O mercado de trabalho formal brasileiro registrou a criação de mais de 165 mil vagas com carteira assinada no mês de agosto. As informações oficiais do Novo Caged, tornadas públicas nesta terça-feira pelo Ministério do Trabalho, ficaram aproximadamente 70 mil postos acima das estimativas traçadas pelo mercado financeiro. Durante o período, foram contabilizadas 108 contratações para cada grupo de 100 demissões. Apesar do saldo positivo, o indicador representa o segundo desempenho mais modesto para o mês de agosto desde o início da série histórica, em 2020. 

Ao analisar o cenário, o ministro do Trabalho em exercício, Chico Macena, pontuou que o ritmo mais moderado de contratações reflete o impacto dos juros elevados e das barreiras tarifárias impostas pelos Estados Unidos.
De acordo com o representante da pasta, a economia demonstra capacidade de adaptação. “Eu acho que é um mercado que está se demonstrando resiliente. Continua com um crescimento, continua gerando novos postos de trabalho, continua, inclusive, com a expectativa de crescimento do PIB, não da forma como se tinha expectativa, mas com uma tendência ainda de crescimento”, avaliou.
A expansão das vagas abrangeu todos os cinco principais setores da atividade econômica nacional. O setor de serviços destacou-se ao responder por dois a cada três postos de trabalho abertos no mês. O comércio, que havia apresentado retração no mês anterior, retomou a trajetória de crescimento com saldo positivo nas contratações. Entre os 27 estados da federação, 24 registraram resultados favoráveis, com maiores volumes de empregos em São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco. O rendimento médio pago aos novos contratados alcançou a marca de R$ 2.410.
No acumulado dos primeiros oito meses do ano, o país contabilizou a abertura de mais de 1,13 milhão de postos formais. O volume representa uma retração de 25% na comparação com o mesmo intervalo do ano anterior, configurando o patamar mais baixo desde 2020, período inicial da crise sanitária global que resultou em fechamentos massivos de postos de trabalho.
Durante a avaliação sobre o comportamento do setor varejista, o ministro também chamou atenção para os recursos financeiros direcionados pelas famílias aos sites de apostas online.
“São R$ 62,5 bilhões que as famílias deixaram de utilizar para suas despesas, para o comércio, para manter a alimentação em casa, e foram migrados para as apostas. A nossa expectativa é que uma parte disso seja utilizada, inclusive, para pagamento de dívidas”, declarou.
Retração na taxa de desocupação
Em paralelo aos dados do Caged, outra pesquisa divulgada no mesmo dia pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou um cenário de baixa ocupação ociosa. A taxa de desemprego recuou para 5,3% no trimestre encerrado em agosto, marcando o índice mais favorável para o período desde o ano de 2012. O contingente de pessoas ocupadas atingiu cerca de 103,5 milhões, estabelecendo o maior patamar da série histórica iniciada há 14 anos. Diferente do Caged, o levantamento do IBGE abrange tanto os trabalhadores com formalidade quanto os atuantes no mercado informal.
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br


