Tratado como uma grande promessa nas categorias de base do Athletico em seus primeiros anos no futebol profissional, o atacante Daniel Cruz, hoje com 25 anos, tenta escrever um novo capítulo em sua carreira vestindo a camisa do Paraná Clube. Após superar um período difícil marcado por uma grave lesão física, o atleta recuperou o protagonismo dentro de campo e agora tem a chance de alcançar uma marca histórica sob o comando do técnico Tcheco.
O desafio mais imediato do Tricolor ocorre neste sábado (10), às 15h30, quando a equipe recebe o Foz do Iguaçu na Vila Capanema, na rodada que encerra a primeira fase da Copa Paraná. Mantendo uma longa sequência sem derrotas, o time paranista busca confirmar a vaga direta para as semifinais e estabelecer a maior sequência invicta da história do clube.
Respeito traduzido em vitórias e foco no presente
Para Daniel Cruz, a busca por esse recorde histórico está diretamente ligada à responsabilidade que os atletas carregam ao representar uma instituição tradicional. Em entrevista coletiva concedida antes da partida decisiva, o atacante enfatizou que o grupo precisa transformar a reverência pela camisa tricolor em resultados práticos no gramado. Segundo o jogador, o respeito só se consolida através das vitórias.
A série invicta que embala o clube começou a ser construída ainda durante a disputa da Segunda Divisão do Campeonato Paranaense. Naquela campanha, o Paraná conseguiu cumprir o objetivo principal ao conquistar o acesso de volta à elite estadual, faturou o título da competição e conseguiu estender o momento de estabilidade para a disputa da Copa Paraná.
“A importância deste jogo é a mesma do começo do campeonato. De não perder o foco de estar em uma final, dando a oportunidade para o clube de entrar em um campeonato nacional. A gente está enfrentando cada jogo como se fosse uma final”, destacou o atacante, relembrando o período em que defendia as cores do rival rubro-negro.
A trajetória e o desafio de superar lesões graves
Revelado pelo Bahia, Daniel Cruz foi contratado pelo Athletico em 2021, quando tinha apenas 20 anos e acumulava expectativas elevadas sobre seu potencial técnico. O atleta integrou o grupo de aspirantes durante o Campeonato Paranaense de 2022, participando de dez partidas oficiais, nas quais marcou um gol e contribuiu com uma assistência, embora não tenha conseguido se consolidar no time principal.
Ainda mantendo vínculo contratual com o Furacão, o jogador passou por sucessivos empréstimos para clubes do cenário nacional, como Botafogo, Juventude, ABC e Chapecoense. No entanto, a trajetória no futebol catarinense acabou interrompida de forma drástica em 2024, quando sofreu uma ruptura no ligamento cruzado anterior do joelho direito.

A gravidade da lesão exigiu intervenção cirúrgica imediata e afastou o atacante dos gramados por mais de doze meses. Antes de acertar sua transferência para o Paraná Clube em abril, ele ainda passou pelo Juventus-SP no início da atual temporada para readquirir ritmo de jogo. No Tricolor, o atacante encontrou o ambiente ideal para retomar a confiança e integrar um grupo que persegue marcas históricas.
“Essa invencibilidade que estamos tendo, desde quando cheguei aqui, é construída todos os dias nos treinos. A gente vem treinando para bater recordes, para estar o tempo todo sendo lembrado pelo Paraná como um elenco invencível, importante, com jogadores importantes”, pontuou o atleta.
Impacto imediato e polivalência no setor ofensivo
A adaptação de Daniel Cruz ao novo clube aconteceu de forma rápida. O atacante precisou de apenas sete minutos em campo durante sua partida de estreia para balançar as redes. Acionado a partir do banco de reservas, ele marcou o gol que garantiu a vitória por 1 a 0 sobre o Araucária na primeira fase da Segundona. Pouco depois, voltou a marcar diante do Patriotas, consolidando-se como uma das principais armas ofensivas na campanha do acesso.
Ao longo da temporada, o jogador também demonstrou versatilidade tática, sendo escalado em diferentes funções pelo setor de ataque. Mesmo tendo atuado centralizado em momentos cruciais, ele ressaltou que se sente confortável jogando pelos lados do campo, posição que marcou sua formação no futebol.
Questionado sobre seu planejamento e permanência na Vila Capanema para o próximo ano, o atleta preferiu adotar cautela e focar no momento presente:
“A gente vem trabalhando para este campeonato, a gente não sabe o dia de amanhã. Temos que viver o hoje para que a gente possa chegar no Campeonato Paranaense bem. A gente tem que fazer a nossa parte neste campeonato. Não tem nada concretizado de quem vai ficar e quem não vai. Então a gente tem que só treinar, viver o hoje, respeitar o Paraná e fazer a nossa parte neste campeonato.”
O susto no joelho e a reta decisiva
Apesar da boa fase, a temporada reservou momentos de tensão para o camisa tricolor. Em uma partida disputada na cidade de Pato Branco, Daniel sentiu dores e um edema exatamente no joelho que havia sido operado anteriormente, gerando momentos de apreensão. “Passou um filme na minha cabeça”, confessou o jogador ao lembrar do instante em que precisou ser substituído.
Contudo, após a realização de exames detalhados, o departamento médico do clube descartou lesões estruturais graves, constatando que o problema havia sido motivado apenas por um pequeno trauma aliado ao desgaste físico acumulado. Superado o susto, o atleta retomou a rotina de treinamentos sem restrições.
A folga no calendário oficial deu o fôlego necessário para que todo o grupo recuperasse a forma física ideal. Agora, com o apoio de sua torcida na Vila Capanema, o Paraná Clube aposta na determinação de seu elenco para superar o Foz do Iguaçu, carimbar o passaporte rumo às semifinais e consolidar seu nome na história do futebol paranaense.
Fonte:: umdoisesportes.com.br


