O estado do Paraná figura na terceira posição entre as unidades federativas brasileiras que deverão sofrer os impactos mais expressivos decorrentes do aumento de chuvas extremas nas próximas décadas, com projeções estendidas até o ano de 2075. O alerta faz parte de um levantamento conduzido pela i4sea, empresa especializada em inteligência meteorológica e oceanográfica com foco na gestão e mitigação de riscos climáticos.
A chegada da primavera tem reforçado a presença de instabilidades atmosféricas na região Sul do país, após um mês de setembro marcado por oscilações constantes no tempo. Com o avanço das discussões sobre as mudanças no clima global, a pesquisa traz uma perspectiva preocupante para o planejamento urbano e rural a longo prazo no território paranaense.
De acordo com a metodologia adotada pelo estudo, que se baseia na mediana de 26 modelos climáticos avançados do CMIP6, a projeção aponta para um acréscimo de 4,8 milímetros no maior volume acumulado de precipitação em um intervalo de cinco dias consecutivos no Paraná. Com esses números, o estado fica atrás apenas de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul no ranking de incremento dessas marcas pluviométricas na região.
Desafios para a infraestrutura e o planejamento urbano
Especialistas apontam que o dado mais alarmante não reside apenas no volume total de água que deverá cair ao longo dos anos, mas sim na concentração desse montante em episódios de curta duração e alta intensidade. Esse padrão meteorológico tende a sobrecarregar sistemas fundamentais para o funcionamento dos municípios e do setor produtivo.
Entre os setores mais vulneráveis a essa pressão climática acentuada estão os sistemas de drenagem urbana, a malha rodoviária estadual e federal, as atividades voltadas à agricultura, as redes de distribuição de energia elétrica e a infraestrutura básica em geral. A necessidade de adaptação estrutural passa a ser vista como prioridade para gestores públicos e privados.
Com as instabilidades da primavera já redefinindo o cotidiano dos moradores, o cenário evidenciado pela i4sea reforça que o Paraná precisará rever suas diretrizes de desenvolvimento e segurança territorial para absorver os reflexos das mudanças climáticas previstas para as próximas décadas.


