A fabricante de chips de GPU (Unidade de Processamento Gráfico) Moore Threads divulgou no domingo (9.ago.2026) um balanço financeiro expressivo referente ao primeiro semestre de 2026. A companhia registrou um crescimento de 147,4% em sua receita na comparação com o mesmo período do ano anterior, atingindo a marca de US$ 260 milhões, o equivalente a cerca de R$ 1,3 bilhão.
A empresa tem negociações de suas ações no STAR Market, um segmento voltado para companhias de alta tecnologia na Bolsa de Valores de Xangai. O apelido de “Nvidia chinesa” surgiu porque a organização foi estabelecida em junho de 2020 por Zhang Jianzhong, um ex-executivo da gigante norte-americana.
No relatório financeiro semestral, a Moore Threads detalhou que o lucro bruto — montante que sobra das vendas após a dedução dos custos diretos de produção ou aquisição, antes da incidência de despesas fixas, impostos e juros — chegou a US$ 146,5 milhões (aproximadamente R$ 744,9 milhões). Esse valor representa uma alta de 103,8% em relação aos primeiros seis meses de 2025.
Apesar da expansão acelerada nos negócios, a fabricante ainda opera com resultado líquido negativo. O prejuízo atribuído aos acionistas no período foi de US$ 1,6 milhão (R$ 8 milhões), um patamar considerado baixo e controlável para uma companhia do setor tecnológico com exatamente seis anos de existência.
Os dados financeiros demonstram que a organização se aproxima do ponto de equilíbrio financeiro, momento em que a geração de caixa se torna suficiente para cobrir os custos operacionais e iniciar uma trajetória consistente de lucro líquido.
Para contextualizar a evolução, no primeiro semestre de 2025 o prejuízo líquido aos acionistas havia sido de US$ 40 milhões (R$ 203 milhões). Em apenas um ano, a companhia conseguiu enxugar o saldo negativo em 95,7%.
No setor de tecnologia, trajetórias similares fazem parte do desenvolvimento histórico. A própria Nvidia, fundada em 1993, levou cerca de cinco anos para alcançar relevância comercial expressiva e precisou de muito mais tempo até se consolidar como altamente lucrativa.
De acordo com a administração da Moore Threads, o salto nas vendas decorre da forte expansão da demanda por inteligência artificial (IA) no mercado chinês, principal foco de atuação da companhia. As unidades de processamento gráfico tornaram-se vitais para a indústria atual, visto que sua arquitetura de processamento supera largamente a capacidade das CPUs tradicionais (Unidade de Processamento Central).
Dessa forma, os componentes fornecem desempenho de ponta tanto para etapas de treinamento quanto de inferência de modelos de IA, além de trazer ganhos significativos em diversas aplicações que dependem de computação acelerada.
A trajetória da empresa no mercado financeiro inclui uma oferta pública inicial (IPO) realizada em Xangai em dezembro de 2025, operação que movimentou US$ 1,1 bilhão (R$ 5,6 bilhões). Agora, os planos da diretoria envolvem uma nova listagem de ações em Hong Kong, prevista para acontecer ainda em agosto de 2026.
O avanço dos concorrentes no mercado de semicondutores
A Moore Threads não está isolada no cenário de alta aceleração financeira entre as fabricantes chinesas de chips voltados para inteligência artificial. Outras três empresas do setor reportaram expansões expressivas em seus balanços recentes do primeiro trimestre, aguardando a consolidação completa do semestre.
O grupo é composto por Biren, MetaX e Enflame Technology.
Junto à Moore Threads, essas organizações formam o bloco conhecido no mercado asiático como os “quatro pequenos dragões” da indústria de GPUs da China.
O avanço percentual nas receitas registrado no primeiro trimestre de 2026 evidencia o ritmo do setor:
- MetaX – alta de 75,37%;
- Enflame Technology – alta de 1.474,85%;
- Biren – alta de 207,2%.
Analistas apontam que esse crescimento acelerado também é impulsionado pelas restrições comerciais e tecnológicas impostas pelos Estados Unidos à China, tendo a Nvidia como centro das discussões geopolíticas.
Como o governo norte-americano proíbe a comercialização de chips avançados da marca estadunidense para o território chinês, o ecossistema local tem direcionado investimentos massivos para o desenvolvimento interno de soluções e hardwares de ponta.
Fonte:: poder360.com.br




