Operação do Ministério Público resulta na prisão do presidente do Rio Metrópole por desvio de R$ 86,3 milhões

Redação Rádio Plug
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Foto: © Fernando Frazão/Agência Brasil

Uma ação coordenada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) resultou, nesta quinta-feira (9), na prisão de seis indivíduos supostamente envolvidos em um esquema de corrupção que desviou R$ 86,28 milhões dos cofres estaduais.

Entre os detidos, destaca-se Davi Perini Vermelho, conhecido como “Didê”, presidente do Instituto Rio Metrópole (IRM) e ex-chefe da Câmara de Vereadores de São João de Meriti, município localizado na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Operações de busca e apreensão

Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão nas cidades do Rio de Janeiro, São Gonçalo e Teresópolis. A investigação apontou que o esquema de desvio acontecia através do Instituto Rio Metrópole, que possui a responsabilidade de elaborar projetos nas áreas de mobilidade urbana, saneamento, meio ambiente, tecnologia e habitação.

Os crimes denunciados

O MPRJ formalizou a denúncia contra 11 pessoas perante a Justiça, acusando-as de crimes como organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitação e lavagem de dinheiro. A denúncia destaca que os acusados utilizaram contratos que somam valores milionários, firmados pelo IRM, para realizar os desvios entre julho de 2022 e maio de 2026.

Dentre os atos ilícitos, o Ministério Público revelou que duas empresas contratadas recebiam verbas significativas, mas, posteriormente, transferiam os recursos, através de contratos fictícios, para uma organização não governamental conhecida como Instituto Bio.

Métodos de desvio financeiro

Os recursos desviados eram enviados à conta pessoal de Caroline Soares Barros, presidente da ONG. As investigações revelaram que o dinheiro, após sacado, era transportado com a ajuda de uma empresa de escolta armada, controlada por um dos denunciados, para evitar o rastreamento dos valores.

Os investigadores constataram que a ONG em questão não possuía a estrutura operacional necessária para realizar os serviços teóricos contratados e não contava com funcionários, sendo Caroline Barros ainda fiscal de contratos no IRM.

A investigação teve início em janeiro deste ano, após Caroline ser flagrada transportando R$ 500 mil em espécie, retirados de uma agência bancária em Teresópolis, um dos locais onde as práticas ilegais foram detectadas.

Dois contratos com a Engeconsult Consultores Técnicos LTDA totalizaram um recebimento de R$ 58,3 milhões, enquanto a R. Peotta Engenharia e Consultoria LTDA recebeu R$ 25,1 milhões em um contrato único e três aditivos. O MPRJ requereu à Justiça a suspensão imediata desses contratos.

A ligação política

Entre os denunciados, encontra-se Maurício Silva Knoploch dos Santos, diretor de Planejamento e Projetos do IRM e pai do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL-RJ). Maurício é acusado de ser o responsável por direcionar as licitações em benefício das empresas contratadas. O deputado se manifestou em seu perfil no Instagram, afirmando ter sido surpreendido pela operação e negando qualquer responsabilidade pela nomeação do pai.

Outra figura envolvida é Franquis Dias Nepomuceno, diretor de Desenvolvimento Metropolitano Integrado do IRM, que seria responsável pelo controle da escolta armada do dinheiro. Marcelo Lopes da Silva, procurador do Estado que, na época, estava à frente da Procuradoria-Geral do IRM, também foi denunciado por emitir pareceres que legitimaram contratações irregulares.

Medidas cautelares

O MPRJ solicitou à Justiça o bloqueio e o sequestro de bens dos denunciados e das empresas implicadas, até o valor de R$ 86,3 milhões, além de uma indenização de R$ 200 milhões por danos morais coletivos. A Justiça já determinou o afastamento dos indivíduos de seus cargos públicos.

A investigação foi liderada pelo Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal do MPRJ, em colaboração com o Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Corregedoria da Polícia Civil.

Nota do governo do estado

Em comunicado, o governo do Rio de Janeiro ressaltou que a operação é resultado de um trabalho conjunto entre diferentes órgãos do Estado. A auditoria interna realizada pela Controladoria Geral do Estado (CGE) e pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) detectou irregularidades nos contratos, levando ao encaminhamento formal dos relatórios ao Ministério Público.

O governo detalhou que o Instituto Rio Metrópole é uma autarquia com um mandato fixo de quatro anos para seu presidente, que foi nomeado na gestão anterior e permanecerá no cargo até o final de dezembro de 2026.

Atualmente, o governador interino do Rio de Janeiro é Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Estado, que assumiu o cargo após a renúncia do ex-governador Cláudio Castro, condenado por práticas ilícitas durante a eleição de 2022, conforme decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A discussão acerca da próxima ocupação do cargo de governador, que termina em 2026, será retomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em agosto, quando será decidido se a escolha ocorrerá por meio de eleições diretas ou indiretas.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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