Mudança no Coritiba: Ex-cartões corporativos bancavam até roupas

Redação Rádio Plug
6 min. de leitura
Escudo do Coritiba no Couto Pereira. (Foto: Div...

O Coritiba promoveu uma reformulação expressiva em seus procedimentos internos no que tange à administração de cartões de crédito corporativos. Diante de um cenário nacional marcado por questionamentos e investigações envolvendo dirigentes de outras equipes do futebol brasileiro, o clube do Alto da Glória identificou situações atípicas antes de implementar novas travas de segurança, incluindo o uso de plástico da instituição para a aquisição de vestuário.

A revelação sobre o antigo panorama administrativo foi feita por Pedro Menezes, que atuava como gerente de Suprimentos e Negócios no Alviverde. O profissional deixou a equipe paranaense para integrar o quadro de colaboradores da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Durante o período em que esteve no Coxa, Menezes constatou que havia uma baixa rigidez no monitoramento de 25 cartões corporativos que ficavam sob a responsabilidade de funcionários de diferentes setores.

“Quando a gente analisou, encontramos até compras de roupas”, pontuou o ex-gerente em entrevista concedida anteriormente.

Para mitigar os riscos de irregularidades e assegurar maior transparência aos gastos, a diretoria optou por firmar parceria com a plataforma Paytrack. Com o novo formato, despesas de menor vulto passaram a ser custeadas inicialmente pelos próprios colaboradores com recursos particulares, montante que posteriormente é ressarcido pelo clube. Na prática, a modalidade de cartão corporativo tradicional perdeu espaço e foi praticamente extinta do cotidiano alviverde.

Atualmente, apenas um único cartão corporativo permanece ativo dentro da instituição. O dispositivo fica sob a tutela exclusiva do departamento financeiro, sendo aplicado estritamente na quitação de compromissos que não aceitam outras formas de transação, a exemplo de serviços cobrados por meio de assinaturas periódicas.

“Os colaboradores têm uma conta digital. Por exemplo: a pessoa vai viajar e tem estimado um custo de R$ 10 mil. Então, o Coritiba deposita nessa conta digital os R$ 10 mil, e a pessoa vai utilizando os recursos via pix. Depois, precisa apresentar comprovantes para justificar essas compras”, detalhou o ex-integrante da gestão sobre a dinâmica operacional vigente no clube paranaense.

Bandeira do Coritiba no Couto Pereira. (Foto: Divulgação).

Panorama nos clubes da Série A

O debate sobre a utilização de cartões corporativos no esporte ganhou força após episódios controversos envolvendo ex-mandatários de clubes de expressão nacional. O reflexo dessa discussão motivou levantamentos sobre como as equipes da elite do futebol brasileiro lidam com essa ferramenta financeira.

Entre os vinte participantes da Série A do Campeonato Brasileiro consultados sobre o tema, apenas nove forneceram esclarecimentos a respeito das diretrizes adotadas, limites estabelecidos e perfis autorizados para o uso dos cartões: Atlético-MG, Corinthians, Coritiba, Internacional, Palmeiras, Santos, São Paulo, Vasco e Vitória.

Por outro lado, equipes como o Athletico, Bahia, Botafogo, Red Bull Bragantino, Chapecoense, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Mirassol e Remo optaram por não divulgar detalhes sobre suas respectivas políticas de gestão de pagamentos corporativos.

Casos emblemáticos em São Paulo

A atenção sobre o assunto foi intensificada devido a denúncias formais e sanções aplicadas a ex-presidentes de grandes clubes paulistas. No Corinthians, a gestão de Andrés Sanchez foi alvo de apurações que resultaram na sua expulsão do quadro associativo. O ex-dirigente também passou a responder a processos na esfera judicial após denúncia apresentada pelo Ministério Público.

As auditorias apontaram despesas na ordem de R$ 480.169,60 — valor corrigido por juros e inflação — referentes a transações realizadas entre agosto de 2018 e fevereiro de 2021. O montante incluía aquisições de relógios de alto padrão, passagens por barbearias, estabelecimentos gastronômicos, farmácias, além de atendimento hospitalar e despesas durante viagens de lazer. Sanchez admitiu publicamente o uso inadequado em certas ocasiões, justificando ter trocado o cartão pessoal pelo corporativo, e chegou a ressarcir o clube em R$ 15 mil.

Um cenário análogo ocorreu no São Paulo com a gestão de Julio Casares. O ex-presidente utilizou valores superiores a R$ 1 milhão ao longo de seu mandato e efetuou a devolução de R$ 560.401,74 aos cofres tricolores. Registros indicam dezenas de utilizações em estabelecimentos comerciais voltados a charutos e restaurantes de alto padrão na capital paulista, além de gastos em lojas de grife internacional e despesas com cuidados estéticos e de saúde.

Após enfrentar contestações políticas que culminaram em sua renúncia antes da votação definitiva em assembleia, o ex-mandatário são-paulino passou a ser alvo de investigações conduzidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público, que apuram tanto o uso de suprimentos financeiros quanto a exploração comercial de dependências no estádio do Morumbi.

Fonte:: umdoisesportes.com.br

Anúncios
Compartilhe este artigo