Tecpar inicia projeto inédito para estudar DNA do solo do Paraná

Redação Rádio Plug
Foto: Divulgação / Seti.pr.gov.br

    Foto: Hedeson Alves/TECPAR

O estado do Paraná deu início a um projeto pioneiro em agricultura regenerativa, não só no Brasil, como também em nível global, focado na integração da biotecnologia com o manejo sustentável dos solos. Sob a coordenação do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), o programa denominado “Solo Vivo Paraná” é o primeiro esforço estadual de rastreamento microbiológico do solo, que irá proporcionar a criação de um Mapa Genético dos Solos Paranaenses.

Este estudo abraça a metagenômica, uma tecnologia avançada que permite a análise do DNA, além da composição mineral e biológica do solo, com o intuito de mapear a biodiversidade de microrganismos e nutrientes em áreas específicas. A iniciativa é um grande avanço no entendimento da qualidade biológica do solo, favorecendo a adoção de práticas agrícolas mais produtivas, sustentáveis e eficientes.

Eduardo Marafon, diretor-presidente do Tecpar, destacou a importância dessa inovação tecnológica para colocar o Paraná na vanguarda nacional em biotecnologia aplicada à agricultura sustentável. “Este projeto-piloto traz uma ferramenta pioneira para o Estado: a metagenômica voltada para a agricultura, alinhando o Paraná com a agenda global de bioeconomia e inovação verde”, comentou Marafon.

Ele acrescentou que a pesquisa proporcionará ao agronegócio paranaense acesso a indicadores científicos capazes de transformar práticas agrícolas, impactando diretamente toda a cadeia agroindustrial e aumentando a produção de alimentos de forma sustentável.

Saúde do Solo

A análise de DNA metagenômico funcionará como um verdadeiro “raio-X” da saúde do solo, permitindo a identificação de microrganismos, tanto benéficos quanto patogênicos, além de ciclos de nutrientes e diversidade biológica. Isso será alcançado através do sequenciamento do DNA de fungos, bactérias e vírus presentes, revelando sua atuação no solo.

Diferentemente das análises laboratoriais tradicionais que se concentram em componentes químicos e nutrientes, a metagenômica foca no sequenciamento do material genético direto da amostra, priorizando os microrganismos.

Marco Antonio Netzel, gerente do Centro de Desenvolvimento Ambiental para Saúde do Tecpar, ressaltou que a adoção de protocolos de diagnóstico genético do solo permitirá a compreensão das condições biológicas que afetam a produtividade agrícola. “A aplicação inovadora da metagenômica agrícola no serviço do Estado representa um marco metodológico”, afirmou. “Com isso, iremos ampliar a capacidade local de análise e manejo do solo fundamentada em evidências científicas, transferindo conhecimento técnico para instituições públicas. As informações coletadas poderão também direcionar estratégias de manejo e fundamentar políticas públicas e ações de mitigação climática”.

Inovação

O projeto, que está sendo desenvolvido em parceria com a empresa Go Genetic, envolve a coleta e extração de amostras de solo em diferentes regiões agrícolas do Paraná, que passarão por um rigoroso processo laboratorial para extração de DNA e sequenciamento genético de nova geração (NGS). Posteriormente, os dados coletados serão submetidos a uma análise bioinformática, utilizando conceitos de computação, biologia e estatística, para transformar grandes volumes de informações biológicas em conhecimento aplicável.

No total, 8.400 pontos de amostragem serão investigados, resultando em aproximadamente 700 análises metagenômicas completas que fornecerão dados genéticos e indicadores de saúde do solo.

As informações obtidas serão interpretadas em conjunto com os técnicos do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR) e da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), com o objetivo de produzir uma publicação técnica que servirá de base para o futuro Mapa Genético dos Solos do Paraná.

O projeto não apenas ajudará a identificar áreas que necessitam de correção e permitirá um uso mais eficiente do solo, mas também apoiará na recuperação de solos degradados e na otimização do uso de fertilizantes. Além disso, o mapa contribuíra na formulação de políticas públicas voltadas para a saúde do solo e na elaboração de estratégias de controle e prevenção de doenças, com recomendações técnicas específicas para diversas culturas.

Beneficiados

Os principais favorecidos pelo projeto serão os pequenos e médios produtores de todo o Paraná, que atualmente representam 84% das propriedades rurais do estado. Esses agricultores terão a oportunidade de aumentar a produtividade com base em evidências técnicas, o que ampliará sua competitividade e autonomia no mercado. O projeto-piloto contará com a participação de cerca de 100 agricultores familiares e cooperativas de 13 municípios, entre eles Boa Ventura de São Roque, Carambeí, Castro, Curitiba, Guarapuava, Irati, Palmeira, Piraí do Sul, Pitanga, Ponta Grossa, Prudentópolis, São José dos Pinhais e Turvo.

A estrutura do projeto visa refletir a diversidade produtiva do estado, avaliando diferentes contextos agrícolas e ambientais. Exemplos disso incluem o cultivo de banana no Litoral, citros no Norte do Paraná, mandioca nas regiões Norte e Noroeste, além de áreas certificadas de café e goiaba, sericicultura no Norte Pioneiro, e as grandes culturas como soja, milho, trigo, cevada e cana-de-açúcar. O estudo também irá se debruçar sobre áreas com solos degradados, focando em diagnósticos e estratégias de regeneração.

Saúde Única

Em 2025, o Tecpar já aprovou vários projetos alinhados aos três pilares do conceito de Saúde Única: saúde humana, animal e ambiental. Dentre essas iniciativas, destaca-se o projeto-piloto “Solo Vivo, Paraná Forte – Mapa Genético dos Solos Paranaenses”, que conta com um investimento de R$ 2 milhões, recursos oriundos do Fundo Paraná, destinado ao fomento científico sob a gestão da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti).

Fonte:: seti.pr.gov.br

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