A versão oficial da Polícia Militar (PM) sobre a morte de três homens durante uma operação na Estrada do Guabiroba, em Guarapuava, passou a ser questionada por uma testemunha que estava no local. Clair da Silva, pai de Cleiton Marciano da Silva, de 27 anos, um dos mortos na ação ocorrida na terça-feira (31), afirmou que não houve confronto e que os policiais teriam realizado uma emboscada antes da chegada das vítimas ao local.
De acordo com a nota divulgada pelo 16º Batalhão da PM, as equipes do Pelotão de Choque estavam cumprindo mandados de busca, apreensão e prisão quando três homens “resistiram à abordagem e efetuaram disparos contra os policiais”, resultando em um confronto armado. Na ação, além de Cleiton, também perderam a vida Pedro Henrique Andrade Ferreira, de 24 anos, e Luis Henrique Ribas, de 27 anos.
Contudo, Clair apresenta uma narrativa distinta. Segundo seu relato, os policiais já se encontravam escondidos no terreno desde antes de ele chegar, momento em que estava a caminho para trabalhar na construção de uma casa. Neste contexto, ele foi abordado, levado para uma residência próxima e mantido sob vigilância enquanto os policiais aguardavam a chegada do grupo. “Quando eu cheguei, eles já estavam todos escondidos. Me abordaram, tomaram meu celular e me levaram para uma casa mais pra cima. Falaram que eu tinha que ficar quieto. Depois, na hora que os jovens chegaram, nem desceram do carro e já meteram fogo”, relatou.




Testemunha diz que ouviu gritos e nega reação armada
Clair declarou ainda que ouviu seu filho pedindo socorro e negou que os três homens tenham reagido à ação policial. Conforme o seu relato, os disparos foram efetuados pelos policiais logo após a chegada do veículo com as vítimas. “Meu filho gritou três vezes por mim. Eu escutei tudo de onde eu estava. Não teve ordem de prisão, não teve abordagem, não teve confronto. Eles chegaram e atiraram”, afirmou.
Além disso, Clair mencionou que os policiais se posicionaram com viaturas escondidas atrás da construção e entre a vegetação. Ele também contestou a presença de armas no local, afirmando: “Lá tinha ferramenta de trabalho. Nós estávamos construindo a casa. Não tinha arma nenhuma naquele pedaço.”
Irma de Luis relata ferimentos no corpo do irmão
Em contato com o portal, Larissa, irmã de Luis Henrique Ribas, relatou que, durante o velório, o corpo do irmão apresentava marcas que, segundo ela, indicariam agressões. “Disseram que ele não podia ser velado só com camiseta porque estava com fraturas expostas nos braços. A cabeça estava cheia de marcas, o rosto todo machucado. A gente acha que quebraram o pescoço, porque estava muito inchado”, ela disse.
Larissa ainda compartilhou que o irmão precisou ser reconhecido por impressão digital no Instituto Médico Legal (IML). “Quero saber o que realmente aconteceu. Eu acredito que poderiam ter prendido os três, não precisava matar.” Ela finalizou afirmando que tinha certeza de que seu irmão estava indo trabalhar, já que eles estavam construindo uma casa na chácara do Guabiroba. “Tenho certeza absoluta que meu irmão não reagiu, ele não deve ter tido nem tempo disso”, completou.
PM fala em confronto, armas apreendidas e policial ferido
Na terça-feira (31), a Comunicação Social do 16º BPM informou que a operação ocorreu pela manhã na região da Estrada do Guabiroba. A corporação declarou que os três homens resistiram à abordagem, atiraram contra os policiais e foram mortos durante o revide. A PM também informou sobre a apreensão de armas de fogo e que um policial militar sofreu ferimentos leves durante a intervenção.
Em outro comunicado, o batalhão esclareceu que a ação foi parte de uma ofensiva contra o crime organizado e mencionou que, além dessa ocorrência, as equipes localizaram um entreposto logístico no Assentamento Banana, onde apreenderam mais de 1,4 quilo de drogas e quatro armas, incluindo carabinas adaptadas e munições de calibres restritos.
As primeiras informações repassadas à imprensa indicavam que a ocorrência havia iniciado por volta das 6h20. Contudo, Clair afirmou que chegou ao local entre 8h30 e 8h40 para trabalhar e foi surpreendido pelos policiais já posicionados na área.


Pai diz que foi levado para a delegacia e ficou horas detido
Além de contestar a versão do confronto, Clair relatou que foi conduzido à delegacia após a morte dos três homens. “Me levaram para a delegacia e eu fiquei lá até as cinco da tarde. Não tinha água, não tinha comida. Só depois me deram um pouco de água.”
Ele também afirmou que, durante a abordagem, pediu aos policiais que não matassem seu filho e os outros dois homens. “Eu pedia para eles prenderem, não matarem. A polícia é para prender, não para matar”, enfatizou.
O relato contém ainda alegações graves, incluindo ameaças e declarações atribuídas aos agentes. Em razão da seriedade das declarações, mencionamos que se trata da versão apresentada pela testemunha e que ainda depende de uma apuração oficial, perícia e possível investigação independente.
Polícia Civil se distancia e diz que apenas a PM vai se manifestar
Questionada pelo portal sobre uma possível investigação a respeito das circunstâncias das mortes, a Polícia Civil informou, por meio de sua assessoria, que “sobre o confronto com a PM, apenas aquela instituição se manifestará”.
O caso envolve morte em intervenção policial e agora passa a ter uma contestação direta da versão oficial apresentada inicialmente.
O portal também tentou contatar novamente a Polícia Militar para obter um comentário especificamente sobre o relato de Clair da Silva, mas não houve nova manifestação até a publicação desta reportagem.
Corpos foram liberados pelo IML
As três vítimas da ação foram identificadas como Cleiton Marciano da Silva, de 27 anos, Pedro Henrique Andrade Ferreira, de 24 anos, e Luis Henrique Ribas, de 27 anos. O Instituto Médico Legal (IML) liberou os corpos na quarta-feira (1º), e os velórios ocorreram na Capela Mortuária Municipal Santa Cruz.
O sepultamento de Pedro Henrique ocorreu no Cemitério Municipal Central. Cleiton foi enterrado no Cemitério Municipal do Jordão, enquanto Luis Henrique Ribas foi sepultado no Cemitério Santo Antônio, no Morro Alto.
Familiares informaram que estão em contato com advogados para pleitear medidas judiciais e solicitar uma investigação independente sobre a ação policial. O espaço permanece aberto para manifestações da Polícia Militar, da Polícia Civil e de outros órgãos envolvidos.

Fonte:: redesuldenoticias.com.br




