Como o clássico Atletiba e as fortes chuvas moldaram a estratégia do Santos

Redação Rádio Plug
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Cuca comemora gol com jogadores do Santos. (Fot...

As intensas precipitações que castigaram Curitiba e comprometeram o andamento do tradicional clássico entre Coritiba e Athletico repercutiram diretamente nos bastidores do futebol nacional. O temporal não apenas alterou os ânimos no Sul do país, mas também serviu de base para que a comissão técnica do Santos redesenhasse sua estratégia tática para o compromisso seguinte no Campeonato Brasileiro, disputado contra o Cruzeiro.

O técnico Cuca, acompanhado por seus auxiliares, dedicou tempo para analisar minuciosamente o confronto paranaense e as condições extremas em que ele ocorreu. O acúmulo de água e o desgaste severo dos gramados tanto na capital paranaense quanto no litoral paulista acenderam um alerta na equipe alvinegra, forçando uma mudança de planos de última hora para o duelo na Vila Belmiro.

Cuca, técnico do Santos. (Foto: Raul Baretta/Santos)

Inicialmente, a projeção interna da comissão técnica santista apontava para a utilização de uma linha defensiva tradicional com quatro defensores, esquema que contaria com a improvisação do jovem zagueiro João Ananias na lateral-esquerda. Contudo, diante do cenário de gramado castigado pelas chuvas e da necessidade de imposição física, o comandante optou por modificar radicalmente a estrutura tática, adotando um sistema com três defensores centrais.

De acordo com análises de bastidor reveladas pelo jornalista Lucas Musetti, a percepção de que o gramado estaria pesado exigia maior eficiência no jogo aéreo e jogadores com alta versatilidade tática. A aposta da comissão foi confiar na inteligência de atletas polivalentes para assimilar rapidamente uma formação que sequer havia sido testada exaustivamente nos treinamentos semanais.

A escolha tática e a estreia de Everton Cebolinha

Além da alteração na retaguarda, Cuca promoveu uma novidade importante no setor ofensivo ao escalar o atacante Everton Cebolinha exercendo a função de ala-esquerdo. A decisão foi tomada após o treinador destrinchar o comportamento do Athletico no compromisso anterior diante do próprio Cruzeiro, identificando como os paranaenses conseguiam compactar o meio-campo e gerar dificuldades para o adversário.

A ousadia surtiu efeito prático dentro das quatro linhas. O Santos superou o Cruzeiro pelo placar de 2 a 1, com tentos assinalados por Rollheiser e por Fabrício Bruno, que acabou marcando contra a própria meta. Com o triunfo, o Peixe emendou uma sequência positiva de quatro vitórias nos últimos cinco embates, saltando para 35 pontos na tabela de classificação e abrindo uma margem considerável de sete pontos em relação à zona de rebaixamento.

Os números refletem a guinada da equipe na competição. Conforme projeções estatísticas do Departamento de Matemática da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a probabilidade de rebaixamento do clube santista para a Série B despencou para apenas 1,8%.

Críticas pesadas ao estado do gramado no Couto Pereira

Enquanto o Santos colhia os frutos de sua adaptação rápida, o cenário em Curitiba após o apito final do Atletiba foi marcado por fortes reclamações por parte dos comandantes das equipes paranaenses. O confronto, que terminou empatado em 3 a 3 após muita movimentação, ficou marcado pelas condições degradantes do gramado do estádio Couto Pereira, severamente encharcado pelas fortes chuvas que caíram antes e durante o espetáculo.

O técnico Fernando Seabra, à frente do Coritiba, expressou insatisfação com a decisão da arbitragem, liderada por Wagner do Nascimento Magalhães, de dar início à partida mesmo com poças visíveis e a bola ficando retida em vários pontos do campo.

“A gente compartilhou entre nós que não tinha condição de jogar futebol e decidiu conversar com o Wagner. Colocou que a qualidade do jogo vai estar prejudicada e tem muito risco de lesão. Ele, obviamente, é o árbitro, assume a responsabilidade e o critério é sempre dele. É uma coisa ruim para o Campeonato Brasileiro”, pontuou o treinador.

Do lado rubro-negro, o técnico Odair Hellmann corroborou as críticas severas à conservação do espetáculo e à falta de preservação da integridade física dos atletas em um compromisso de grande peso na tabela.

Atletiba acabou sendo prejudicado pelas condições climáticas. Foto: Jow Baker/Fotoarena/Sipa USA/IconSport

“Não jogamos futebol, nós ficamos lutando, chutando bola para frente, chutando bola para frente, bola parada, cobrança de lateral. Um clássico desse nível, no momento que os dois clubes estão na tabela, tinha que ter um pouquinho mais de consideração e respeito pelo futebol paranaense, para que a gente pudesse jogar um jogo de futebol de verdade e quem jogasse melhor conseguisse a vitória”, criticou duramente o comandante do Furacão.

Apesar do atraso pontual no protocolo inicial e da impraticabilidade do terreno em diversos setores do campo, Coritiba e Athletico entregaram um duelo de muitas reviravoltas e gols, mas que deixou evidente a urgência de debates sobre a infraestrutura e a drenagem dos palcos esportivos no futebol brasileiro.

Fonte:: umdoisesportes.com.br

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