A Copa do Mundo chegou ao seu estágio mais eletrizante: as oitavas de final. Com isso, a emoção nas arquibancadas cresce e, junto com ela, aumentam os barulhos que rodeiam as celebrações: fogos de artifício estouram, buzinas ecoam e gritos de euforia invadem as cidades a cada gol ou classificação. Entretanto, enquanto os torcedores festejam, cães e gatos enfrentam um sofrimento não visível: o barulho excessivo pode ser um gatilho para o pânico, a tensão e episódios severos de ansiedade nos animais de estimação.
Isso ocorre porque os animais têm uma audição muito mais aguçada do que a dos seres humanos, o que os torna incapazes de compreender a origem de sons intensos e inesperados. O resultado pode ser uma gama de reações comportamentais e fisiológicas, que vão desde tremores e inquietação até tentativas de fuga.
Conforme explica Luis Felipe Kühl, professor do curso de Medicina Veterinária do UniCuritiba, o período de jogos decisivos merece atenção especial por parte dos tutores dos pets. Ele comenta: “Cães e gatos têm uma audição muito mais sensível do que a nossa. Sons intensos e imprevisíveis, como fogos de artifício, buzinas e gritos, são percebidos de forma exacerbada, desencadeando respostas de medo e estresse. Como eles não conseguem entender a origem desses estímulos, podem apresentar reações semelhantes a crises de ansiedade”.
Os sinais de que o animal está sofrendo podem surgir logo nos primeiros minutos de comemorações. Tremores, respiração acelerada, salivação excessiva, vocalizações, inquietação, tentativas de se esconder, orelhas baixas, cauda entre as pernas, pupilas dilatadas e perda de apetite são alguns dos sinais mais frequentes. Em casos mais extremos, podem ocorrer vômitos, diarreia, comportamentos destrutivos e tentativas de fuga.
Para amenizar o impacto do barulho, o ideal é preparar o ambiente antes mesmo do jogo começar. O professor Kühl recomenda criar um espaço tranquilo, longe das áreas onde o barulho é mais intenso, como um cômodo Íntimo. Fechar portas e janelas, manter as cortinas fechadas e ligar uma televisão ou tocar uma música em volume moderado ajudam a amenizar os sons externos.
“Também é importante ter água fresca disponível, oferecer brinquedos ou outras formas de enriquecimento ambiental e permitir que o animal fique no local onde se sente seguro, sem forçá-lo a interagir”, orienta.
Cães e gatos reagem de formas diferentes
Embora ambas as espécies sejam afetadas pelo barulho, suas reações ao estresse costumam diferir. Os cães geralmente manifestam a ansiedade de maneira mais clara, apresentando agitação, vocalizações ou buscando a presença dos tutores. Por outro lado, os gatos tendem a ser mais discretos em suas reações, procurando esconderijos e evitando o contato.
Dessa forma, os cuidados devem ser adaptados a cada espécie. Enquanto os cães se beneficiam de um ambiente calmo e da manutenção da rotina, os gatos precisam de acesso a esconderijos seguros onde possam se refugiar até que o barulho diminua.
Um dos maiores riscos durante as festas é a fuga. Estressados, muitos animais tentam escapar de casa, o que pode resultar em acidentes ou em sua perda.
“É fundamental verificar se portas, portões e janelas estão devidamente fechados, evitar deixar o animal sozinho em quintais ou áreas externas e orientar familiares e visitantes a terem cuidado ao entrar e sair da residência durante as comemorações”, alerta o professor.
Kühl também recomenda que cães e gatos estejam identificados com plaquinhas e, sempre que possível, com microchip, aumentando as chances de um reencontro caso uma fuga ocorra.
O que nunca fazer
Na tentativa de acalmar os animais, alguns tutores acabam adotando comportamentos que podem agravar a situação. Punir o pet por demonstrar medo, obrigá-lo a enfrentar situações que provocam ansiedade ou administrar medicamentos sem a orientação de um veterinário são alguns dos erros mais comuns.
Quando o medo é intenso, repetitivo ou provoca tentativas de fuga, automutilação, agressividade ou compromete significativamente o bem-estar do animal, a recomendação é buscar a ajuda de um médico veterinário. Dependendo da situação, pode ser necessário um tratamento específico, que envolve acompanhamento comportamental e medicação prescrita por um profissional qualificado.
Fonte:: bemparana.com.br




