Inovações em inteligência artificial e robótica impressionam visitantes na China
A mais recente geração de robôs inteligentes se consolidou como uma das principais atrações para o público que visitou a Conferência Internacional de Inteligência Artificial (Waic). O evento tecnológico ocorreu em Xangai entre os dias 17 e 20 de julho, reunindo uma vasta gama de inovações do setor e atraindo especialistas, entusiastas e curiosos de diversas partes do mundo.
Entre mais de 100 robôs expostos durante a conferência, um dos modelos que mais chamou a atenção do público foi desenvolvido pela empresa chinesa AheadForm. O equipamento se destacou principalmente pelo alto nível de detalhamento em suas feições humanas, impressionando quem passava pelo estande.
O destaque do modelo Origin F-1
O exemplar exibido pela marca foi o Origin F-1, um robô com características femininas que conta com uma camada de revestimento em pele de silicone. Além da textura visualmente realista, o modelo demonstrou capacidade de expressar reações através dos olhos — incluindo o ato de piscar em um ritmo bastante similar ao de um ser humano — e também realizava movimentos sincronizados com a boca.
O projeto exibido consistia na parte superior do corpo, sem a presença de membros como braços ou pernas. Operando por meio de um software avançado integrado com inteligência artificial, o robô mostrou capacidade de manter conversas fluidas com os visitantes.
Confira os detalhes da tecnologia apresentada no vídeo abaixo (1min40s):
Realismo visual e estratégia de design
O principal objetivo da AheadForm ao projetar esses dispositivos é alcançar o máximo de proximidade possível com a aparência de um ser humano real. No entanto, os desenvolvedores incorporam deliberadamente traços sutis e olhos de proporções maiores, lembrando personagens de animação, com o propósito de gerar maior empatia e receptividade junto ao público.
A companhia também levou para o evento variações de seus modelos com aparências inspiradas em elfos, figuras tradicionais da mitologia nórdica. Outros expositores também apresentaram robôs humanoides interativos, permitindo que os visitantes testassem o tato. Embora a pele de silicone pareça bastante convincente à distância, o contato físico ainda revela texturas distintas da pele humana biológica. Esses protótipos também conseguiam reproduzir reações mecânicas sutis, como tremores controlados e piscadas.
Foco da indústria e desafios de aceitação
Apesar da grande repercussão visual dos robôs com rostos detalhados, a replicação de feições humanas não representa a prioridade atual da indústria de robótica na China. A imensa maioria dos humanoides desenvolvidos no mercado asiático dispensa rostos expressivos, uma vez que o foco principal dessas máquinas é o desempenho de funções utilitárias em ambientes industriais e no varejo.
Nesse contexto comercial e operacional, a prioridade das empresas é o aprimoramento contínuo dos sistemas, a redução de custos de fabricação e o ganho de eficiência nas tarefas cotidianas, deixando em segundo plano a necessidade de interações sociais complexas com seres humanos.
Outro fator determinante para essa escolha estratégica é a barreira psicológica conhecida como o “vale da estranheza”. Projetar robôs com uma semelhança excessiva à anatomia humana pode, paradoxalmente, gerar sentimentos de estranhamento e desconfiança em parte do público.
Durante uma das palestras do evento, o diretor sênior de marca da XPeng, Daniel Wu, comentou sobre o tema. Segundo ele, essa mesma conclusão foi alcançada pelo grupo de engenheiros responsável pelo desenvolvimento do Iron, um robô projetado para atuar como companheiro. O modelo ganhou notoriedade no ano anterior justamente pela fluidez e naturalidade de seus movimentos corporais, simulando com precisão a dinâmica humana sem focar excessivamente na simulação facial.
Fonte:: poder360.com.br





