O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gerou forte repercussão internacional ao publicar, nesta terça-feira, 14, uma montagem em vídeo produzida por Inteligência Artificial. Na gravação compartilhada em sua conta na rede social Truth Social, o líder norte-americano aparece interagindo e domesticando um tigre ao som da clássica canção “The Lion Sleeps Tonight”.
Contudo, o contexto da publicação gerou intensas críticas na internet. O conteúdo foi interpretado como uma ironia à morte de William Chapman, um jovem britânico de 24 anos que perdeu a vida no último sábado, 10, após cair dentro da jaula de um tigre em um parque de conservação na Inglaterra. Usuários das redes sociais e entidades apontaram que a postagem demonstrou falta de sensibilidade com a memória da vítima e com o luto de seus familiares.
No material gerado artificialmente, o mandatário reproduz virtualmente os gestos que Chapman fez para tentar se defender do animal segundos antes do ataque fatal. Essa não foi a primeira vez que o republicano abordou o episódio em suas redes sociais; dias antes, ele já havia republicado imagens reais do incidente, que haviam sido registradas por visitantes que estavam no zoológico no momento da tragédia.

Em depoimento prestado às autoridades da polícia de South Yorkshire, os parentes de William detalharam que o jovem enfrentava problemas de saúde mental há vários anos, condição para a qual fazia uso de medicações controladas de forte intensidade. Em meio à exposição do caso, a família reforçou repetidamente o apelo para que internautas cessassem a disseminação das imagens do acidente.
Família devastada repudia compartilhamento de conteúdos
Por meio de um comunicado oficial divulgado à imprensa nesta terça-feira, 14, os familiares do jovem manifestaram profunda indignação com a postura adotada por figuras públicas e usuários da internet, incluindo a publicação feita por Donald Trump.
“A família está totalmente devastada com a perda e tem muita dificuldade em aceitar o que aconteceu. A publicação e a circulação de conteúdos online profundamente ofensivos estão causando um sofrimento intenso em um momento de extrema vulnerabilidade. Pedimos que as pessoas parem com isso”, declarou o núcleo familiar em nota reproduzida pelo jornal britânico The Guardian.
Dinâmica do acidente no parque de preservação
O falecimento de William Harry Bruce Chapman ocorreu no dia 10 de outubro, nas instalações do Yorkshire Wildlife Park. Conforme os registros da Polícia de South Yorkshire, o visitante invadiu o recinto onde o felino estava alocado e acabou sendo alvo de um ataque que resultou em ferimentos severos. Equipes de socorro médico e resgate foram acionadas prontamente, mas o jovem não resistiu e faleceu no local.

Durante a primeira audiência de abertura do inquérito oficial para apurar as circunstâncias do óbito, realizada nesta quinta-feira, 15, foi revelado que William transpôs duas barreiras de segurança distintas antes de conseguir acessar a área restrita do tigre, de acordo com as informações apuradas pelo The Guardian.
Imediatamente após a ocorrência, o parque foi temporariamente evacuado pelas forças de segurança para a realização da perícia inicial. A administração do Yorkshire Wildlife Park emitiu um pronunciamento esclarecendo a situação do animal envolvido, chamado Altai, assegurando que o tigre não sofreria nenhum tipo de sanção ou sacrifício em decorrência do comportamento protetivo demonstrado no incidente. “Podemos garantir a todos que ele está seguro e bem e não será sacrificado em decorrência deste incidente”, pontuou a nota.
Paralelamente, o Conselho Municipal de Doncaster informou que instaurou uma investigação própria para avaliar os protocolos de segurança, as condições estruturais e as normas operacionais do parque de vida selvagem após a fatalidade.
Fonte:: estadao.com.br


