Impacto do El Niño no aumento de crises alérgicas e respiratórias

Redação Rádio Plug
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Foto: Alergias de outono (Freepik)

As variações climáticas intensificadas pelo fenômeno El Niño têm gerado reflexos diretos na saúde da população, com um crescimento expressivo nos quadros de alergias respiratórias, irritações oculares e problemas de pele em diversas regiões. O aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico altera a umidade do ar, provoca períodos de chuvas intensas ou estiagem severa e modifica os ciclos da natureza, criando um cenário desafiador para quem sofre com hipersensibilidade.

A relação entre o clima extremo e a fragilidade das vias aéreas

De acordo com Fátima Rodrigues Fernandes, presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), o bem-estar do sistema respiratório está intrinsecamente ligado às condições do tempo. A especialista aponta que a exposição contínua à poluição atmosférica, somada a oscilações térmicas drásticas, agride e enfraquece as vias aéreas.

A médica enfatiza que o El Niño não atua como o causador direto das enfermidades, mas sim como um amplificador de alterações climáticas que resultam em complicações para a saúde pública. Condições como asma, rinite alérgica e infecções respiratórias tornam-se mais frequentes nesse período. Além disso, quadros de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), embora não tenham origem alérgica, podem se manifestar de forma simultânea à asma.

Eventos extremos, como chuvas volumosas e enchentes, elevam consideravelmente a proliferação de fungos tanto no interior quanto no exterior das residências. Situações de emergência também forçam interrupções nos tratamentos médicos, dificultando o acesso a consultas, controle de doenças e aquisição de medicamentos essenciais. Outro ponto de atenção são as ondas de calor e a baixa umidade do ar, que podem descompensar problemas cardíacos, provocar desidratação, insolação e exaustão física.

Como minimizar alérgenos e proteger o ambiente doméstico

Para mitigar os impactos dentro de casa, a principal recomendação é a realização de uma limpeza mecânica rigorosa para a remoção de poeira, ácaros e mofo. Especialistas indicam o uso de aspiradores equipados com filtro HEPA em colchões, travesseiros, sofás e almofadas. A troca da roupa de cama deve ocorrer pelo menos uma vez por semana, e a presença de bichos de pelúcia precisa ser evitada.

A limpeza de superfícies deve ser feita com panos úmidos. Fumaça de cigarro, derivados de petróleo e produtos de limpeza com odores fortes também devem ser mantidos longe de pessoas alérgicas. Ambientes arejados e bemventilados ajudam a controlar a proliferação de ácaros e pelos de animais.

O desafio do pólen e o controle da umidade

Diferente dos alérgenos domésticos, o pólen é externo, o que impede sua remoção por meio de limpeza comum. Com as alterações no ciclo das plantas provocadas pelas variações climáticas, as temporadas de polinização podem se estender. Pessoas sensíveis devem manter janelas e portas vedadas durante esses períodos.

No uso de equipamentos de climatização, o ar-condicionado exige higienização constante. Já umidificadores e desumidificadores precisam manter a umidade relativa do ar entre 40% e 60%. Tanto o ar excessivamente seco quanto o muito úmido prejudicam as mucosas ou estimulam o crescimento de fungos.

Riscos da automedicação e tratamentos adequados

O uso indiscriminado de descongestionantes nasais é apontado pelos especialistas como um perigo frequente. Embora tragam alívio rápido por meio da vasoconstrição, esses produtos geram um efeito rebote, fazendo com que a congestão retorne ainda mais forte e crie dependência — quadro conhecido como rinite medicamentosa. O uso deve ser restrito a crises intensas e por no máximo dois dias.

Em crianças pequenas, esses medicamentos podem atingir o sistema nervoso central, provocando convulsões, alterações neurológicas e arritmias. Em idosos, aumentam os riscos cardiovasculares. O uso por conta própria de antialérgicos também é desaconselhado devido ao risco de diagnósticos errôneos e efeitos colaterais.

O tratamento ideal para a rinite alérgica envolve o uso de sprays nasais anti-inflamatórios, geralmente à base de corticoide inalatório, que agem diretamente no combate à inflamação da mucosa. O diagnóstico diferencial entre alergia e gripe baseia-se na repetição frequente de sintomas como espirros, coceira e coriza, lembrando que indivíduos alérgicos apresentam maior suscetibilidade a infecções secundárias.

Cuidados com os olhos e a pele

Os olhos, por não possuírem a barreira mucociliar presente nas vias respiratórias, tornam-se extremamente vulneráveis ao tempo seco e à poluição. Cerca de 80% dos pacientes com rinite alérgica também desenvolvem conjuntivite, caracterizada por vermelhidão, coceira e irritação. O uso de colírios hidratantes adequados auxilia na eliminação de detritos, mas produtos medicamentosos exigem prescrição médica.

Nas alergias de pele, destacam-se a dermatite atópica, a urticária e a dermatite de contato, cujos sintomas envolvem coceira intensa, vermelhidão e descamação. Em casos graves de dermatite atópica, o ato contínuo de coçar os olhos pode desencadear o ceratocone, alterando a estrutura da córnea e exigindo acompanhamento oftalmológico rigoroso para evitar prejuízos permanentes à visão.

Fonte:: bemparana.com.br

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