O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta quinta-feira (27) que as acusações direcionadas ao seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, não passam de “ilações”. Durante sabatina concedida à TV Globo, o chefe do Executivo federal pontuou que o filho tem o direito e a necessidade de se defender na Justiça, ressaltando ao mesmo tempo que a gestão atual não adotará qualquer medida de interferência para barrar apurações conduzidas pelos órgãos competentes.
Na mesma ocasião, o mandatário classificou como “totalmente errado” o comportamento de seu ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, em meio aos desdobramentos que envolvem a relação do auxiliar com a empresária e lobista Roberta Luchsinger.
Críticas à atuação da Polícia Federal e menções à Lava Jato
Durante a sabatina, Lula externou descontentamento com o andamento das apurações conduzidas pela Polícia Federal, sugerindo que há vazamentos seletivos de informações para os veículos de imprensa a respeito dos inquéritos que miram o seu filho por suposto tráfico de influência. Para o presidente, o material que embasa as suspeitas decorre de interpretações precipitadas de conversas telefónicas.
“São ilações, ilações e ilações tiradas de telefonemas”, afirmou o presidente, traçando um paralelo com o período em que enfrentou acusações no âmbito da Operação Lava Jato. O petista reforçou a crença na inocência de Lulinha e argumentou que a divulgação de diálogos fora de contexto não comprova irregularidades.
O assunto gerou debates mais amplos sobre o histórico judicial e político do país. Lula aproveitou para criticar a condução de processos anteriores por parte do judiciário e do Ministério Público Federal, mencionando episódios marcantes da Operação Lava Jato e o episódio conhecido como o “PowerPoint” apresentado em 2016. A declaração gerou contrapontos diretos dos jornalistas que conduziam a sabatina, que defenderam a atuação da imprensa na cobertura dos fatos históricos e lembraram retratações já efetuadas pela emissora.
O caso do ex-chefe de gabinete e os empréstimos
Outro ponto abordado pelo presidente foi a conduta de Marco Aurélio Ribeiro. Investigações preliminares apontaram que a lobista Roberta Luchsinger teria efetuado pagamentos que somam cerca de R$ 217 mil referentes a faturas de cartão de crédito, financiamento de automóvel e outras obrigações financeiras do ex-assessor presidencial.
Embora o ex-chefe de gabinete sustente que os valores recebidos tratavam-se estritamente de empréstimos pessoais, Lula reprovou a proximidade e a natureza da transação. Segundo o presidente, a postura adotada por seu antigo subordinado foi inadequada para o cargo que ocupava na estrutura do governo.
“Por que ele não falou comigo? Eu disse ‘cara, sou quase que nem seu pai. Porque você não falou comigo do problema que estava tendo?’ Agora é o seguinte, ele cometeu erro? Ele pagará pelo erro que cometeu”, declarou Lula, frisando que o auxiliar tem plena ciência da gravidade de suas ações e que o papel exercido na chefia de gabinete exigia maior rigor ético.
Investigações e cenário político
As recentes revelações sobre os inquéritos envolvendo figuras ligadas ao Palácio do Planalto coincidem com o período pré-eleitoral e as articulações para a disputa pela reeleição. A oposição tem utilizado os episódios para intensificar críticas à base governista, enquanto aliados do governo buscam contrapor a postura atual com a de gestões passadas, enfatizando a autonomia concedida às instituições de segurança e persecução penal.
A estratégia adotada pelo núcleo político do governo tem sido a de reiterar publicamente que investigações devem seguir seus trâmites legais sem qualquer obstáculo institucional. Em declarações recentes dadas a outros veículos de comunicação, o próprio presidente reforçou que ninguém está acima da lei e que cabe aos investigados o ônus de comprovarem suas inocências perante a Justiça.
As sabatinas da emissora com os principais nomes cotados para a disputa presidencial continuam ao longo da semana, reunindo diferentes lideranças políticas para discutir propostas de governo, diretrizes econômicas e os principais desafios enfrentados pela administração pública brasileira.
Fonte:: bemparana.com.br




