A Micron, fabricante de semicondutores, conseguiu um feito notável ao superar o valor de mercado da Meta e da Tesla, alcançando impressionantes US$ 1,27 trilhão (equivalente a R$ 6,57 trilhões). Este salto no valor de mercado é impulsionado por um aumento significativo na receita da empresa, que quadruplicou, passando para US$ 41,45 bilhões (aproximadamente R$ 214,38 bilhões), refletindo a crescente demanda por memória voltada para Inteligência Artificial (IA).
Nos últimos trinta dias, as ações da Micron dispararam mais de 236%, alcançando o valor de US$ 1.132 por ação (cerca de R$ 5.854,82). Durante vários anos, as ações permaneceram abaixo de US$ 100 (cerca de R$ 517,21), mas agora apresentam uma trajetória de crescimento impressionante.
Esse aumento significativo nas ações ocorreu após a divulgação de resultados financeiros excepcionais no terceiro trimestre do ano. Além do impressionante aumento na receita, os lucros da empresa saltaram de US$ 1,88 bilhão (R$ 9,72 bilhões) para US$ 28,2 bilhões (R$ 145,85 bilhões), evidenciando um desempenho robusto.
A Micron projeta uma receita para o quarto trimestre que varia entre US$ 49 bilhões (R$ 253,43 bilhões) e US$ 51 bilhões (R$ 263,78 bilhões). Esse otimismo é compartilhado por analistas de Wall Street, que buscam identificar o próximo grande investimento em IA semelhante ao da NVIDIA.
Crescimento impulsionado pela demanda

Um dos principais fatores para esse crescimento é a expansão dos data centers voltados para IA. Esse desenvolvimento criou uma escassez acentuada no fornecimento de chips de memória, tanto do tipo DRAM quanto NAND, especialmente aqueles com alta largura de banda (HBM). Cada servidor dedicado à IA requer uma quantidade muito maior de memória comparado a um laptop comum, o que aumentou a concorrência entre grandes empresas como NVIDIA, Microsoft, Amazon, Google, Meta e Oracle, que estão adquirindo grandes quantidades de memória, forçando outras empresas que dependem desses componentes a se precaverem e estocar também.
Essa escassez já impactou os preços dos eletrônicos de consumo e é esperado que a situação persista até 2027. Para se adaptar a essa nova realidade, a Micron decidiu descontinuar sua linha de produtos Crucial voltados para consumidores, direcionando seus esforços para atender a demanda dos data centers.
A empresa admitiu que, atualmente, “não tem ideia” de quando a crise no fornecimento de memórias poderá ser resolvida.
Desafios na indústria de semicondutores

Os fabricantes de memória enfrentam desafios históricos, pois a construção de novas capacidades de produção demanda anos e investimentos bilionários. O fator complicador é que a demanda frequentemente diminui logo que novas capacidades são instaladas. Para evitar essa armadilha, a Micron está buscando se resguardar por meio de contratos de fornecimento a longo prazo. Até o momento, a empresa firmou 16 acordos estratégicos com clientes nos setores de data center, eletrônicos de consumo e automotivo.
Dentre esses contratos, destaca-se um acordo plurianual com a Anthropic, que abrange o fornecimento de HBM, DRAM e SSD, além de um investimento estratégico na última rodada de financiamento da Anthropic.
Ainda resta a questão sobre a capacidade da Micron de manter o seu crescimento sem entrar em um ciclo de recessão, algo que historicamente tem sido comum no setor de memória, que é conhecido por suas flutuações cíclicas. De acordo com estimativas do Goldman Sachs, a diferença entre a oferta e a demanda de DRAM deve alcançar 4,9% até 2026, representando a maior escassez registrada nos últimos 15 anos.
Assim, a transformação da Micron, que era amplamente reconhecida por seus cartões de memória para PCs, em uma potência de infraestrutura de IA avaliada em US$ 1,27 trilhão (R$ 6,57 trilhões), é uma mudança impressionante, à altura das maiores revoluções observadas na indústria de semicondutores.
Fonte:: adrenaline.com.br




