Uma fotografia que ganhou grande repercussão nas redes sociais nos últimos dias, mostrando uma mulher supostamente limpando pichações na entrada da Estação Trianon-Masp do Metrô, foi submetida a uma rigorosa perícia técnica que revelou fortes indícios de adulteração digital por meio de inteligência artificial.
O registro visual circulou amplamente após um ato político realizado na Avenida Paulista. Diante da repercussão e das dúvidas quanto à veracidade da cena, o material passou por uma verificação conduzida pela Signaip, uma plataforma especializada no rastreio e na comprovação de autenticidade digital no Brasil.
O laudo pericial emitido pela ferramenta apontou que existe uma probabilidade de 84% de que a representação da trabalhadora seja o resultado de manipulação sintética. Contudo, os especialistas esclarecem que a fotografia não foi gerada do zero por ferramentas de IA, mas sim modificada parcialmente a partir de uma base real.
Análise do cenário comprova ambiente real
Durante o processo de escrutínio técnico, os analistas examinaram os elementos que compõem o cenário de fundo da imagem. Constatou-se que a fotografia original do local — que retrata os vidros da estação de metrô efetivamente pichados — apresenta apenas 10% de probabilidade de alteração artificial, o que atesta a autenticidade do ambiente físico onde a cena supostamente ocorreu.
A distorção identificada pelos algoritmos e peritos concentra-se na inserção digital da figura da mulher sobre a estrutura já existente da estação de transporte subterrâneo.
De acordo com Caroline Nunes, fundadora da InspireIP, empresa responsável pelo desenvolvimento da tecnologia utilizada na verificação, o percentual de 84% reflete exatamente essa mescla entre elementos verídicos e inserções sintéticas.
“O fato de o laudo técnico apontar 84% de probabilidade deve-se à própria composição do material analisado. A imagem viralizada provavelmente não foi gerada integralmente por IA, tratando-se antes de uma manipulação parcial sobre uma base autêntica“, pontua a especialista.
“É esta combinação de elementos fotográficos genuínos com adições artificiais que justifica o resultado probabilístico elevado, mas não absoluto“, complementa.
Ausência de rastreabilidade e metadados
Além da análise visual e algorítmica de padrões gráficos, a investigação técnica apontou falhas cruciais na rastreabilidade do arquivo que circulou na internet. Segundo o documento pericial, a imagem analisada não continha o manifesto C2PA, que consiste em um padrão internacional voltado para atestar as credenciais de autenticidade digital de mídias.
O arquivo também carecia de qualquer registro em tecnologia blockchain, ferramenta que costuma ser empregada para comprovar a procedência de mídias digitais e detalhar seu histórico de edições desde o momento da captura.
A metodologia aplicada pela plataforma de checagem conjuga a verificação minuciosa de metadados e parâmetros de procedência com o uso de algoritmos avançados, desenvolvidos especificamente para reconhecer anomalias e padrões visuais característicos de conteúdos gerados ou modificados por inteligência artificial no ambiente digital contemporâneo.
Fonte:: poder360.com.br


