, criticou abertamente Seul por não prestar apoio suficiente à sua campanha contra o Irã.
A movimentação diplomática ocorre em meio a tensões crescentes na península coreana. Na terça-feira, a imprensa estatal da Coreia do Norte expressou forte oposição aos exercícios militares conjuntos realizados entre os Estados Unidos e a Coreia do Sul, classificando as manobras como uma grave ameaça à região. Curiosamente, o comunicado oficial norte-coreano omitiu a recente determinação de Trump para reduzir o escopo desses treinamentos.
Repercussão militar e histórica
No domingo anterior, 16, a decisão de Trump de ordenar ao Pentágono que reduzisse “substancialmente” a participação de Washington nos exercícios pegou aliados regionais de surpresa. A medida foi anunciada justamente na véspera do início das operações. Segundo o presidente norte-americano, manter o formato tradicional das manobras enviava um sinal inadequado e hostil ao regime de Donald Trump e ao governo norte-coreano.
Historicamente, o governo norte-coreano — que desenvolveu um arsenal nuclear — rejeita os treinamentos conjuntos, interpretando-os como simulações de uma invasão ao seu território. Em nota oficial divulgada pela agência estatal KCNA, o governo de Pyongyang reforçou que os exercícios representam a ameaça mais iminente e direta à estabilidade local.
“Exerceremos nosso direito à autodefesa para neutralizar a ameaça militar das forças hostis por meio de uma ação mais transparente”, destacou o texto da agência de notícias. Apesar da retórica dura, a publicação evitou comentar o desejo manifestado por Trump de retomar o diálogo diplomático.
Atualmente, os Estados Unidos mantêm cerca de 28.500 militares posicionados em território sul-coreano. A presença das tropas é um desdobramento histórico da Guerra da Coreia, conflito travado entre 1950 e 1953 que foi encerrado apenas por meio de um armistício, sem a assinatura de um tratado de paz definitivo.
Fonte:: estadao.com.br




