Paul McCartney compara fim dos Beatles com demissão e lembra fase de colapso

Redação Rádio Plug
6 min. de leitura
Paul McCartney toca em Curitiba (foto: Franklin...

O lendário músico Paul McCartney abriu o jogo sobre um dos momentos mais difíceis de sua trajetória pessoal e artística: o fim dos Beatles, oficializado em 1970. Em declarações recentes, o ex-integrante da maior banda de rock de todos os tempos comparou a separação do grupo a perder o único emprego que teve na vida, um processo que desencadeou um período de fortes turbulências emocionais, excessos com a bebida e um verdadeiro colapso mental.

A revelação foi feita durante uma conversa com o diretor Judd Apatow, realizada logo após uma exibição especial do documentário “Paul McCartney: Man on the Run”, na cidade de Los Angeles. No bate-papo, o artista detalhou o impacto abrupto que o encerramento das atividades do quarteto de Liverpool causou em sua rotina e em sua saúde mental.

O luto de uma era e o fantasma da demissão

Para McCartney, a sensação após o fim dos Beatles era de desamparo total. Como a banda se formou quando ele ainda era muito jovem, o grupo funcionava como sua grande escola profissional e seu único ofício conhecido até então.

“Os Beatles terminaram, esse foi o único trabalho que você teve e, então, você não o tem mais. É como se tivesse sido demitido”, desabafou o músico para a plateia e o cineasta presente no evento.

Ao ser questionado por Judd Apatow se toda aquela reviravolta na vida pessoal e artística poderia ser interpretada como um colapso mental, Paul McCartney não hesitou em concordar com a avaliação. O impacto emocional foi imediato e o levou a buscar refúgio em velhos hábitos para tentar anestesiar a dor da perda.

A fase de isolamento na Escócia e o consumo excessivo de álcool

Sem a estrutura faraônica dos Beatles, os compromissos diários nas gravações e a constante vigilância da imprensa, o músico encontrou na solidão do campo um cenário propício para o descontrole. Isolado em uma propriedade remota, ele tentava se adaptar à nova realidade ao lado da família recém-formada.

“Eu comecei a beber. Estava sozinho na Escócia, com uma pequena família recém-formada. Ninguém ia me repreender por beber demais”, relatou o artista durante a conversa. Apesar de inicialmente encarar o consumo de álcool como uma distração inofensiva ou uma válvula de escape, ele admitiu que a situação rapidamente perdeu o controle: “Foi muito divertido até deixar de ser.”

O apoio familiar, no entanto, foi determinante para que ele conseguisse virar essa página sombria. O cantor destacou o papel fundamental de seus filhos e, em especial, de Linda McCartney, com quem foi casado até o falecimento dela em 1998. Foi graças ao suporte da esposa e à convivência familiar que o ex-Beatle encontrou forças para abandonar os excessos e buscar novos horizontes na carreira artística.

A reconstrução da carreira e o nascimento do Wings

A recuperação de Paul McCartney caminhou lado a lado com a necessidade de se reinventar profissionalmente. Foi ao lado de Linda que o músico começou a traçar um novo caminho na indústria fonográfica, culminando na criação da banda Wings em 1971, projeto que se manteve ativo por uma década inteira, até 1981.

No entanto, dar início a um novo grupo musical não foi uma tarefa simples e veio acompanhada de dilemas profundos. McCartney carregava o peso de seu passado glorioso e não queria que seu novo trabalho soasse apenas como uma cópia ou uma tentativa pálida de reviver o fenômeno dos Beatles. No início dessa nova empreitada, o receio era tanto que ele se recusava terminantemente a incluir canções do antigo repertório em suas apresentações ao vivo.

“Ficar sozinho foi muito assustador, porque eu sempre tive a união do grupo. Mas aí eu tive que descobrir como faria isso e tornar diferente”, refletiu o músico sobre o desafio de construir uma identidade própria longe dos velhos parceiros de banda.

A relação eterna com John Lennon

Além dos desafios de carreira e dos problemas pessoais enfrentados no pós-separação, Paul McCartney também relembrou as intensas desavenças públicas que teve com John Lennon logo após o fim dos Beatles. Na época, os dois trocaram farpas, críticas na imprensa e provocações através de canções.

Contudo, o tempo se encarregou de cicatrizar as feridas, e o afeto de longa data prevaleceu nas lembranças de McCartney. Durante o evento, ele fez questão de ressaltar que o carinho pelo antigo colega de composições e parceiro de banda jamais diminuiu, independentemente dos atritos do passado.

“Eu amava John, amo até hoje e sempre vou amar. Não importava, como não importou, o que ele dissesse ou fizesse, porque eu o conhecia desde os 15 anos”, concluiu o músico, demonstrando que, apesar das turbulências e do doloroso processo de término da banda, a amizade e a história construída na juventude permaneceram intactas na memória e no coração.

Fonte:: bemparana.com.br

Anúncios
Compartilhe este artigo