O cenário do jornalismo jurídico brasileiro sofreu uma perda irreparável com o falecimento de Márcio Chaer, idealizador e fundador da renomada revista eletrônica Consultor Jurídico. O passamento, ocorrido no último sábado (3/10), abre uma lacuna profunda na cobertura especializada sobre o universo do Direito, da Justiça e das instituições nacionais.
Ao longo de quase trinta anos de atuação à frente da ConJur, Chaer foi fundamental para moldar uma ótica jornalística própria e crítica sobre o funcionamento do Poder Judiciário. Sob sua batuta, o veículo destacou-se pela defesa intransigente do contraditório e da ampla defesa, combatendo desvios associados a posturas punitivistas extremas e valorizando sempre a solidez técnica das teses jurídicas em detrimento de pressões conjunturais.
Outro pilar incontornável na trajetória e nos editoriais conduzidos por ele era a preservação da segurança jurídica. Para o jornalista, a previsibilidade das normas e decisões constituía um alicerce inegociável para a estabilidade do ambiente de negócios, servindo como motor para o desenvolvimento econômico aliado à justiça social.
Em todas as frentes de atuação, a defesa firme do Estado democrático de Direito permaneceu como a diretriz central que orientava cada reportagem, artigo e análise publicados pelo veículo ao longo de sua história.
A consolidação dos Anuários da Justiça e a memória institucional
Além do portal de notícias diárias, a gestão de Márcio Chaer legou ao país os Anuários da Justiça. A iniciativa editorial resultou em quase uma centena de volumes divididos em mais de dez editorias temáticas e regionais.
Tais publicações não apenas documentaram as transformações e os principais marcos históricos do Judiciário brasileiro nas últimas duas décadas, como também se transformaram em ferramentas fundamentais de consulta para operadores do Direito, acadêmicos, cidadãos e profissionais que necessitam compreender a dinâmica dos tribunais do país.
Renovação de compromissos e nova estrutura de liderança
Ainda enlutados pelo falecimento do fundador, os herdeiros editoriais e a redação da ConJur vêm a público reiterar sua dedicação irrestrita aos princípios que nortearam a criação do veículo. Embora reconheçam a singularidade e a genialidade da figura de Chaer — cuja presença e estilo literário marcante são insubstituíveis —, os profissionais que integram a equipe reforçam o propósito de honrar a linha editorial construída ao longo de décadas.
Como parte da reorganização institucional, a direção-geral da Dublê Editorial, empresa responsável pela edição da revista e dos anuários, passa a ser comandada pelo jornalista Mauricio Cardoso. Profissional com vasta experiência na casa, Cardoso trabalhou diretamente com o fundador durante as últimas duas décadas.
A estrutura de comando jornalístico mantém a continuidade com a permanência de Mateus Silva Alves na direção de redação da ConJur. Simultaneamente, Lilian Matsuura, jornalista com longa trajetória no veículo, assume a liderança na direção do Anuário da Justiça, garantindo a preservação do rigor técnico e analítico que marca as publicações.
Fonte:: conjur.com.br


