Na última segunda-feira (29), o jogador Gabriel Martinelli se tornou um nome de destaque ao marcar o gol da vitória da seleção brasileira sobre o Japão, em um momento decisivo da partida. Embora sua atuação heroica seja amplamente reconhecida, sua trajetória até este ponto é menos conhecida e cheia de reviravoltas.
Atualmente com 25 anos, Martinelli ganhou a confiança do técnico Carlo Ancelotti na Copa do Mundo. Seu gol que garantiu a vitória por 2 a 1 contra o Japão não foi um acontecimento isolado. Ele representa a evolução de um atleta que, durante sua carreira, enfrentou desafios significativos, desde seu início no Ituano, onde jogava como meia, até se consolidar como um atacante no Arsenal.
A escolha de Martinelli para integrar a seleção na Copa foi uma decisão de Ancelotti, mesmo diante da dúvida de alguns membros da comissão técnica. Apesar de uma temporada irregular na Premier League, onde marcou apenas um gol em 30 partidas, Ancelotti apostou no jogador que já o impressionara durante seu tempo no Real Madrid.
Neste torneio, Martinelli se tornou uma referência entre os colegas de equipe, exemplificando a mensagem de Ancelotti sobre a importância de manter a calma sob pressão. O ex-jogador e atual diretor do Arsenal, Edu Gaspar, observa que essa estabilidade emocional é um ponto forte do atacante.
“Martinelli tem uma qualidade excepcional. Ele aborda todas as situações da mesma forma, seja como titular ou reserva. Sua constância é admirável, e ele se dedica intensamente em todos os treinos. Acredito que ele era a escolha ideal para fazer o gol decisivo”, afirma Edu sobre o impacto que Martinelli teve durante a competição.
Embora já tenha se estabelecido no futebol europeu após sete anos no Arsenal, Martinelli possui uma origem que pode ser desconhecida para muitos brasileiros. Crescido no Ituano, ele não teve oportunidade nas seleções sub-15, sub-17 e sub-20, mesmo sendo alvo de grandes clubes europeus. Nos anos iniciais de sua carreira, chegou a realizar testes em times como Barcelona e Manchester United, mas decidiu permanecer no Brasil, o que resultou em sua exclusão das convocações da seleção de base.
A falta de visibilidade da sua trajetória inicial dificultou sua convocação. Embora tivesse sido recomendado pelo ex-goleiro e gestor de futebol Juninho Paulista, a comissão técnica da seleção alegou a ausência de experiências relevantes no cenário nacional, uma vez que o Ituano competia na Série D do Campeonato Brasileiro.
Foi somente em 2019, ao integrar o time profissional do Ituano, que Martinelli começou a ser reconhecido. Com seis gols no Campeonato Paulista, ele chamou a atenção não apenas dos torcedores, mas também de clubes em todo o Brasil. O Palmeiras fez uma investida, mas Martinelli já tinha um acordo para se transferir ao Arsenal, por um valor de cerca de 7 milhões de euros, após ser monitorado por Everton Gushiken, que desde pequeno já acreditava em seu potencial.
Após ser contratado pelo Arsenal, Martinelli chegou inicialmente para atuar na equipe sub-23. No entanto, após uma semana de treinamentos, sua habilidade e determinação impressionaram o técnico Unai Emery, que decidiu promovê-lo ao time principal.
Martinelli rapidamente se firmou no Arsenal, onde tem acumulado 278 jogos e 62 gols, conquistando até a Premier League e quebrando um longo jejum de 24 anos sem título na liga inglesa.
Famoso por sua discrição, Martinelli surpreendeu muitos brasileiros com sua performance na Copa do Mundo, conforme demonstrou ao anotar o gol que selou a vitória sobre o Japão. Mesmo no auge da fama, ele se mostrou reservado, evitando interações midiáticas após a partida.
Edu reforça que essa humildade e dedicação são qualidades que tornam Martinelli querido entre os torcedores do Arsenal e que, no Brasil, sua imagem poderia ser mais proeminente caso estivesse mais exposto. "Ele nunca se deixa levar pela emoção, mantendo sempre um comportamento exemplar dentro e fora de campo. É um recurso valioso para qualquer time", declara.
Com a confiança renovada após seu último jogo, a seleção brasileira agora se prepara para encarar a Noruega no próximo domingo (5), às 17h, em Nova Jersey. Esta partida será crucial, pois o vencedor avançará para as quartas de final da Copa do Mundo.
- Paquetá, lesionado, pode ficar de fora do restante da Copa e se junta a uma lista crescente de ausências na seleção.
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Fonte:: bemparana.com.br




