Santa Catarina decreta alerta climático por causa do El Niño

Redação Rádio Plug
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Foto: © Valter Campanato/Agência Brasil

Título: Santa Catarina decreta alerta climático devido ao El Niño

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O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, assinou nesta segunda-feira (18) um decreto que estabelece estado de alerta climático por 180 dias. Essa iniciativa é uma medida preventiva que busca reforçar ações de precaução, especialmente em relação a chuvas intensas e alagamentos, em decorrência do fenômeno El Niño.

A agência de notícias do governo estadual informou que o decreto prevê investimentos em monitoramento ambiental, capacitação de equipes e modernização de barragens, mas é importante ressaltar que a ação não deve ser confundida com um decreto de situação de emergência ou estado de calamidade pública.

De acordo com a coordenação do governo, a principal meta é promover a mobilização antecipada dos órgãos estaduais, para que estejam adequadamente preparados para a prevenção, monitoramento e resposta imediata a eventuais eventos climáticos extremos. “O decreto busca garantir que os municípios possam responder rapidamente a emergências”, declarou a coordenação.

Além disso, o decreto estipula critérios claros que permitam aos municípios declararem estado de emergência. Entre os critérios estão a ocorrência de chuvas intensas, com precipitação superior a 80 milímetros em um período de 24 horas, o desabrigamento de famílias, a interrupção de serviços essenciais, além de deslizamentos de terra e alertas de nível laranja ou vermelho emitidos pela Defesa Civil do estado.

O governo ainda detalhou que o decreto prevê a mobilização de servidores estaduais para fornecer apoio às ações da Defesa Civil e permite a utilização de recursos do Fundo Estadual de Proteção e Defesa Civil (Fundec) para custear iniciativas preventivas e operacionais. Vale lembrar que essa vigência do decreto se estende até novembro, com a possibilidade de prorrogação, dependendo das condições climáticas futuras.

O estado de Santa Catarina já enfrentou grandes enchentes em anos anteriores, notadamente em 1983 e 2023, eventos que tiveram como causa principal o fenômeno El Niño, ressaltando a importância da atual ação preventiva.

Compreendendo o El Niño

Pesquisas recentes realizadas tanto em nível nacional quanto pelo National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), órgão dos Estados Unidos responsável por monitorar as condições climáticas, apontam uma probabilidade superior a 80% da ocorrência do El Niño já em julho deste ano. Essa previsão é alarmante, já que a situação climática neste início de maio apresentava um quadro de neutralidade, com temperaturas das águas dentro da faixa considerada normal para a região tropical do Pacífico, mas com um aumento previsto de mais de meio grau a partir de julho.

O fenômeno conhecido como El Niño é caracterizado pela alteração nas temperaturas das águas do Oceano Pacífico, e sua previsão atual indica que ele deverá alcançar maior intensidade entre dezembro de 2026 e janeiro de 2027. O NOAA também é uma das principais referências mundiais no estudo de fenômenos climáticos como o El Niño e o La Niña.

Na última quinta-feira (14), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) publicou um documento com análises atualizadas sobre a possível formação do fenômeno e seus potenciais impactos nas regiões do sul do Brasil, destacando “a possibilidade de um novo episódio de El Niño durante 2026, com maior probabilidade de ocorrer na primavera e no verão de 2027”.

Os especialistas alertam que, segundo as condições climáticas atuais, há uma tendência de chuvas acima da média em várias regiões do Rio Grande do Sul, bem como uma expectativa de temperaturas superiores ao padrão normal em determinados períodos. O boletim mais recente do NOAA indicou um risco elevado de variação de mais de dois graus entre novembro de 2026 e fevereiro de 2027, o que gerou um alerta para a costa oeste dos Estados Unidos, que deve se preparar para tempestades mais intensas e inundações.

Além disso, o órgão ressaltou que o aumento da temperatura média dos oceanos, combinado com o aumento do nível do mar e a força do fenômeno El Niño, pode resultar em uma maior frequência de desastres naturais. Por sua vez, institutos vinculados ao Ministério da Agricultura e ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação têm emitido alertas sobre o risco de chuvas intensas no Sul do Brasil, além da dificuldade prevista na produção de alimentos, afetando culturas essenciais como arroz, feijão e milho.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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