O coordenador do núcleo econômico da campanha de Flavio Bolsonaro, Luiz Felipe Trevisan, detalhou nesta quarta-feira, 12, durante o VI Seminário TelComp 2026, as diretrizes da plataforma econômica que o grupo pretende adotar em um eventual mandato presidencial. Entre as principais propostas apresentadas está a retomada do programa de desestatizações, com foco na venda de empresas estatais federais, seguindo a linha adotada em gestões anteriores na esfera federal.
De acordo com o representante da campanha, a estratégia econômica gira em torno da administração dos ativos pertencentes à União, avaliados atualmente em aproximadamente R$ 6 trilhões. A intenção do grupo é propor uma emenda constitucional de grande porte, descrita como uma “super PEC”, com o objetivo de conferir maior celeridade aos trâmites burocráticos necessários para a venda de empresas estatais.
Durante sua exposição no evento do setor de telecomunicações, Trevisan pontuou que o governo federal possui atualmente 44 empresas sob controle direto e outras 73 sob controle indireto. Na visão do coordenador econômico, menos da metade das companhias diretamente controladas pelo Estado apresenta justificativa para manter o vínculo público. “Há empresas que são essenciais, como por exemplo a Caixa Econômica Federal. Mas por outro lado, não devemos ter empresas estatais do setor de telecomunicações. Vamos ver o que é estratégico para saber o que deve ser desfeito”, declarou.
A avaliação da equipe econômica é de que a alienação de ativos federais, englobando tanto as companhias quanto o patrimônio imobiliário da União, tem potencial para injetar cerca de R$ 500 bilhões nos cofres públicos.
Diretrizes para conectividade e o uso do Fust
No que tange especificamente ao mercado de telecomunicações, a pauta da campanha abordou a universalização do acesso à rede. O coordenador econômico destacou que, embora a posse de aparelhos celulares atinja patamares elevados entre a população e as famílias brasileiras, uma parcela expressiva desses usuários permanece desprovida de planos de dados ativos para navegação na internet.
Diante desse cenário, a proposta econômica prevê a reorientação do uso dos recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust). A meta estipulada pelo grupo é direcionar essas verbas para programas voltados a garantir acesso à internet para as camadas da população que ainda enfrentam barreiras de conectividade.
Pilares estruturais da agenda econômica
Além da gestão e venda de ativos estatais, o programa econômico apresentado para a candidatura de Flavio Bolsonaro apoia-se em quatro eixos centrais de atuação governamental:
- Nova governança do orçamento: A equipe aponta a necessidade de reformular o modelo orçamentário brasileiro atual, classificado pelo representante como uma peça dissociada da realidade fiscal. A proposta envolve o envio da “super PEC” para redefinir as atribuições de execução e controle de despesas entre os Três Poderes.
- Ajuste fiscal: O plano econômico estipula cortes de gastos primários estimados na faixa de R$ 200 bilhões. O argumento central é a redução do tamanho da máquina pública para diminuir a ineficiência estatal e aliviar a carga tributária necessária para manter a estrutura atual.
- Governança tecnológica: O eixo foca na incorporação intensiva de inovação tecnológica e inteligência artificial na administração pública, visando a otimização dos processos de gestão.
- Reforma administrativa: A campanha também prevê a reestruturação das carreiras do setor público como ferramenta complementar para modernizar o funcionamento do Estado.
Fonte:: convergenciadigital.com.br




