A missão Artemis 2, promovida pela NASA (Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço dos EUA), alcançou um feito histórico na segunda-feira, 6 de abril de 2026. Às 14h56, horário de Brasília, a espaçonave Orion se tornou oficialmente a nave tripulada que se encontra mais distante da Terra, ultrapassando a marca de 400.171 quilômetros de distância do nosso planeta.
Para se ter uma ideia da magnitude dessa distância, ela equivale a mais de dez voltas completas ao redor da Terra, que possui uma circunferência de aproximadamente 40.075 km, ou aproximadamente 90 vezes a extensão do Brasil, que se estende de norte a sul por cerca de 4.300 km. O recorde anterior pertencia à missão Apollo 13, realizada em 1970.
A missão Artemis 2 e a comparação com a Apollo 13
A missão Apollo 13, lançada em 1970 com o objetivo de pousar na Lua, enfrentou uma grave emergência quando uma explosão em um dos tanques de oxigênio comprometeu a operação, forçando os astronautas a se concentrar em sua sobrevivência e na volta segura para a Terra. Apesar das adversidades, a Apollo 13 estabeleceu um recorde de distância máxima percorrida por seres humanos, alcançando cerca de 400.171 km em seu trajeto, marca que se manteve mesmo após a Apollo 17, de 1972, que foi a última a pousar na Lua.
Por outro lado, a Artemis 2 foi projetada como um teste abrangente de sistemas em condições de espaço profundo, com duração prevista de cerca de dez dias. O foco da missão inclui validar tecnologias críticas como suporte à vida, comunicação, propulsão e segurança em condições extremas de microgravidade e radiação, fora da proteção do campo magnético terrestre.
A trajetória da Artemis 2, que se assemelha a um “8” alongado, proporcionou à Orion um sobrevoo pelo lado oculto da Lua, aumentando a distância máxima da Terra e sujeitando a nave a condições que a Apollo 13 não experimentou. Além das verificações de desempenho da nave, a missão inclui observações detalhadas da geologia lunar, com foco em crateras, fluxos de lava e também regiões polares, além de experimentos científicos inovadores, como o uso de órgãos em chips para estudar os efeitos da radiação na medula óssea humana.

A física da trajetória e segurança da tripulação
O recorde de distância foi viabilizado pela trajetória de retorno livre. Neste padrão de voo, a Orion não entra em órbita lunar, mas realiza um sobrevoo que a levará a aproximadamente 7.400 km além do lado oculto da Lua, permitindo que a nave alcance 406.600 km de distância da Terra.
A interação gravitacional entre a Terra e a Lua age como um estilingue natural. Embora a Lua exerça uma força de atração sobre a nave, a gravidade da Terra é significativamente mais intensa, garantindo que a Orion retorne para a atmosfera, mesmo que haja uma falha nos sistemas de propulsão. A tripulação pode fazer pequenas correções de curso para assegurar que a amerissagem – a descida final da nave na água – ocorra de forma precisa, prevista para o Oceano Pacífico após a missão.
Cronograma e eventos críticos do sobrevoo
Segundo o cronograma oficial da missão, os principais eventos programados para o dia incluem:
- 14h56: Registro do novo recorde de distância tripulada, superando a Apollo 13;
- 15h45: Início das observações lunares, com as janelas da Orion voltadas para a superfície lunar para registrar crateras e formações geológicas;
- 19h44: Interrupção da comunicação por cerca de 40 minutos ao passar pelo lado oculto da Lua;
- 19h45: Momentos de “Earthset”, onde a Terra fica oculta atrás da Lua;
- 20h02: Aproximação máxima da Lua, a 6.540 km de altitude, proporcionando uma visão completa do satélite;
- 20h25: “Earthrise”, quando a Terra volta a ser visível e a comunicação com a NASA é restaurada;
- 21h35 a 22h32: Ocorrência de um eclipse solar visto da Orion, com estudos da coroa solar e monitoramento de impactos meteoríticos;
- 22h20: Fim das observações lunares.
Um passo para futuras missões
Embora a Artemis 2 não tenha a finalidade de pousar na Lua, a validação de sistemas essenciais a mais de 400 mil km da Terra é crucial para as futuras expedições espaciais. Os dados coletados sobre radiação, suporte à vida e manobras da nave serão utilizados para garantir a segurança da Artemis 3, que levará astronautas de volta à superfície lunar pela primeira vez desde 1972, em uma missão que visa estabelecer uma presença humana duradoura no satélite natural.
Sobre a missão Artemis 2
A Artemis 2 representa o primeiro voo tripulado no programa lunar da NASA desde 1972. Lançada em 1º de abril de 2026, a missão partiu do Centro Espacial Kennedy, nos Estados Unidos, com quatro astronautas a bordo: Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, este último representando a Agência Espacial Canadense. O percurso inclui um sobrevoo pela Lua, com retorno à Terra previsto para aproximadamente dez dias após o lançamento.
O objetivo da missão é testar uma variedade de sistemas da Orion, incluindo suporte à vida, comunicação e propulsão, e também avaliar o desempenho da tripulação em condições de microgravidade. Durante a missão, os astronautas realizarão experimentos, monitorarão sistemas e executar manobras de navegação, tudo em prol de garantir a segurança e eficácia das futuras expedições lunares.
Na tarde desta segunda-feira, 6 de abril, a espaçonave Orion completou um sobrevoo de seis horas ao redor da Lua, com um apagão de comunicação de cerca de 40 minutos devido à passagem pela face oculta do satélite lunar.
Assista ao momento do lançamento da Artemis 2 (3min45s):

Fonte:: poder360.com.br




