Ataques cibernéticos do tipo ddos disparam no brasil durante o primeiro semestre

Redação Rádio Plug
6 min. de leitura
Foto: Divulgação / Foto: Ana Paula Lobo Mande um e-mail

O cenário de segurança cibernética no Brasil registrou marcas alarmantes nos primeiros sete meses de 2026. Um levantamento conduzido pela Huge Networks, empresa brasileira especializada em mitigação de ataques DDoS (Negação de Serviço Distribuída), revelou um salto de 85% no volume total de incidentes bloqueados em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os dados acendem um alerta para empresas, operadoras e órgãos públicos que dependem de infraestrutura digital contínua.

O ápice dessa escalada ocorreu no mês de julho, quando a companhia registrou a marca histórica de 6,86 Tbps de tráfego malicioso mitigado em sua rede. O número representa um crescimento expressivo de 185% em relação ao volume interceptado em junho, configurando o maior patamar já documentado pela empresa desde a sua fundação, em 2014. No acumulado entre janeiro e julho, a infraestrutura de proteção foi acionada para barrar mais de 521 mil tentativas de invasão e derrubada de serviços.

A análise comparativa do período demonstra que a volumetria de tráfego malicioso esteve em constante expansão. Ao confrontar o primeiro e o sétimo mês do ano, observa-se uma alta de 61% no volume de dados maliciosos detectados, partindo de 4,26 Tbps em janeiro e alcançando o recorde em julho.

Aumento na frequência e foco na Camada de Transporte

Não apenas o volume de dados aumentou, mas também a constância com que os criminosos tentam sobrecarregar os servidores. A frequência das investidas apresentou uma curva ascendente acentuada ao longo dos meses. Em janeiro, os sistemas de monitoramento registraram 85.158 anomalias. Já em julho, o volume de ocorrências quase duplicou, atingindo 157.768 tentativas de ataque.

Do ponto de vista técnico, os cibercriminosos mantiveram um padrão focado na infraestrutura de rede. A Camada 4 (Transporte) do modelo OSI foi o alvo escolhido em 100% dos meses avaliados na série estatística. Somente em julho, essa camada específica concentrou 85,53% de todas as investidas mapeadas, evidenciando uma estratégia direcionada para esgotar os recursos de largura de banda das vítimas.

O recorde de 6,86 Tbps em julho foi impulsionado, em grande parte, por um ataque massivo direcionado a uma operadora de telecomunicações situada na região Sudeste do país. A ofensiva durou aproximadamente três horas e vinte minutos. Graças à atuação da tecnologia de mitigação, o ataque foi integralmente neutralizado, permitindo que a operadora mantivesse seus serviços totalmente operacionais e blindando os consumidores finais contra qualquer tipo de instabilidade ou interrupção.

Para se ter dimensão da agressividade do episódio, o pico de julho superou em 53% o recorde anterior da empresa, que havia sido estabelecido em dezembro de 2025 com 4,47 Tbps. O volume também representa quase três vezes o pico registrado em junho de 2026, que ficou em 2,40 Tbps. No jargão técnico, incidentes que ultrapassam a marca de 1 Tbps são classificados como hipervolumétricos, exigindo defesas altamente escaláveis e automatizadas.

Mudanças no mapa de ameaças e o protagonismo do Sul

Outro ponto de destaque no relatório divulgado pela Huge Networks diz respeito à movimentação geográfica das origens ou dos alvos preferenciais das anomalias. O mapa de incidência sofreu reviravoltas expressivas ao longo do semestre.

Em julho, Santa Catarina assumiu a liderança nacional ao concentrar 25% de todas as tentativas de ataque detectadas no período. O estado catarinense foi acompanhado de perto pelo Paraná, que registrou 15,7%, São Paulo com 15,6%, Rio Grande do Sul com 14,8% e Minas Gerais com 7,7%.

Com esses números, a região Sul do Brasil respondeu por impressionantes 55,5% do total de ocorrências de ataques no mês de julho. Esse comportamento contrasta fortemente com o cenário observado nos meses anteriores. Em maio, por exemplo, o Pará liderou o ranking com 23,8%, com estados das regiões Norte e Nordeste respondendo por mais da metade dos episódios. Já em junho, São Paulo retomou a ponta com 25,8%, enquanto Norte e Nordeste detinham 34,37%.

Essa rotação constante na geografia das ameaças ao longo do semestre indica que os grupos por trás dessas operações maliciosas estão redirecionando estrategicamente seus alvos, alternando entre diferentes estados e setores econômicos do território brasileiro.

Erick Nascimento, CEO e fundador da Huge Networks, avalia que os números refletem uma tendência estrutural e não um evento isolado. “O crescimento de 185% em volumetria em apenas um mês não é um pico isolado, mas parte duma escalada consistente que observamos em nossa operação”, pontua o executivo.

Segundo Nascimento, a persistência dos ataques na Camada de Transporte revela a intenção deliberada de causar o máximo dano operacional aos alvos. “Nossa infraestrutura nacional nos permite monitorar essas tendências em tempo real e proteger operações críticas de ISPs, bancos e órgãos públicos”, conclui.

Fonte:: convergenciadigital.com.br

Anúncios
Compartilhe este artigo