A Coreia do Norte realizou o lançamento de vários mísseis balísticos de curto alcance nesta quinta-feira, 20. A movimentação militar foi confirmada pelas autoridades de defesa e pelo Exército da Coreia do Sul, ocorrendo poucas horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar publicamente que pretende se reunir ainda este ano com o líder norte-coreano, Kim Jong-un.
Na quarta-feira, 19, durante pronunciamento a jornalistas na Casa Branca, Trump sinalizou que se encontrará com Kim Jong-un em uma tentativa de reativar o vínculo diplomático construído durante o seu primeiro mandato presidencial.
Pouco tempo depois do anúncio, o Estado-Maior Conjunto de Seul emitiu um comunicado inicial informando sobre o disparo de um projétil não identificado. Em seguida, um funcionário do órgão militar detalhou à agência France-Presse (AFP) que foram computados cerca de 10 mísseis balísticos de curto alcance disparados a partir da região próxima à capital norte-coreana, Pyongyang.
Repercussão política e arsenal nuclear
A resposta de Pyongyang veio acompanhada de declarações fortes da influente irmã do líder norte-coreano, Kim Yo-jong. Segundo ela, a decisão do governo americano de reduzir os exercícios militares conjuntos com as forças sul-coreanas representa um castigo merecido para Seul.
“Esta súbita mudança dos acontecimentos é um desastre merecido, provocado pelas fantasias delirantes e anacrônicas e pela visão de segurança das autoridades sul-coreanas, que seguem de maneira cega o seu mestre”, pontuou Kim Yo-jong por meio de nota oficial.
Durante suas declarações na quarta-feira, o presidente americano mencionou que a Coreia do Norte possui atualmente 57 ogivas nucleares consideradas de alto potencial destrutivo. No entanto, em uma avaliação apresentada a parlamentares nesta quinta-feira, o ministro da Defesa sul-coreano, Ahn Gyu-back, elevou essa estimativa, apontando que o regime de Pyongyang pode deter entre 80 e 120 armas nucleares, embora tenha evitado cravar um número exato.
Impacto geopolítico na Ásia
A guinada repentina na postura diplomática de Washington e a concordância em encurtar os treinamentos militares bilaterais geraram preocupação entre os aliados tradicionais dos Estados Unidos na região asiática. Analistas apontam que o movimento pode ser uma tentativa da administração republicana de consolidar resultados na política externa.
Apesar da retórica e dos lançamentos recentes, Kim Yo-jong afirmou na quarta-feira não ter conhecimento prévio sobre qualquer canal de comunicação direto atual entre seu irmão e o presidente norte-americano. Contudo, ela assegurou que o líder do país asiático mantém “boas lembranças e uma boa impressão” de Trump, classificando a relação pessoal entre ambos como excelente.
As Forças Armadas de Seul informaram na quarta-feira que as manobras militares com Washington terminarão na sexta-feira, 21, antecipando o cronograma inicial que previa o encerramento apenas para o dia 27 de agosto, atendendo a uma solicitação direta do lado norte-americano.
Fonte:: estadao.com.br




