A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira (12) a Operação Castratio, com a finalidade de reunir provas sobre um esquema de fraude envolvendo contratos de R$ 200 milhões firmados pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento do Estado do Rio de Janeiro (Seappa). 

Ao todo, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, todos autorizados pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Um dos principais alvos da operação é o deputado federal Marcelo Queiroz (PSDB-RJ), que ocupou o cargo de secretário de Agricultura estadual durante o período em que as irregularidades estão sendo investigadas.
O celular do deputado foi apreendido e, em endereços relacionados a outros alvos, a PF também confiscou dinheiro em espécie, veículos e aparelhos eletrônicos. Esses materiais passarão por perícia para descobrir mais informações sobre o esquema em análise.
A investigação da Polícia Federal foca no direcionamento de licitações para serviços de castração e esterilização de animais, que, segundo a PF, favoreceu de maneira ilegal a empresa Consuvet. Esta companhia foi criada apenas alguns meses antes de assinar seu primeiro contrato com a Seappa, em julho de 2021.
Apesar de contar com parecer contrário da assessoria jurídica da secretaria — que havia apontado a incapacidade da empresa para execução dos contratos, visto que não possuía filiais — o contrato foi celebrado. A empresa se justificou apresentando contratos de locação de espaços em municípios internos, alegadamente firmados em 2020.
Entretanto, a PF concluiu que esses documentos são fraudulentos, uma vez que a própria Consuvet foi criada apenas em 2021.
Adicionalmente, o primeiro contrato foi assinado mesmo sem que a empresa tivesse a autorização do Conselho Regional de Medicina Veterinária, um licenciamento que só foi obtido três meses após a formalização do acordo. Posteriormente, a Consuvet venceu uma licitação apresentando apenas a quarta proposta mais vantajosa, com a justificativa de experiência anterior nos serviços. Contudo, esses contratos anteriores foram facilitados pelo gestor Antonio Emilio Santos, que deixou a secretaria e, dois meses depois, tornou-se sócio da empresa.
Num relatório enviado ao Supremo, a PF esclareceu que Antonio Emilio Santos “desempenhou um papel crucial na manipulação interna para favorecer interesses particulares” e ressaltou que foi em um intervalo de apenas dois meses que ele ingressou na empresa privada que venceu a licitação que ele mesmo autorizou.
A Agência Brasil procurou o gabinete do deputado Marcelo Queiroz e tenta contato com a defesa dos outros mencionados na investigação. O espaço permanece aberto para que esses indivíduos possam apresentar suas versões sobre os fatos.
Para mais informações, saiba como acompanhar a cobertura no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil.
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br




