Mais do que simular ameaças digitais, a oitava edição do Exercício Guardião Cibernético, realizada entre os dias 21 e 25 de setembro, estruturou um ambiente colaborativo robusto para preparar órgãos públicos e empresas privadas frente a cenários capazes de paralisar serviços essenciais para a população.
Ao longo da programação, simulações de invasões virtuais complexas e articuladas colocaram à prova protocolos de segurança, refinaram estratégias de contingência e apontaram caminhos para fortalecer a resiliência do país. O treinamento reuniu as Forças Armadas, agências governamentais, agências reguladoras e companhias responsáveis por infraestruturas vitais, abrangendo áreas fundamentais como geração de energia, distribuição de água, redes de telecomunicações e o sistema financeiro.
De acordo com o chefe do Centro de Ciência e Tecnologia do Exército, General Hertz Pires do Nascimento, dois conceitos nortearam as atividades deste ano. “Dois vocábulos nós estamos empregando com muita intensidade no Guardião Cibernético 8.0: integrar e proteger. Portanto, a reunião de profissionais com temas afins, e não só da área de tecnologia da informação e da cibernética, mas também de profissionais de comunicação social, por exemplo, que, em um ambiente de crise, vão apresentar soluções e informar a sociedade brasileira sobre o que está acontecendo e quais medidas estão sendo adotadas para solucionar uma crise que foi gerenciada em um ambiente cibernético”, pontuou o oficial.
Abrangência territorial e descentralização das operações
A escala nacional da iniciativa ficou evidente por meio de sua organização descentralizada. Além da capital federal, o evento operou com bases simultâneas em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Recife, Manaus e Belém. Nesses centros regionais, as organizações parceiras uniram forças para otimizar a capacidade de articulação e reação rápida contra incidentes virtuais. A agenda do evento também abrangeu palestras voltadas à difusão de conhecimento e à conscientização pública sobre a urgência de uma postura coletiva na defesa do ecossistema digital.
Como funciona a dinâmica de simulação
A metodologia do exercício dividiu os participantes em frentes distintas. Por um lado, uma equipe composta por militares do Exército assumiu o papel de força opositora, simulando investidas e investidas virtuais capazes de comprometer plataformas e serviços públicos fundamentais. Em contrapartida, especialistas de centenas de entidades parceiras atuaram na detecção, contenção e reversão dos danos planejados pelos atacantes virtuais.
Essa metodologia permitiu testar com rigor o preparo técnico, as ferramentas de resposta rápida e o fluxo de comunicação entre os diversos órgãos encarregados de salvaguardar os pilares da infraestrutura nacional. Dessa forma, a simulação de uma situação extrema converteu-se em um laboratório prático de capacitação e aprimoramento institucional.
A magnitude da operação pode ser medida pelos seus números expressivos: o Guardião Cibernético 8.0 mobilizou mais de 1.300 profissionais, integrou cerca de 300 organizações distintas e contou com a participação de delegações de 14 países estrangeiros. A abertura e o acompanhamento das atividades contaram com a presença de membros do Alto Comando do Exército e diversas autoridades civis e militares, consolidando o treinamento como um dos maiores e mais completos do gênero em todo o Hemisfério Sul.
Fonte:: convergenciadigital.com.br


