O mercado de radiodifusão e telecomunicações brasileiro acompanha de perto a evolução dos serviços de distribuição de sinais via satélite. Durante a realização do SET Expo 2026, o estande da Claro Empresas serviu como vitrine para a demonstração prática do que o setor define como o receptor do futuro, unindo a tradicional entrega de canais via antena parabólica com recursos avançados de conectividade à internet.
A iniciativa, desenvolvida em conjunto com a Century Brasil, estruturou duas estações interativas focadas na tecnologia conhecida como TVRO (Television Receive-Only). Enquanto a primeira ilha apresentou o funcionamento do modelo tradicional que já atende milhões de residências, a segunda estação concentrou as atenções nas inovações incorporadas ao chamado TVRO 2.5 conectado, que promete transformar a experiência de consumo televisivo, especialmente fora dos grandes centros urbanos.
Estratégia de preços e foco nas classes C, D e E
Um dos pontos centrais para a viabilização comercial dessa nova geração de receptores é a acessibilidade financeira. De acordo com Carlos Ottoboni, gerente de desenvolvimento da Century Brasil, o planejamento estratégico da indústria exige que o novo hardware chegue ao mercado com um acréscimo de preço de no máximo 40% em relação aos modelos atualmente comercializados.
A preocupação tem fundamento, uma vez que o público-alvo prioritário dessa tecnologia pertence às classes C, D e E. Trata-se de uma parcela significativa da população residente em municípios de pequeno e médio porte, com até 100 mil habitantes, onde a infraestrutura de internet fixa cabeada muitas vezes não está disponível ou apresenta limitações severas de velocidade. Manter o custo do equipamento em patamares competitivos é visto como fator determinante para evitar a rejeição pelo consumidor final.
Potencial de expansão e alcance de mercado
A integração da recepção via satélite com conexões de dados abre um leque de possibilidades para a oferta de serviços interativos, conteúdos sob demanda e melhoria na qualidade de entrega de som e imagem. Na avaliação de Guilherme Saraiva, gerente de produtos da Claro Empresas, o impacto dessa tecnologia no mercado brasileiro pode ser exponencial.
O executivo aponta que a nova geração de receptores conectados tem potencial técnico e comercial para atingir até 35 milhões de domicílios em todo o território nacional. Esse volume representa o dobro da cobertura registrada pela primeira geração da TVRO, que atualmente atende cerca de 17 milhões de residências. O interesse comercial, segundo Saraiva, tem mobilizado tanto emissoras de televisão públicas quanto privadas, que enxergam na plataforma um canal direto e modernizado para alcançar audiências em regiões remotas.
A demonstração realizada no evento consolida a tendência de convergência entre os sinais de radiodifusão e as redes IP, abrindo caminho para uma nova fase na distribuição de conteúdo televisivo no país. Assista à íntegra da entrevista com Carlos Ottoboni e Guilherme Saraiva para conhecer mais detalhes sobre o projeto.
Fonte:: convergenciadigital.com.br






