China garante fertilizante barato, em meio à crise global

Redação Rádio Plug
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Armazém com ureia após processo de produção  • ...

Título: China mantém estoque de fertilizantes enquanto preços globais sobem

CONTEÚDO ORIGINAL:

A crescente tensão entre nações e a instabilidade nos mercados globais têm levado agricultores em diversas partes do mundo a reconsiderar suas opções de cultivo, especialmente em um contexto onde os fertilizantes se tornaram escassos devido a conflitos, como a guerra entre Rússia e Ucrânia. Em contraste, a China se encontra em uma posição privilegiada, com significativos estoques de ureia, o fertilizante mais utilizado no planeta.

A principal razão para essa autossuficiência chinesa reside na sua dependência do carvão para a produção de ureia, que representa 78% de sua produção. Isso proporciona ao país uma margem de manobra em relação à volatilidade dos preços do gás natural, que é a matéria-prima utilizada por outros grandes produtores, como Rússia, Catar e Arábia Saudita. Willis Thomas, chefe de análise de fertilizantes da CRU, afirma que essa estrutura confere à China uma vantagem competitiva significativa.

“A China é majoritariamente autossuficiente em ureia e está menos sujeita às oscilações de preço do gás natural que afetam outras regiões”, diz Thomas. O uso extensivo do carvão — embora esteja associado a altos índices de poluição — diminui a necessidade de importação de energia, o que é crucial em tempos de conflitos geopolíticos que podem interromper esses fornecimentos.

No entanto, há preocupações sobre as futuras exportações de ureia pela China. Tradicionalmente, o país espera até o período de plantio na primavera para determinar a quantidade de ureia que pode ser exportada. Assumindo que a demanda interna possa ser atendida, é possível que as exportações sejam restringidas para assegurar que os preços locais permaneçam acessíveis.

Os preços globais da ureia estão em ascensão, com referências que subiram cerca de 70% desde o final de fevereiro. A guerra em curso causou interrupções significativas no transporte marítimo, especialmente através do Estreito de Ormuz, uma rota essencial para cerca de 30% do comércio mundial de fertilizantes. Na última semana, os preços da ureia estavam variando de US$ 700 a US$ 780 por tonelada na Indonésia, enquanto na China, os preços estavam entre 1.760 e 1.840 yuans (aproximadamente US$ 255 a US$ 267 por tonelada).

Essas variações de preço estão levando agricultores, especialmente nos Estados Unidos, a reduzir as áreas destinadas ao plantio de milho, uma cultura que demanda altos níveis de nitrogênio, em favor de culturas que exigem menos fertilização, como a soja. O Departamento de Agricultura dos EUA informou que os produtores norte-americanos devem optar por uma abordagem mais cautelosa este ano, enquanto os agricultores australianos também estão mudando suas estratégias para priorizar a cevada em detrimento de culturas mais exigentes em nitrogênio.

Por outro lado, na China, o cenário permanece favorável para os agricultores, que não estão se afastando do cultivo de milho. O produtor Guo, da província de Heilongjiang, afirmou que continuará a plantar milho, pois a cultura ainda oferece melhores retornos financeiros em comparação com a soja.

Espera-se que a China atinja um novo marco na produção de ureia este ano, com uma previsão de 76,5 milhões de toneladas, um incremento de 6,3% em relação ao ano anterior. A demanda interna está projetada em 66 milhões de toneladas, com 43 milhões de toneladas destinadas à agricultura, conforme dados da Associação Chinesa da Indústria de Fertilizantes Nitrogenados.

Neste ano, nove novas fábricas de ureia devem ser inauguradas, adicionando uma capacidade de produção de 4,9 milhões de toneladas anuais, todas predominantemente baseadas em carvão. Em 2022, a China exportou 4,9 milhões de toneladas de ureia, um número ligeiramente abaixo da média histórica de 5 a 5,5 milhões de toneladas, que tradicionalmente compreende cerca de 10% das exportações globais.

Recentemente, a Índia, que depende fortemente de importações de ureia do Oriente Médio, fez pedidos à China para a venda de certos carregamentos desse fertilizante. No entanto, analistas do setor indicam que a China pode manter suas restrições de exportação nos próximos meses para evitar pressões inflacionárias nos preços locais.

Josh Linville, analista da StoneX, expressou preocupação ao destacar que, se as exportações chinesas aumentarem, isso pode levar a um rápido aumento nos preços da ureia dentro do país, o que não é uma situação desejada pelo governo. O misto de medidas no setor, incluindo restrições às exportações de outros tipos de fertilizantes e a liberação antecipada de reservas, mostra que a China está tomando precauções para garantir sua segurança alimentar e estabilidade econômica em tempos de incerteza global.

Fonte:: cnnbrasil.com.br

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