Governo federal debate diretrizes e aponta avanço rumo à inteligência artificial

Redação Rádio Plug
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"Nós vamos entrar na era da inteligência artifi...

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o país está preparado para ingressar de vez na era da inteligência artificial. A afirmação foi feita durante um encontro estratégico realizado no Palácio do Planalto, que reuniu ministros de Estado, pesquisadores, executivos de empresas públicas e especialistas renomados no setor tecnológico para debater os próximos passos da política nacional voltada para o tema.

Apesar de o encontro ter sido encerrado sem o anúncio formal de novas diretrizes ou pacotes de medidas, o chefe do Executivo fez questão de ressaltar que a reunião simboliza um ponto de virada definitivo para a administração pública. Segundo o mandatário, o momento atual exige a transição imediata do planejamento para a tomada prática de decisões, enfatizando que o caminho adotado não possui mais volta.

Nos bastidores da gestão federal, existe uma apreensão constante em relação a possíveis interferências externas no cenário político, especialmente com a pressão exercida por gigantes tecnológicas estrangeiras. A preocupação com o uso de ferramentas digitais avançadas nas eleições já havia sido pontuada anteriormente pelo presidente, que alertou sobre os riscos de adversários utilizarem recursos automatizados para distorcer fatos e manipular o eleitorado.

Estratégia e investimentos estruturados

O arcabouço para o desenvolvimento tecnológico do país já conta com diretrizes estabelecidas por meio do PBIA (Plano Brasileiro de Inteligência Artificial). A iniciativa governamental direciona aportes financeiros robustos da ordem de R$ 23 bilhões ao longo de quatro anos, abrangendo o período de 2024 a 2028. A programação estrutural do plano divide-se entre ações de impacto imediato e medidas de caráter estruturante para a economia e os serviços públicos.

Para o presidente, em vez de tentar replicar os modelos adotados por potências globais consolidadas, o foco estratégico deve residir no aproveitamento das potencialidades internas. Durante as discussões, foi pontuada a necessidade de competir com as próprias capacidades nacionais, direcionando esforços para resolver demandas internas prioritárias por meio da tecnologia.

O governo avalia que o período dedicado a debates prolongados sobre a agenda digital precisa dar lugar a execuções ágeis, comparando o ritmo atual ao processo enfrentado anteriormente nas discussões sobre minerais estratégicos e terras-raras.

Integração de dados e infraestrutura pública

A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, destacou durante o evento que a unificação e o tratamento de bases de dados públicos representam os pilares fundamentais para o sucesso da estratégia tecnológica nacional.

A pasta conduz iniciativas para consolidar uma infraestrutura computacional unificada, contando com a atuação direta de empresas estatais como Serpro e Dataprev. A estruturação envolve ainda a expansão da capacidade de processamento, o fortalecimento da matriz energética, o suporte a data centers e políticas voltadas para a retenção de talentos especializados.

Contudo, a ministra ponderou que a mera posse de grandes volumes de informações não esgota o desafio, sendo primordial converter tais registros em soluções analíticas práticas para os problemas cotidianos da sociedade.

Descentralização e autonomia informacional

Durante sua intervenção, o presidente criticou a fragmentação atual das informações mantidas por diferentes pastas e entidades estatais. Segundo o governo, órgãos federais historicamente tratam suas bases de dados como propriedades isoladas, o que dificulta uma visão sistêmica e integrada da administração.

Áreas essenciais como saúde, educação, segurança pública, sistema tributário e defesa nacional mantêm registros separados. A meta da gestão é utilizar as estruturas tecnológicas públicas para centralizar e conectar esses repositórios, permitindo maior eficiência na tomada de decisões estratégicas.

O vice-presidente Geraldo Alckmin também participou dos debates e enfatizou que a tecnologia poderá otimizar o atendimento à população, reduzir custos operacionais e fomentar a desburocratização industrial. Alckmin ressaltou, contudo, que a escassez global de energia representa o principal obstáculo para a expansão da inteligência artificial no mundo, vantagem que o Brasil pode contornar devido à sua matriz energética.

Compuseram a mesa:

  • Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República;
  • Geraldo Alckmin, vice-presidente da República;
  • Miriam Belchior, ministra da Casa Civil;
  • Wellington César, ministro da Justiça e Segurança Pública;
  • Dario Durigan, ministro da Fazenda;
  • Márcio Elias, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços;
  • Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia;
  • Esther Dweck, ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos;
  • Frederico de Siqueira Filho, ministro das Comunicações;
  • Luciana Santos, ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação;
  • Marco Amaro, ministro do Gabinete de Segurança Institucional;
  • Sidônio Palmeira, ministro da Secretaria de Comunicação Social;
  • Aloizio Mercadante, presidente do BNDES;
  • Celso Amorim, assessor-chefe da Assessoria Especial do Presidente;
  • Maria Laura da Rocha, secretária-geral das Relações Exteriores;
  • Cilair Abreu, secretário-executivo do Ministério da Gestão e da Inovação;
  • Luis Manoel Fernandes, secretário-executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação;
  • Wilton Mota, diretor-presidente do Serpro;
  • Rodrigo Assumpção, presidente da Dataprev;
  • Hermano Albuquerque, presidente da Telebras;
  • Anderson Rocha, professor titular do Instituto de Computação da Unicamp;
  • Marco Aurélio Cepik, professor titular do Instituto de Relações Internacionais da UnB;
  • Edson Borin, professor associado da Unicamp;
  • Marília Maciel, diretora de Comércio Digital e Políticas de Internet da DiploFoundation;
  • Mateus Padovani Velloso, diretor de Produto da Docker.

Assista ao encontro (16min12s):

Fonte:: poder360.com.br

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