Na última sexta-feira, 15 de setembro, o Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR) promoveu um treinamento simulado focado em emergências que envolvem produtos perigosos, especificamente gás cloro. A atividade ocorreu nas instalações da Estação de Tratamento de Água (ETA) Iraí, da Sanepar, localizada em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. O treinamento contou com a participação de 16 cadetes do 3º ano do Curso de Formação de Oficiais (CFO) e fez parte da disciplina de Intervenção em Emergências com Produtos Perigosos.
Desenvolvido em parceria com a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) e o Grupo Hidromar Indústria Química, o treinamento teve como foco preparar os cadetes para lidarem com cenários de vazamento de cloro, uma substância comum no tratamento de água, mas que se torna altamente tóxica em casos de acidentes.
Conforme destaca o major Alexandre Mançano Cavalca, instrutor da disciplina de produtos perigosos do CFO, o principal objetivo do treinamento é capacitar os futuros oficiais para situações que podem surgir em diferentes regiões do estado. “Além dos grandes depósitos de cloro que se encontram nas centrais de abastecimento de água, o transporte desse produto pelas rodovias é uma realidade. O treinamento visa instruir os alunos sobre os procedimentos adequados em caso de vazamento ou outras emergências envolvendo cloro”, explica o major.
Durante o exercício, os cadetes estavam equipados com roupas encapsuladas de nível A, proteção respiratória e ferramentas específicas para a contenção de vazamentos em cilindros e tanques de armazenamento de cloro. As atividades foram conduzidas em um ambiente controlado e simulado, sem o uso real do produto químico, garantindo a segurança de todos os envolvidos.
“O cloro desempenha um papel fundamental para a sociedade, mas, ao mesmo tempo, apresenta riscos significativos em caso de vazamentos. Ele pode provocar irritações severas, problemas respiratórios graves e, em situações extremas, levar a consequências fatais. Por isso, é essencial que os bombeiros estejam prontos para agir rapidamente e minimizar os danos”, esclarece o major.
O treinamento também incluiu a utilização do “kit cloro”, um conjunto de ferramentas projetadas para a contenção emergencial de vazamentos. As equipes aprenderam sobre a importância de retirar vítimas da área de risco e isolar o local afetado, além de técnicas para limitar a dispersão do gás e evitar mais contaminações.
“Em situações que envolvem produtos perigosos, a prioridade é fazer o salvamento das vítimas, mas é igualmente crucial conter o vazamento para evitar que a emergência se agrave. Esse conhecimento técnico é fundamental para uma resposta operacional eficaz”, enfatiza um dos bombeiros participantes.
O treinamento foi em grande parte conduzido por técnicos da Sanepar, que possuem vasta experiência no manejo do cloro utilizado na potabilização da água. Entre os responsáveis pelos ensinamentos estavam o coordenador de Produção de Água da Sanepar, Arion Garcia da Silva, o supervisor da ETA Iraí, Anderson Fabiano, o coordenador de Segurança do Trabalho, José Roberto Correa, e o instrutor do Grupo Hidromar Indústria Química, Junior Mariano de Oliveira.
De acordo com Arion, a colaboração entre diferentes instituições fortalece a capacidade de resposta em situações emergenciais. “Treinamentos conjuntos são benéficos para todos os envolvidos. Fortalecemos parcerias, compartilhamos conhecimento e ampliamos nossa capacidade de atuação em caso de acidentes. Esses cadetes, no futuro, estarão liderando equipes em várias regiões do Paraná e poderão disseminar estes conhecimentos”, afirma.
Além das metodologias de contenção, os cadetes também tiveram a oportunidade de conhecer a estrutura da ETA Iraí e os protocolos que a Sanepar adota para o armazenamento e utilização do cloro no sistema de abastecimento de água.
Embora a incidência de acidentes com gás cloro em solo paranaense seja baixa, o Corpo de Bombeiros mantém uma rotina constante de treinamentos para emergências químicas de alta complexidade. O Paraná é caracterizado por intensa circulação de produtos perigosos nas rodovias, além de atividades industriais que requerem uma preparação especializada das equipes de resposta.
<p“O Corpo de Bombeiros deve estar preparado tanto para eventos comuns quanto para situações menos prováveis, porém de alto impacto. Nosso objetivo é assegurar que, em caso de um acidente, tenhamos equipes capacitadas para responder de forma rápida, técnica e segura”, conclui o major Alexandre Mançano Cavalca.
Além da formação padrão que todos os bombeiros recebem, o CBMPR conta com equipes especializadas e uma força-tarefa destinada a emergências em larga escala, prontas para atuar em grandes incidentes químicos e ambientais no estado.
Fonte:: seguranca.pr.gov.br




