ECA Digital completa um ano e cobra relatórios de transparência das plataformas

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Foto: Ana Paula Lobo Mande um e-mail

O Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital) completa um marco importante em sua trajetória, exigindo que grandes plataformas tecnológicas publiquem seus primeiros relatórios semestrais de transparência. A medida, que visa garantir um ambiente virtual mais seguro para menores de idade no Brasil, estabelece que empresas com mais de um milhão de usuários cadastrados com menos de 18 anos apresentem dados detalhados sobre suas operações e medidas de proteção.

Desde a sanção da legislação, em setembro do ano passado, e sua entrada em vigor efetiva, o cenário digital brasileiro passou a contar com diretrizes rígidas voltadas à salvaguarda desse público. A fiscalização do cumprimento dessas normas foi atribuída à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que assumiu o papel de agência reguladora federal, intensificando o monitoramento sobre fornecedores de produtos e serviços de tecnologia da informação.

Transparência e fiscalização em andamento

Para assegurar a clareza na implementação das novas regras, a autarquia federal disponibilizou em seus canais oficiais um cronograma voltado aos mecanismos de aferição de idade. Esse processo se estende até o início de 2027, período em que a fiscalização sobre o setor tecnológico se tornará ainda mais rigorosa. Especialistas e entidades do setor participaram ativamente de consultas públicas para aprimorar os guias orientativos que auxiliam as empresas a se adequarem às exigências legais.

Além disso, a ANPD instituiu um canal de denúncias exclusivo para tratar de infrações ao ECA Digital. Desde a sua criação, centenas de relatos foram registrados, com predominância de queixas relacionadas à falta de barreiras adequadas para impedir o acesso de crianças e adolescentes a conteúdos impróprios ou inadequados para suas faixas etárias.

Impactos na arquitetura das plataformas

Uma das principais transformações promovidas pela legislação foi a mudança na abordagem das empresas de tecnologia em relação à segurança. Em vez de deixar a proteção a cargo dos responsáveis, o ECA Digital estabelece o conceito de segurança desde a concepção e por padrão. Isso significa que as plataformas devem integrar ferramentas protetivas diretamente na arquitetura de seus sistemas.

Na prática, isso se traduz em contas com configurações de privacidade mais restritivas para menores, limitações em formas de comunicação e a exigência de maior participação dos pais ou responsáveis em alterações sensíveis de perfil. A autodeclaração de idade, considerada frágil, deixa de ser aceita como única barreira de controle.

Ações preventivas e monitoramento

O trabalho de monitoramento da agência reguladora tem gerado desdobramentos práticos. Lojas de aplicativos, sistemas operacionais e plataformas de streaming e conteúdo adulto já são alvo de apurações para verificar a eficácia de suas ferramentas de verificação etária. A atuação da ANPD não se restringe apenas a diretrizes educativas, mas também engloba medidas cautelares quando há risco iminente.

Um exemplo recente envolveu o aplicativo Discord, que passou a ser investigado por falhas na prevenção e mitigação de riscos associados a conteúdos de automutilação e assédio envolvendo menores. A agência determinou a suspensão temporária das transmissões ao vivo na plataforma até que fossem adotadas salvaguardas eficientes, reforçando o rigor no cumprimento da nova legislação.

O conteúdo dos relatórios exigidos

O documento que deve ser disponibilizado pelas empresas de internet nesta semana precisa conter informações fundamentais sobre a operação dos serviços voltados ou acessados por menores. Entre os dados obrigatórios estão o funcionamento dos canais de denúncia, o volume de notificações recebidas e tratadas, as ações de moderação de contas e conteúdos, além dos avanços técnicos voltados à privacidade e ao consentimento parental.

Com essas exigências, o ecossistema digital brasileiro avança na consolidação de normas que responsabilizam desenvolvedores e mantenedores de redes sociais, aplicativos e sites pela segurança digital das futuras gerações.

Fonte:: convergenciadigital.com.br

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