O Brasil tem vivenciado um aquecimento prolongado em seu mercado de trabalho, caracterizado por um índice de desocupação reduzido e um aumento nos níveis de renda. Esse cenário resultou em uma maior retenção de profissionais, uma diminuição na busca ativa por novas oportunidades e um alto nível de satisfação entre os trabalhadores. Essas conclusões foram apresentadas pela pesquisa “Retratos da Sociedade Brasileira – Mercado de Trabalho na Visão da População”, elaborada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Nexus.
Realizada no mês de outubro de 2025, a pesquisa revelou que 58,1% dos brasileiros com 16 anos ou mais estão empregados de alguma forma. Dentro deste grupo, 59,8% estão em empregos formais, 3,8% atuam como empregadores, 35,1% são trabalhadores autônomos e 1,3% correspondem a estagiários ou aprendizes.
Um dado que se destaca na pesquisa é a taxa de permanência dos trabalhadores em seus postos. Aproximadamente 65,4% dos entrevistados afirmaram que estão no mesmo emprego há mais de dois anos, e 43,7% estão na mesma posição há mais de cinco anos.

De acordo com os autores do estudo, essa retenção pode ser atribuída ao aquecimento do mercado de trabalho, que impactou a taxa de desocupação, alcançando níveis historicamente baixos em 2025. Durante o trimestre encerrado em dezembro de 2025, a taxa de desocupação foi de apenas 5,1%. Nesse contexto, os rendimentos do trabalho se elevaram, levando as empresas a adotar estratégias de retenção eficazes para seus funcionários.
Nível Elevado de Satisfação
Outro aspecto importante destacado pela CNI é a alta satisfação dos trabalhadores brasileiros. Cerca de 95% dos entrevistados expressaram satisfação com suas funções atuais, com 70% declarando-se muito satisfeitos. Este elevado nível de contentamento é comum entre empregados, empregadores e autônomos, enquanto apenas 5% relataram insatisfação.
Baixa Mobilidade no Mercado
A pesquisa também revela um fenômeno interessante: a baixa mobilidade no mercado de trabalho. Apenas um em cada cinco trabalhadores estava ativamente em busca de um novo emprego nos trinta dias anteriores ao estudo. Esse comportamento, segundo os pesquisadores, varia conforme a faixa etária. Os jovens, entre 16 e 24 anos, demonstram maior inquietação, com 35% deles afirmando ter procurado um novo emprego recentemente. Em contraste, apenas 9% dos trabalhadores com mais de 60 anos relataram a mesma atividade.
Este desnível de busca por novas oportunidades pode ser explicado pela fase de construção de carreira dos jovens, enquanto os profissionais mais velhos priorizam a estabilidade e a segurança. Além disso, a pesquisa indica que o tempo de permanência no emprego também afeta a disposição para procurar novas vagas. Entre aqueles que estão na mesma ocupação há menos de um ano, 36,7% procuraram novo emprego, enquanto apenas 9% dos que estão na mesma função há mais de cinco anos fizeram o mesmo.

Preferência por Empregos Formais
Quando os brasileiros decidem procurar uma nova colocação, a preferência recai sobre empregos com carteira assinada. A pesquisa revelou que 36,3% dos que buscaram trabalho no mês anterior à pesquisa consideraram essas oportunidades as mais atrativas. Contudo, 20% dos entrevistados expressaram frustração, não encontrando vagas que atendessem suas expectativas.
A análise por faixa etária revela que os trabalhos formais são particularmente atraentes para os jovens que estão iniciando ou consolidando suas carreiras. A garantia de direitos trabalhistas, estabilidade e proteção social continua sendo um diferencial importante, mesmo em um cenário com maior flexibilização nas relações de trabalho.

O Crescimento das Plataformas Digitais
A pesquisa também documentou a crescente presença das plataformas digitais no mercado de trabalho. Aproximadamente 10,3% dos respondentes que buscavam emprego consideraram atrativas as vagas para motoristas ou entregadores em aplicativos. Contudo, a maioria dos entrevistados, cerca de 70%, vê esses trabalhos como uma forma de complemento de renda, e não como a principal Esse cenário sugere que a inserção em plataformas digitais é mais uma estratégia emergencial ou transitória para muitos, ao invés de uma visão de longo prazo.

O levantamento foi realizado pela Nexus, que entrevistou 2.008 pessoas a partir de 16 anos, em todas as 27 Unidades da Federação, entre os dias 10 e 15 de outubro de 2025. A margem de erro da amostra é de 2 pontos percentuais, com um intervalo de confiança de 95%, e foi controlada com base em variáveis como sexo, idade, região e nível de escolaridade.
Fonte:: infomoney.com.br


