PCPR realiza megaoperação e prende 61 pessoas por envolvimento em jogos de azar

Redação Rádio Plug
Foto: Divulgação / Seguranca.pr.gov.br

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) lançou uma grande operação para desarticular um esquema de exploração de jogos de azar que atuava em nível nacional. Esta ofensiva ocorre em 27 cidades em cinco estados: Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Pará e Goiás. A ação foi realizada em colaboração com o Ministério Público do Paraná (MPPR) e resultou na prisão de 61 pessoas entre os dias 7 e 8 de novembro.

Participaram da operação mais de 330 policiais civis, juntamente com o apoio de três aeronaves. Ao todo, foram expedidas 371 ordens judiciais, incluindo 85 mandados de prisão preventiva, 102 mandados de busca e apreensão e 184 ordens para bloqueio de contas bancárias, visando o sequestro de cerca de R$ 1,5 bilhão. Entre os detidos estão importantes lideranças do grupo criminoso, além de dois vereadores e membros das áreas financeira e operacional.

A PCPR também conduziu ações para sequestrar 132 veículos, avaliados em mais de R$ 11 milhões, incluindo diversas caminhonetes. Além disso, foram confiscados 111 imóveis que totalizam aproximadamente R$ 32,9 milhões e mais de cem cabeças de gado, somando cerca de R$ 43,9 milhões. Durante a operação, 21 sites de apostas ilegais foram removidos da internet.

A ação policial se estendeu por várias localidades no Paraná, como Campo Mourão, Sarandi, Maringá, Cianorte, Londrina e Curitiba, entre outras. No estado de São Paulo, a operação ocorreu em Praia Grande e São Paulo. Em Goiás, as intervenções foram feitas em Anápolis, Valparaíso de Goiás e Goiânia. Em Santa Catarina, a ação foi em Caçador, e no Pará em Castanhal.

Essa operação é o resultado de uma investigação que durou mais de três anos e que teve início na cidade de Grandes Rios, no Norte do Paraná. Durante as investigações, a PCPR analisou mais de 2,6 terabytes de dados e 520 mil transações financeiras, mediante 57 pedidos de quebra de sigilo bancário e 62 pedidos relacionados ao sigilo fiscal.

O trabalho investigativo revelou a existência de um grupo criminoso estruturado por meio da fusão de dois dos maiores esquemas de exploração de jogos ilegais do Brasil, um baseado no Paraná e outro em Goiás. O delegado Marcus Felipe da Rocha Rodrigues destacou que “estes são os dois maiores grupos em atividade no Brasil, associados em um complexo esquema criminoso voltado para várias práticas ilícitas”. Ele ressaltou a formação de “um verdadeiro império financeiro, com grande poder aquisitivo”.

As investigações mostraram que o grupo movimentou mais de R$ 2 bilhões através de 522 mil operações financeiras ligadas à exploração dos jogos de azar. Foi identificado o uso de várias fintechs para contornar a identificação da origem e destino dos valores, por meio de contas que dificultavam o rastreio das transações.

Com mais de 10 anos de operação, o grupo contava com milhares de locais para a exploração de jogos ilegais, sendo que 15 mil desses pontos eram dedicados ao jogo do bicho. Dentre os crimes associados à organização estão a lavagem de dinheiro e a exploração de jogos de azar.

Os investigados utilizavam um sistema complexo que incluía áreas de liderança e gestão, um núcleo financeiro, além de suporte técnico e operacional. Também foram identificadas empresas de fachada utilizadas para disfarçar os rendimentos ilegais, integrando assim os lucros obtidos de maneira criminosa na economia formal, segundo o delegado da PCPR.

Para ocultar a origem dos recursos gerados por meio dessas atividades ilegais, os suspeitos utilizaram contas bancárias de pessoas não ligadas ao esquema, movimentando milhões de reais através de várias transações consecutivas, o que dificultava o rastreamento dos valores.

Além do processo de lavagem de dinheiro, o grupo mantinha uma empresa de tecnologia da informação, que desenvolvia sistemas e plataformas online para a prática de várias modalidades de jogos de azar. Vários técnicos trabalhavam na manutenção de sites e softwares utilizados no negócio ilícito.

Os sistemas desenvolvidos facilitaram a exploração dos jogos ilegais, possibilitando a transmissão das atividades ilícitas e o controle financeiro ligado a jogos como o bicho. Esse sistema operava em pelo menos 14 estados brasileiros, atendendo a diversas “bancas” dessa modalidade de jogo.

Fonte:: seguranca.pr.gov.br

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