Artista paranaense transforma letras em murais urbanos e carrega mensagens de resistência por Curitiba

Redação Rádio Plug
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Cris Pognoncelli: poema de Alice Ruiz foi recus...

Conhecido por moradores e turistas que transitam nas proximidades do Passeio Público, o imponente mural com a palavra “Coragem” vai muito além de uma simples intervenção estética na paisagem de Curitiba. A obra colorida funciona como um verdadeiro manifesto visual que resume a trajetória de sua criadora: a designer gráfica, muralista e artista visual Cristina Pagnoncelli.

Natural de Pato Branco, no sudoeste paranaense, a artista construiu sua reputação internacional por meio do *lettering*, a técnica artesanal de desenhar letras transformando-as em poesia visual. Suas criações carregam fortes críticas sociais e abordam temas como o empoderamento feminino, desafiando padrões tradicionais e abrindo espaço para a visibilidade de outras mulheres no cenário artístico.

Estabelecida na capital paranaense desde a juventude, Pagnoncelli levou sua assinatura tipográfica para diversos países. Entre seus trabalhos de destaque está um mural pintado no Brooklyn, em Nova Iorque, que presta homenagem ao poeta Paulo Leminski com o termo “Perhapiness”. Essa jornada internacional e local foi moldada por constantes superações, tendo a coragem como palavra de ordem — conceito que ganhou forma definitiva em um dos maiores prédios do centro curitibano em 2021.

Do design tradicional aos primeiros passos na arte urbana

Aos 41 anos, Cris Pagnoncelli passou a infância em Pato Branco e mudou-se aos 15 anos para Cascavel, na região Oeste. Três anos mais tarde, fixou residência em Curitiba para cursar o ensino superior. Embora tenha considerado inicialmente a faculdade de Odontologia, um teste vocacional a direcionou para o design gráfico, área que abraçou devido ao apreço por trabalhos manuais e colagens desde os tempos de escola.

O envolvimento com as artes visuais começou cedo. Aos nove anos, frequentava cursos de pintura e, aos onze, executou seu primeiro mural de rua ao lado de um grupo de colegas. Após concluir a graduação, atuou por cinco anos em agências publicitárias locais. No entanto, a insatisfação com a rotina corporativa e o sentimento de produzir conteúdos efêmeros motivaram uma mudança drástica em sua vida aos 24 anos, quando decidiu morar em Barcelona, na Espanha.

Vivências internacionais e a redescoberta criativa

O período de nove meses em solo europeu, entre 2009 e 2010, incluiu uma pós-graduação em Ilustração Criativa e Técnicas de Comunicação Visual. A experiência exigiu adaptação a uma nova cultura e idioma, servindo como um divisor de águas que a artista descreve como uma verdadeira gestação profissional, reacendendo seu interesse pelas técnicas manuais.

Anos depois, entre 2012 e 2013, viveu por seis meses em Nova Iorque para estudar *visual branding* e ilustração. O contato direto com a cultura urbana norte-americana, marcada por sinalizações vintage e intervenções tipográficas no Brooklyn, mudou permanentemente sua percepção artística para o retorno ao Brasil.

De volta a Curitiba, iniciou os trabalhos com *chalk lettering* — a arte de desenhar com giz em lousas — em paredes de cafeterias locais, muitas vezes em regime de permuta. Com o tempo, aprimorou os estudos em tipografia e cofundou o coletivo Criatipos ao lado de Silvia Costa, Eduilson Coan e Jackson Alves. O grupo ganhou projeção nacional ao pintar ao vivo no festival Lollapalooza e realizar oficinas em países como Argentina, Espanha e Itália.

Ativismo e a superação que gerou o mural icônico

Há uma década, a artista coordena o projeto social “Lute Todos os Dias”, um calendário anual voltado para dar destaque à produção artística feminina e arrecadar recursos para causas beneficentes. A iniciativa, que funcionou por dez anos de maneira voluntária, passa atualmente por um processo de reestruturação para garantir a remuneração das participantes e a profissionalização da gestão.

O famoso mural “Coragem”, localizado no centro da capital paranaense, nasceu de uma reviravolta. Inicialmente, a intenção era estampar um poema da escritora Alice Ruiz que continha a palavra “úmida”. Contudo, a proposta foi rejeitada pelos administradores do edifício devido ao teor interpretado como sexual.

Diante da frustração inicial, a muralista decidiu ressignificar o espaço concedido em uma lateral de seis andares. Durante o processo de pintura, a palavra central surgiu spontaneamente como um reflexo de sua própria persistência para concluir o maior projeto de sua carreira até aquele momento.

coragemO mural “Coragem”, no Centro de Curitiba: mais do que uma mensagem motivacional (Foto: Divulgação/Cris Pagnoncelli)

Fonte:: bemparana.com.br

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