A celebração do Dia do Professor, ocorrida na última quinta-feira (15), teve uma programação diferenciada para docentes da rede municipal de ensino de Araucária. O grupo de educadores, composto por profissionais da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I, realizou uma visita técnica à Estação de Pesquisa em Agroecologia (CPRA) do IDR-Paraná, situada no município de Pinhais. O objetivo principal da iniciativa foi o contato direto com práticas sustentáveis e o debate sobre como integrar esses saberes agroecológicos no planejamento pedagógico e no cotidiano escolar.
Durante o roteiro, os professores passaram pelo laboratório de pós-colheita da instituição. No local, acompanharam de perto o método de fabricação de farinhas alternativas feitas à base de frutas como amora, framboesa, mirtilo, kiwi e banana. O processo envolve a desidratação dos alimentos em estufa seguida de trituração, gerando ingredientes nutritivos que podem enriquecer o cardápio e diversificar as opções alimentares oferecidas aos estudantes na merenda escolar.
A agroecóloga e bolsista do IDR-Paraná, Clayre Lisot, destacou a importância dessa integração entre o campo pedagógico e a produção sustentável. “Dentro da agricultura, vinculado à educação, tem muito esse debate de pensarmos na diversidade nutricional das crianças. Iniciativas como essa podem aumentar o fornecimento de frutas às escolas”, pontuou a especialista durante a apresentação no laboratório.
A agenda da visita foi abrangente e levou os educadores a conhecerem de perto outras frentes de atuação da estação de pesquisa. O grupo explorou o meliponário local — voltado para a criação de abelhas sem ferrão —, a estrutura de produção de leite orgânico e o minhocário, onde receberam orientações técnicas sobre os processos e os benefícios da compostagem para a gestão de resíduos orgânicos.
Para Clayre Lisot, a abordagem prática da compostagem vai além da técnica agronômica, funcionando como uma ferramenta de conscientização ambiental. “A compostagem é uma oportunidade de conectar o ser humano a um dos seus papéis ecológicos perante a natureza. Somos excelentes dispersores de sementes, reprodutores de espécies e cultivadores – e fazemos isso de maneira racional. Quanto mais avançamos na sociedade moderna, mais nos distanciamos desses papéis. Levar a compostagem, a agrofloresta e a agroecologia para a educação é um modo de mostrar que podemos assumir esses papéis e que a trajetória do ser humano não precisa deixar uma trilha de lixo e devastação. Podemos ser agentes de regeneração”, enfatizou.
A experiência foi avaliada de forma muito positiva pelos participantes. A professora Lizmara de Oliveira, que atua diretamente em um clube de ciências, relatou que a vivência proporcionou subsídios teóricos e práticos fundamentais para abordar temas como reciclagem e destinação correta de resíduos com seus alunos. “Tem tudo a ver com o trabalho que eu faço com as crianças e é um espaço a ser visitado também por elas. Sempre falo que não existe ‘fora do planeta’: o lixo jogado não desaparece. Me deu embasamento para eu poder falar sobre isso de maneira mais simples, prática e educativa”, compartilhou.
No mesmo sentido, a professora Jessica Jhonson, que leciona na Educação do Campo, apontou que a imersão na estação de pesquisa auxilia a estreitar o vínculo dos estudantes com a realidade rural, mesmo daqueles que residem em áreas campestres, mas cujas famílias exercem atividades urbanas. “Às vezes, esses estudantes só moram no campo, mas as famílias trabalham na cidade, e o manejo diário do campo eles não têm. A escola do campo tem como missão estar inserida no contexto do campo, então precisamos entender para ver o que conseguimos aplicar na prática, como o manejo com abelhas, o minhocário e a compostagem”, avaliou.
A organização da visita foi idealizada pela assessora pedagógica Vanessa Cordeiro, que ressaltou a relevância de fortalecer os laços entre os conceitos da agroecologia e a prática pedagógica nas escolas municipais. Segundo a organizadora, a ação também marcou a retomada de atividades presenciais voltadas a essa temática, que haviam sido interrompidas em períodos anteriores. “O grupo de estudos de Educação do Campo tem uma caminhada junto com a agroecologia. Esse momento foi feito antes da pandemia, e queríamos reintroduzir o momento agroecológico nas unidades do município”, concluiu Vanessa.
Fonte:: idrparana.pr.gov.br


