As autoridades policiais da Turquia realizaram uma operação na sede da Halk TV, considerada a principal emissora de televisão de oposição do país. Durante a ação, o controle do canal foi tomado e onze funcionários foram detidos, marcando mais um capítulo na intensa campanha promovida pelo governo turco contra veículos de comunicação dissidentes, opositores políticos e entidades da sociedade civil.
Interrupção das transmissões e intervenção estatal
A própria emissora utilizou sua conta na rede social X para relatar a investida policial nas primeiras horas do dia, informando que um administrador havia sido designado para gerenciar o veículo e que a transmissão ao vivo havia sido abruptamente interrompida.
De acordo Deste grupo, 11 foram efetivamente capturadas durante diligências simultâneas. A investigação em curso apura supostos crimes de corrupção, manipulação de licitações e lavagem de dinheiro. Além disso, a gestão do canal foi transferida para o Fundo de Garantia de Depósitos de Poupança (TMSF).
Esta ofensiva contra a Halk TV acontece logo após o bloqueio do T24, um dos principais portais de notícias independentes da nação, que foi penalizado sob a acusação de realizar propaganda considerada imprópria relacionada a pautas LGBT.
O presidente da Halk TV, Cafer Mahiroglu, que atualmente vive fora do país, manifestou-se por meio de um vídeo publicado no X. “Hoje é um dia sombrio para a Turquia. O direito do público à informação está sendo cerceado por razões políticas”, declarou, acrescentando que sete de seus familiares estão entre os detidos na operação.
Contexto de pressão sobre a imprensa e opositores
Profissionais da imprensa e empresas jornalísticas críticas ao governo enfrentam frequentemente processos e investigações na Justiça turca. As acusações variam desde difamação e insultos ao presidente Recep Tayyip Erdogan até suspeitas de corrupção e disseminação de informações falsas.
Dados levantados pelo Sindicato de Jornalistas da Turquia apontam que 17 profissionais da comunicação permanecem encarcerados no país. A política de endurecimento também atinge lideranças políticas da oposição e ativistas de direitos humanos.
O líder do principal partido de oposição, Özgür Özel, criticou duramente a ação através de suas redes sociais. “Invadir uma emissora de televisão ao amanhecer e nomear um administrador é algo que só ditadores fariam. Infelizmente, foi isso que fizeram com o nosso país”, afirmou.
Repercussão internacional e histórico de intervenções
Diante dos acontecimentos, a organização Anistia Internacional emitiu um apelo formal para que o governo turco restabeleça com urgência as operações autônomas da Halk TV e ponha fim às investidas contra a liberdade de expressão.
A legislação do país permite que as autoridades coloquem empresas privadas e até mesmo administrações municipais sob intervenção estatal por meio da nomeação de administradores quando há inquéritos ou mandados de prisão pendentes contra seus dirigentes. Outras redes de televisão, a exemplo da HaberTurk e da Tele1, também já foram alvo de medidas semelhantes no passado.
A tensão na esfera midiática é acentuada por episódios recentes, incluindo a prisão de dois jornalistas e a imposição de prisão domiciliar a outros dois profissionais acusados de repercutir dados imprecisos sobre um escândalo financeiro envolvendo um fundo de investimento e um aliado próximo do partido governista.
Organizações não governamentais locais e internacionais solicitaram recentemente que redes sociais, como o X, resistam a determinações judiciais que exigem a desativação de centenas de perfis pertencentes a jornalistas e ativistas. O governo, por sua vez, defende as restrições sob o argumento de preservar a segurança pública.
Fonte:: estadao.com.br


