O presidente sul-coreano Lee Jae-myung defendeu que os Estados Unidos adotem uma estratégia voltada para o congelamento do programa nuclear da Coreia do Norte, em substituição à exigência de desmantelamento imediato. Em contrapartida, Washington deveria oferecer o alívio das sanções econômicas impostas ao regime vizinho.
A posição foi detalhada em uma entrevista concedida ao periódico americano The New York Times. Desde o início de seu mandato, em junho de 2025, Lee tem adotado uma diretriz diplomática distinta da de seu antecessor, o conservador Yoon Suk-yeol, optando por buscar entendimentos e propor conversas sem exigências prévias com o governo norte-coreano.
Até o momento, no entanto, a capital norte-coreana, Pyongyang, tem mantido silêncio diante das aberturas diplomáticas propostas por Seul.
O novo cenário geopolítico e o status nuclear
Especialistas apontam que, apesar de rigorosas resoluções e restrições impostas há anos pela ONU, a Coreia do Norte consolidou na prática sua condição de potência com capacidade atômica. Autoridades do país reitero diversas vezes que o arsenal construído possui caráter permanente e irreversível.
Além disso, Pyongyang fortaleceu laços estratégicos com a Rússia e manteve a aliança histórica com a China, fatores que reduzem a dependência do país em relação a uma possível normalização de laços comerciais ou diplomáticos com os Estados Unidos.
Diante desse panorama, o líder sul-coreano avalia que insistir na meta tradicional de desnuclearização completa no atual cenário geopolítico é uma iniciativa fadada ao fracasso.
“Acredito que haja um valor significativo em uma troca entre as sanções e a suspensão do desenvolvimento de novas armas nucleares e tecnologia de mísseis balísticos intercontinentais”, pontuou Lee na entrevista. Para ele, frear as capacidades bélicas nos patamares atuais, interrompendo novas linhas de produção e bloqueando a importação de insumos atômicos, já representaria um avanço expressivo.
Críticas e o histórico de negociações
A proposta, contudo, gera divergências entre analistas e opositores políticos. Setores críticos argumentam que aceitar a paralisação sem a eliminação do arsenal existente equivaleria a reconhecer implicitamente a Coreia do Norte como um Estado nuclear legítimo, permitindo que o regime obtenha alívio econômico sem abdicar de sua força militar.
Historicamente, as tentativas de acordo enfrentam grandes barreiras. Durante o primeiro mandato do presidente americano Donald Trump, ocorreram três encontros presenciais entre ele e o líder norte-coreano Kim Jong-un. Contudo, o processo de diálogo entrou em colapso após a cúpula realizada em Hanói, no Vietnã, em 2019, quando os dois lados não chegaram a um consenso sobre a proporção do alívio de sanções e as contrapartidas efetivas no plano de desarmamento.
Fonte:: estadao.com.br


