Alex de Souza: Trajetória, gols, conquistas e os passos do ídolo como técnico

Redação Rádio Plug
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Alex em diversas fases da carreira. Montagem: I...

Alexsandro de Souza, amplamente conhecido como Alex ou Alex de Souza, nasceu em 14 de setembro de 1977, na cidade de Curitiba, no Paraná. Destacando-se como um meia-atacante canhoto de 1,75 m, ele construiu uma reputação sólida baseada em sua inteligência tática dentro de campo, extrema precisão nos passes, capacidade refinada de finalização e excelência técnica nas cobranças de falta. Ao longo de quase duas décadas dedicadas ao futebol profissional, ultrapassou a marca de 400 gols e consolidou o status de ídolo em praticamente todas as equipes que representou.

Apelidado de “Menino de Ouro” durante sua passagem pelas categorias de base do Coritiba, Alex realizou sua estreia como profissional em 2 de abril de 1995, com apenas 17 anos, em partida válida pelo Campeonato Paranaense contra o Iraty. Esse pontapé inicial deu início a uma trajetória extensa e repleta de troféus, que o conduziu a tradicionais instituições esportivas do Brasil e do exterior, além de passagens de destaque pela seleção brasileira.

Alex em sua despedida oficial dos gramados atuando pelo Coritiba, em 2014. (Foto: Jason Silva/Eleven/Folhapress)

Alex e a forte ligação com o Coritiba

A relação entre Alex e o Coxa transcende o profissionalismo. Revelado pelas divisões de base do clube alviverde sob a tutela do professor Miro, o jovem atleta disputou 123 partidas e anotou 32 tentos em seu primeiro ciclo profissional, entre 1995 e 1997. Sendo torcedor confesso da equipe, teve papel determinante no retorno do clube à elite do Campeonato Brasileiro, contribuindo com gol e assistência no clássico decisivo contra o rival Athletico, realizado no Estádio Couto Pereira.

Após vivenciar anos de sucesso em âmbito nacional e internacional, o meia retornou ao clube do coração no segundo semestre de 2012, aos 35 anos, para escrever o capítulo final de sua história como atleta. Mantendo alto nível físico e técnico, sagrou-se artilheiro do Campeonato Paranaense no ano seguinte, balançando as redes 15 vezes e conduzindo o Coritiba à conquista do 37.º título estadual de sua história, com direito a dois gols na decisão diante do Athletico.

No Campeonato Brasileiro de 2013, também terminou como o principal goleador da equipe coxa-branca, marcando 12 vezes — incluindo o tento de número 400 de sua carreira, desferido de longa distância contra o Fluminense. Alex encerrou sua trajetória como jogador em dezembro de 2014, aos 36 anos. Meses antes, havia liderado o elenco em um protesto público contra a diretoria devido a atrasos salariais referentes a direitos de imagem e FGTS, exibindo uma faixa de reivindicação na entrada do gramado do Couto Pereira.

Somando suas duas passagens pelo clube paranaense, o meia acumulou 209 jogos, 70 gols e 58 assistências.

A era de ouro no Palmeiras

Em 1997, após deixar o Coritiba, Alex transferiu-se para o Palmeiras, onde integrou um dos grupos mais vitoriosos da história alviverde. Ao lado de companheiros como Marcos, Arce, Roque Júnior, César Sampaio, Zinho e Paulo Nunes, o camisa 10 empilhou troféus em sequência.

A série de conquistas teve início com a Copa do Brasil de 1998, assegurada em final contra o Cruzeiro, seguida pelo título da Copa Mercosul no mesmo ano. Em 1999, veio o ápice continental: a Copa Libertadores da América, decidida nas cobranças de pênalti frente ao Deportivo Cali. O Torneio Rio-São Paulo de 2000 encerrou este ciclo áureo pelo clube paulista.

Considerando todas as suas passagens pelo Verdão — o período inicial entre 1997 e 2000, além de breves empréstimos em 2001 e 2002, quando já pertencia ao Parma —, Alex acumulou 241 partidas, 78 gols e 56 assistências.

O ápice técnico no Cruzeiro

O vínculo de Alex com o Cruzeiro iniciou-se em 2001, por empréstimo junto ao Parma. Naquela etapa inicial, participou de 19 jogos e marcou quatro gols. Contudo, foi a partir de seu retorno definitivo à Raposa, em 2002, que o jogador alcançou o ponto mais alto de sua carreira.

A temporada de 2003 consolidou-se como inesquecível. Assumindo a faixa de capitão e a camisa 10, Alex liderou o plantel na conquista da Tríplice Coroa: o Campeonato Mineiro, a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro. No Brasileiródromo inaugural disputado no sistema de pontos corridos, o Cruzeiro alcançou a marca de 100 pontos, ficando 13 unidades à frente do vice-líder Santos e superando a marca de 100 gols em 46 rodadas. O meia contribuindo diretamente com 24 tentos.

Na Copa do Brasil, o desempenho foi igualmente notório. Nas quartas de final contra o Vasco da Gama, marcou gol e concedeu assistência na vitória por 2 a 1 no Mineirão. Na decisão diante do Flamengo, assinou um memorável gol de letra no empate por 1 a 1 no Maracanã (jogo de ida) e forneceu três assistências no triunfo por 3 a 1 no Mineirão (jogo de volta).

Ao término daquele ano, registrou 39 gols e 39 assistências em 63 partidas, números que representaram seu recorde pessoal. O desempenho rendeu-lhe o prêmio Bola de Ouro da revista Placar, concedido ao melhor atleta do futebol brasileiro na temporada.

Em 2004, adicionou mais um Campeonato Mineiro ao currículo antes de ser negociado com o Fenerbahçe por 5 milhões de euros. No total pelo Cruzeiro, considerando suas duas passagens, foram 121 jogos, 64 gols, 61 assistências e quatro títulos conquistados.

Entrevista coletiva com o jogador

Entrevista coletiva concedida pelo jogador Alex, campeão brasileiro pelo Cruzeiro, em dezembro de 2003. Foto: Fernando Santos/Folhapress

A rápida e frustrante passagem pelo Flamengo

A passagem de Alex pelo Flamengo constitui um episódio breve e de pouca repercussão positiva. Em meados de 2000, o Palmeiras negociou o atleta com o Parma, da Itália. Ao se apresentar ao clube italiano, contudo, foi comunicado de que não integraria os planos da comissão técnica em virtude do limite de jogadores estrangeiros no plantel.

Colocado à disposição para empréstimo, despertou o interesse de equipes como Udinese, Napoli, Olympique de Marseille e Porto, mas acabou optando por assinar com o Flamengo.

O cenário complicou-se pelo fato de Alex estar integrado à Seleção Olímpica naquele momento, o que retardou sua chegada efetiva ao clube carioca até outubro de 2000. Durante os dois meses em que permaneceu na Gávea, disputou apenas 12 partidas e marcou três gols, atuando frequentemente vindo do banco de reservas. O próprio atleta estimou posteriormente que, descontando períodos de compromissos com a seleção e férias, permaneceu no clube por apenas 47 dias efetivos. No podcast Carneiro & Mafuz, o ex-jogador detalhou como conduziu a rescisão contratual com o Parma.

Ademais, o jogador relatou não ter recebido salários durante os cinco meses de vigência do vínculo. Com o surgimento de uma proposta de empréstimo do Palmeiras, Alex conduziu pessoalmente sua saída, abriu mão dos valores pendentes e retornou ao antigo clube, classificando o período como uma experiência que “não foi proveitosa para nenhuma das partes”.

Trajetória na seleção brasileira

Alex recebeu sua primeira convocação para a seleção brasileira principal em 1998, sob o comando do técnico Vanderlei Luxemburgo. Sua estreia ocorreu em 23 de setembro daquele ano, em partida amistosa contra a Iugoslávia realizada em São Luís, no Maranhão.

Na Copa América de 1999, disputada no Paraguai, sagrou-se campeão com a amarelinha. No mesmo ano, obteve o posto de vice-campeão e vice-artilheiro da Copa das Confederações, assinalando quatro gols. Em 2000, destacou-se pela seleção olímpica na conquista do Pré-Olímpico sediado em Londrina, com três gols em sete jogos. Nos Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000, atuou como capitão da equipe ao lado de nomes como Ronaldinho Gaúcho, embora o selecionado tenha sido eliminado nas quartas de final pela seleção de Camarões.

A principal ausência em sua carreira internacional ocorreu em 2002. Apesar de figurar frequentemente nas listas de convocação, Alex foi preterido por Luiz Felipe Scolari na relação final para a Copa do Mundo da Coreia do Sul e do Japão, competição na qual o Brasil conquistou o pentacampeonato. O meia, portanto, nunca disputou uma Copa do Mundo.

Seu último grande momento com a camisa canarinho deu-se em 2004, quando foi convocado por Carlos Alberto Parreira para a disputa da Copa América no Peru, exercendo a capitania na campanha do bicampeonato. A última convocação para a seleção principal ocorreu em 2005. Ao todo, Alex vestiu a camisa do Brasil em 49 partidas oficiais, marcando 12 gols.

Alex em ação pelo Fenerbahçe, da Turquia. Foto: Icon Sport

Alex em ação pelo Fenerbahçe, da Turquia. Foto: Icon Sport

Idolatria histórica no Fenerbahçe

A transferência para o Fenerbahçe em 2004 inaugurou a fase mais duradoura e marcante da trajetória profissional de Alex. Ao chegar ao clube turco, recebeu a camisa 10 diretamente das mãos de Lefter Küçükandonyadis, figura lendária e ídolo histórico da instituição.

Logo em sua temporada de estreia (2004/05), anotou 24 gols no campeonato nacional, liderou o ranking de assistências com 16 passes decisivos e conduziu o Fenerbahçe ao título da Süper Lig. O segundo troféu nacional veio na temporada 2006/2007, período em que terminou como artilheiro do torneio com 19 gols, tornando-se o primeiro atleta estrangeiro a alcançar tal feito na história do clube.

Na temporada 2007/08, a equipe turca alcançou as quartas de final da Liga dos Campeões da Europa — sendo eliminada pelo Chelsea —, com Alex encerrando a competição como o principal assistente. Foi durante esse ciclo que assumiu a capitania da equipe, sob o comando do técnico brasileiro Zico, com quem estabeleceu sólida relação de amizade.

Em 2010, o meia atingiu a marca de 100 gols na Süper Lig, sendo o primeiro estrangeiro a registrar tal feito por uma única equipe na Turquia. Na temporada 2010/11, conquistou seu terceiro título da liga nacional, novamente figurando como artilheiro com 28 tentos.

Além dos três campeonatos turcos, faturou duas Supercopas da Turquia (2007 e 2009) e a Copa da Turquia em 2012, marcando o último gol na vitória por 4 a 0 sobre o Bursaspor na decisão.

Como reconhecimento a essa dimensão de idolatria, em 15 de setembro de 2012, uma estátua em tamanho real do jogador, financiada por torcedores, foi inaugurada nas imediações do Estádio Şükrü Saracoğlu, em Istambul. Em sua passagem pelo clube turco, Alex acumulou 378 jogos, 185 gols e 162 assistências.

Estatísticas e dados da carreira

Alex — Números de Carreira
Estatísticas por clube e seleção
Estatísticas de carreira do meia Alex de Souza por clube e pela Seleção Brasileira
Clube Período J G A
Coritiba1.ª passagem 1995–1997 123 32 38
Palmeirastodas as passagens 1997–2000, 2001, 2002 241 78 56
Flamengoempréstimo 2000 12 3 0
Parma 2000–2002 5 2 —
Cruzeiroduas passagens 2001, 2002–2004 121 64 61
Fenerbahce 2004–2012 378 185 162
Coritiba2.ª passagem 2013–2014 86 38 —
Selecao Brasileira 1998–2005 49 12 —
Total (carreira em clubes) 966 402 317
No total, participou de mais de 950 partidas oficiais, superou a marca de 400 gols e somou mais de 340 assistências, conquistando 18 títulos entre equipes e seleções.

Entre as principais honrarias individuais de sua carreira constam a Bola de Ouro da revista Placar em 2003, a Chuteira de Ouro do Campeonato Brasileiro de 2003, duas nomeações para a Seleção Ideal da América do Sul pelo jornal uruguaio El País (1999 e 2003), duas artilharias da Süper Lig da Turquia (2006-07 e 2010-11) e a liderança em assistências na Liga dos Campeões da UEFA na temporada 2007-08.

Alex durante sua atuação como técnico do Athletic. (Foto: Divulgação/Athletic)

Transição para a carreira de treinador

Após pendurar as chuteiras em 2014, Alex integrou a equipe de comentaristas da emissora ESPN Brasil, onde permaneceu por quase seis anos. No encerramento de 2020, optou por iniciar sua transição para a área técnica.

O primeiro desafio ocorreu nas categorias de base do São Paulo, comandando a equipe sub-20 entre 2021 e 2022. Em novembro de 2022, assumiu seu primeiro compromisso no futebol profissional à frente do Avaí, na disputa da Série B, permanecendo no cargo por 18 partidas.

Em maio de 2024, retornou ao futebol turco para assumir a direção técnica do Antalyaspor, clube que comandou em 21 partidas. Após ser desligado no decorrer da temporada, compartilhou detalhes sobre as complexidades enfrentadas no futebol local.

De volta ao cenário nacional, assumiu o comando do Operário em junho de 2025. Em aproximadamente sete meses à frente da equipe paranaense, registrou oito vitórias, 11 empates e 11 derrotas, alcançando um aproveitamento de 38,8%. Deixou o clube em janeiro de 2026, após um início de campeonato estadual aquém das expectativas.

Atualmente, Alex exerce a função de treinador no Athletic, equipe participante da Série B, cargo para o qual foi contratado em fevereiro de 2026. Pelo clube sediado em São João del-Rei, registra seus índices estatísticos mais expressivos como técnico profissional.

Fonte:: umdoisesportes.com.br

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