O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, ressaltou neste sábado (23 de maio de 2026) que a inteligência artificial (IA) já está promovendo mudanças significativas na produção de decisões e na tramitação de processos no sistema Judiciário brasileiro.
Durante sua participação no 5º Fórum Esfera, realizado no Guarujá, São Paulo, Barroso afirmou: “O impacto das novas tecnologias e da inteligência artificial sobre o sistema de Justiça é imenso”. Ele enfatizou que a IA não apenas transforma a prática judiciária dentro dos tribunais, mas também influencia a regulação do direito em si.
Barroso compartilhou que o STF já implementou ferramentas de automação com o objetivo de reduzir o número de processos em tramitação, que caiu de 150 mil para apenas 20 mil. Essas ferramentas são capazes de identificar recursos repetitivos, agindo de forma a otimizar o atendimento das demandas judiciais. Além disso, o ex-ministro mencionou que também utilizou programas de IA para resumir processos que, de outra forma, poderiam ser extensos e complexos.
O ex-ministro vislumbra um futuro em que o Judiciário contará com decisões facilitadas por inteligência artificial, mas ressalta que essas decisões ainda estarão sob supervisão humana. Ele expressou confiança nessa evolução ao dizer: “Eu não tenho nenhuma dúvida de que esse é o futuro. O futuro vai ser decisões produzidas por inteligência artificial, sempre supervisionadas”.
Entretanto, Barroso não deixou de lado as preocupações éticas e sociais que o uso da IA pode acarretar. Em sua fala, ele alertou sobre os riscos associados à disseminação de desinformação e como isso pode impactar a democracia. “O dia que nós não pudermos mais acreditar naquilo que a gente vê e ouve, a liberdade de expressão terá perdido o significado”, destacou, evidenciando a importância de se manter a integridade da informação na era digital.
À medida que a tecnologia continua a avançar, o papel do Judiciário deverá se adaptar às novas realidades, equilibrando a eficiência proporcionada pela inteligência artificial com a necessidade de supervisão e garantia dos direitos dos cidadãos. O desafio será encontrar maneiras de integrar essas inovações sem comprometer os princípios fundamentais da justiça e da verdade.
O debate sobre a aplicação da inteligência artificial no sistema de Justiça se torna cada vez mais relevante, especialmente com a crescente presença da tecnologia em diferentes setores. É essencial que os operadores do direito e a sociedade estejam atentos a essas mudanças, garantindo que o uso da IA promova um sistema mais ágil e eficiente, mas que, ao mesmo tempo, respeite os direitos humanos e a democracia.
Assim, ao se discutir o futuro do Judiciário, é imperativo que a busca por inovação seja acompanhada de uma reflexão crítica sobre suas implicações, assegurando que a tecnologia sirva como uma aliada no fortalecimento da justiça, e não como uma ferramenta de potencial desinformação ou desvirtuamento das informações.
Fonte:: poder360.com.br




