Um estudo da Counterpoint Research revela que chips Arm estão prestes a assumir 90% dos servidores de inteligência artificial (IA) personalizados até o ano de 2029. A transição para processadores com essa tecnologia deverá acelerar na segunda metade de 2026, quando os principais provedores de nuvem adotarem chips desenvolvidos sob medida para suas necessidades.
A previsão indica que até 2030, mais de 90% dos servidores de IA que utilizam processadores personalizados estarão baseados na arquitetura Arm, enquanto apenas 10% deverão continuar usando x86 e RISC-V.
O avanço dos chips Arm em servidores de IA
Atualmente, a maioria dos servidores de IA ainda é equipada com CPUs baseadas na arquitetura x86, predominante nas soluções da Intel. Essa configuração histórica deve-se à forte presença dos processadores x86 no mercado de servidores convencionais, o que levou à adoção inicial de sistemas de IA que utilizavam modelos como Opteron e Xeon.
Entretanto, grandes empresas do setor, conhecidas como hiperescaladores – entre elas Amazon Web Services, Google, Microsoft e Meta – têm investido no desenvolvimento de seus próprios processadores Arm. Esses chips personalizados são criados especificamente para lidar com as exigências das cargas intensivas de dados em IA, oferecendo uma combinação superior de custo, eficiência energética e desempenho.
A natureza emergente das aplicações de IA também diminui a necessidade de compatibilidade com o ecossistema x86, proporcionando maior liberdade para os provedores em sua escolha de arquitetura.
Estratégias dos hiperescaladores
Cada provedor de nuvem adota uma estratégia distinta para a realização da integração dos chips Arm. A Amazon, por exemplo, vem expandindo o uso de seus processadores Graviton em sistemas que utilizam a plataforma Trainium, enquanto mantém configurações com x86 apenas para compatibilidade. O Google, por sua vez, integra a CPU Axion Arm em sua infraestrutura de próxima geração para Unidades de Processamento de Tensor (TPUs).
A Microsoft, por sua parte, emparelhou sua CPU Azure Cobalt com os aceleradores Maia desde o início da sua arquitetura, permitindo a criação de uma estrutura voltada para a chamada IA Vertical, que busca atender a demandas específicas do mercado com soluções sob medida.
Ademais, a Meta está se preparando para implementar CPUs conhecidas como Inteligência Artificial Geral, desenvolvidas internamente, sinalizando sua intenção de se posicionar como um player relevante nesse cenário em evolução.
Cronograma e projeções
Neil Shah, vice-presidente de pesquisa da Counterpoint Research, comenta que a migração do x86 para o Arm não ocorre de maneira unilateral; ao contrário, é um processo gradual, que deve ser levado em conta a cada nova geração de servidores e configurações. Os hiperescaladores tomam decisões estratégicas de acordo com suas necessidades específicas, desenvolvendo software que lida eficientemente com soluções semelhantes, sendo que a economia gerada pelo modelo é bastante promissora.
A pesquisa aponta que, até 2025, aproximadamente 25% das CPUs em servidores personalizados de ASIC para IA serão baseadas em Arm. Essa proporção deve crescer e atingir pelo menos 90% até 2029, impulsionada pelo acelerado avanço nos programas de chips Arm pelos principais hiperescaladores.
O papel de AMD, Intel e NVIDIA
A AMD está estabelecendo plataformas de IA verticalmente integradas que incorporam processadores x86 EPYC, aceleradores da série Instinct MI, Unidades de Processamento de Dados (DPUs) e Placas de Interface de Rede (NICs). Essa configuração indica que as CPUs da AMD já estão bem adaptadas para lidar com cargas de trabalho intensivas em IA.
A Intel, por sua vez, se dedica ao desenvolvimento de processadores Xeon customizados para suportar as plataformas de próxima geração da NVIDIA, o que sugere uma otimização voltada para esses ambientes. Neil Shah observa que, embora a tecnologia Arm aumente sua participação no mercado nos próximos anos, o x86 ainda manterá uma fatia significativa no mercado de servidores de IA.
Contexto de mercado
É importante destacar que muitos servidores de IA ainda dependerão de processadores da linha EPYC e Xeon, oferecidos por fabricantes tradicionais. No entanto, a adoção crescente da arquitetura Arm por hiperescaladores em seus projetos de chips personalizados serve de alerta para que empresas como a Intel procurem tornar suas ofertas de processadores customizados mais atraentes para seus clientes.
Essas mudanças no cenário tecnológico prometem transformar a forma como os servidores de IA são projetados e utilizados, abrindo espaço para inovações e melhorias significativas na performance de sistemas de inteligência artificial.
Fonte:: adrenaline.com.br




